A Justiça negou o pedido para soltar o vereador afastado Rony Alves (PTB), preso desde sábado (22) por suspeita de de ameaçar uma testemunha da Operação Zona Residencial 3 (ZR3), que apura um esquema de cobrança de propina para mudanças de zoneamento em Londrina, no norte do Paraná.
Alves é réu em um processo decorrente da Operação ZR3 e responde pelos crimes de organização criminosa e corrupção passiva. O vereador afastado foi preso porque a Justiça entendeu que há indícios suficientes de que ele cometeu o crime de coação de testemunha no curso do processo, descumprindo as medidas cautelares impostas anteriormente.
A decisão que negou a revogação da prisão, do juiz Luiz Eduardo Asperti Nardi, foi publicada no fim da noite de domingo (23).
Segundo o magistrado, a decisão que determinou a prisão do vereador afastado considerou novos fatos apurados e que, desde então, não houve alteração nas circunstâncias que basearam a medida.
“Do mesmo modo, a necessidade da prisão e a insuficiência de outras medidas cautelares também foram demonstradas pela fundamentação da decisão questionada, em razão do descumprimento de medida cautelar anteriormente imposta ao requerente e para garantir a ordem pública e assegurar a instrução processual”, diz Nardi no documento.
Na mesma decisão, o magistrado negou o pedido de transferência, da Penitenciária Estadual de Londrina I (PEL I), onde está atualmente, para a cela especial do Corpo de Bombeiros.
De acordo com a decisão, o pedido relata que ele está detido em cela distinta, conforme prevê a legislação.
“Não havendo notícia ou demonstração de qualquer risco ou irregularidade que possam justificar a transferência pleiteada”, explica o juiz.
A prisão
A prisão preventiva foi determinada pela juíza de plantão, Claudia Andrea Bertolla, na última sexta-feira (21), depois de um pedido feito pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
Alves, que estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica, foi preso na casa dele, por volta do meio-dia.
De acordo com o pedido do Gaeco, em 07 de dezembro, Junior Zampar, a principal testemunha sobre o esquema de corrupção, foi abordado por Alves quando saía de uma agência bancária da cidade e seguia para o estacionamento.
Segundo relato de Zampar, o vereador afastado fez ameaças em relação aos depoimentos e o papel dela nas investigações.
Foram anexados ao documento imagens de câmeras de segurança da agência que, segundo o Gaeco, mostram Alves caminhando ao lado e atrás da testemunha. Além disso, o relatório de geolocalização da tornozeleira usada pelo vereador afastado comprovou que ele esteve na agência bancária no dia e horário indicados por Zampar.
No dia da prisão, o advogado Maurício Carneiro, responsável pela defesa de Rony Alves, confirmou que o vereador afastado encontrou a testemunha no banco, mas negou qualquer tipo de ameaça.
A Operação ZR3
A Operação ZR3 foi deflagrada pelo Gaeco em janeiro deste ano. Em 09 de fevereiro o Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou uma denúncia contra 13 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva.
Entre os acusados estão os vereadores afastados Mário Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), servidores públicos municipais e empresários.
Conforme o documento, Takahashi, até então presidente da Câmara, e Rony Alves, seriam os líderes da suposta organização criminosa. Os dois negam as acusações.
Um servidor público, responsável pelo setor de loteamentos da prefeitura, seria o braço do grupo no Poder Executivo.
Em 19 de fevereiro, a Justiça aceitou a denúncia, e as 13 pessoas denunciadas viraram rés por envolvimento nas supostas irregularidades.
Com G1 e RPC