Documentos obtidos pelo g1 e a RPC mostram, pela primeira vez, as possíveis datas planejadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (Antt) para o leilão do lote um do novo modelo de pedágio do Paraná, que abrange, ao todo, 473 quilômetros de rodovias.
O primeiro lote engloba, por exemplo, o trecho da BR-277 entre Curitiba e Prudentópolis, além das BRs 373, 376, 476 e as estaduais PRs 418, 423 e 427.
A minuta, que é um documento preliminar, aponta que o leilão deve acontecer às 14 horas de 24 de agosto. Antes desta data, a Antt deve disponibilizar o edital e demais anexos, que vão basear as concessionárias na elaboração de propostas pelo lote de concessão. Veja o cronograma previsto.
2 de maio – publicação do edital e anexos do lote um no site da Antt;
11 de maio – poderão ser feitos pedidos de esclarecimentos pelos participantes;
7 de junho – prazo para respostas dos pedidos de esclarecimentos;
21 de agosto – entrega dos envelopes com as propostas econômicas na Bolsa de Valores de São Paulo;
24 de agosto – possível data do leilão do lote um.
Se as datas da minuta forem cumpridas, a nova concessionária deve assumir as estradas do lote um somente no último trimestre.
Segundo o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, o Governo do Paraná estima o início das operações no lote 1 entre setembro e outubro.
“Nós estávamos trabalhando com a data entre setembro e outubro para os lotes um e também o dois. Mantido o leilão e batido o martelo, acreditamos que teremos, sim, a concessionária atuando no segundo semestre deste ano”.
Proposta final
A Antt também elaborou uma nota informativa com a proposta final de concessão das estradas do Paraná inseridas no lote um.
Segundo a Agência, o modelo do Paraná é diferente dos outros porque não tem previsão de pagamento de outorga, ou seja, dinheiro pago pela empresa vencedora para explorar a rodovia que vai para os cofres do governo federal e pode ser usado em qualquer área.
O modelo escolhido no Estado é o de aporte financeiro, quando a vencedora também deposita uma quantidade em dinheiro, que pode aumentar conforme os descontos dados em leilão em cima da tarifa base de cada trecho.
A diferença entre os dois modelos é que esse recurso só pode ser usado na própria concessão para assegurar a execução de obras, fazer outras que não estavam previstas ou ainda reduzir o preço da tarifa.
Como era e como deve ficar
No modelo anterior, que vigorou até o final de 2021, as empresas deveriam depositar uma garantia a partir de 1% de desconto.
Na nova modelagem de pedágio, a exigência só começa quando a concessionária oferecer mais de 18% de desconto. Se este for de 19% a 23%, a empresa deve depositar R$ 100 milhões a cada ponto percentual.
Por exemplo, no modelo antigo, se um trecho da rodovia fosse a leilão a R$10 e a empresa oferecesse 25% de desconto, a tarifa paga pelo usuário seria de R$ 7,50 e a concessionária deveria depositar R$ 1,7 bilhão como aporte.
Agora, se o mesmo desconto for oferecido, a empresa terá que depositar R$ 740 milhões de aporte, menos de metade do valor anterior.
Para o secretário de Infraestrutura, a mudança estimula a concorrência e tarifas de pedágio mais baratas.
Cautela
Nos documentos obtidos pelo g1 e a RPC, a Antt ressalta a necessidade de aguardar a assinatura do convênio de delegação do Estado com a União para a efetiva publicação do edital.
Ao todo, o modelo prevê 1.164 quilômetros de rodovias estaduais que ainda não foram repassadas ao governo federal.
Sandro Alex afirmou que o estado deve assinar a cessão das rodovias nos próximos dias.
A documentação ainda precisa ser aprovada pelo colegiado da Antt. Ainda não há data definida para que a diretoria da Agência faça a análise.
A Antt foi procurada, mas não quis gravar entrevista. Em nota, informou que “os documentos que embasam o processo ainda são preliminares até que haja a discussão por parte da diretoria da Agência”.
Com G1