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Limpeza de dados de câmeras de segurança foi para destruir provas, diz defesa da família de tesoureiro do PT

Promotor considera episódio grave e que pode ter que ser apurado em outro inquérito. Jorge Guaranho segue internado no hospital e, segundo advogado, não lembra do dia do crime


calendar_month 4 de agosto de 2022
4 min de leitura

A defesa da família do tesoureiro do PT Marcelo Arruda, morto pelo policial bolsonarista Jorge Guaranho, afirma que a limpeza de registros de acesso às câmeras do local do crime foi feita para destruir provas.

“Isso ocorreu com certeza com a motivação de colocar em erro a investigação. É crime e deve ser apurado também porque tá conexo com a questão do homicídio”, afirmou o advogado Paulo Henrique Zuchoski nesta quarta-feira (03).

Marcelo Arruda foi morto a tiros no dia 9 de julho em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, durante a própria festa de aniversário. A comemoração era realizada na Associação Recreativa Esportiva Segurança Física de Itaipu (Aresf) e tinha como tema era o PT e o ex-presidente Lula.

A informação de que dados foram deletados está em laudo incluído nesta terça-feira (02) na ação penal na qual Guaranho responde pelo homicídio duplamente qualificado de Arruda. Perícia mostrou que dois dias depois do assassinato foram deletados os registros de acesso às gravações.

Segundo os peritos, como houve essa limpeza dos registros, não é possível determinar quem acessou o sistema no dia do assassinato e apagou os dados.

O promotor Tiago Lisboa, responsável pelo caso, afirmou que o Ministério Público fará a análise detalhada de todos os laudos periciais e que só então tomará as providências necessárias.

Segundo Lisboa, a limpeza dos registros é um “fato grave” e que pode caracterizar fraude processual. Porém, afirma o promotor, possivelmente o episódio terá que ser apurado em inquérito paralelo à ação penal.

O advogado Luciano Santoro integra a defesa de Guaranho e afirmou que o policial estava inconsciente no dia em que os dados foram apagados, conforme a perícia. Santoro afirma que a limpeza não tem nada a ver com o bolsonarista.

Perícia no celular de Guaranho

Nesta quarta-feira, a Polícia Científica do Paraná pediu mais duas semanas para concluir a perícia no celular de Jorge Guaranho.

De acordo com as investigações, o policial penal federal, que é bolsonarista declarado, viu no celular de um amigo as imagens das câmeras de segurança do local onde ocorria a festa de Marcelo Arruda.

No dia, o policial atirou contra o Arruda, que revidou e baleou Guaranho. O tesoureiro do PT chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. O policial sobreviveu e segue internado em um hospital de Foz do Iguaçu.

Bolsonarista perdeu a memória, diz advogado

Guaranho está com a prisão preventiva decretada. Os promotores esperam ele receber alta para ouvir a versão do policial sobre o caso.

Porém, a defesa do policial penal afirma que ele perdeu a memória por causa de agressões recebidas logo depois de atirar em Arruda. Segundo o advogado Luciano Santoro, Guaranho não se lembra de nada do que aconteceu na noite do crime.

“Ele não se recorda. Pelo que eu tentei conversar com ele, foi muito brevemente, não se recorda do evento, não se recorda dos fatos”, afirmou nesta quarta-feira à RPC.

O advogado diz que Guaranho levou 24 chutes no rosto e outros no tórax e na perna baleada, num total de cinco minutos e 35 segundos de agressões. De acordo com Santoro, essas outras imagens estão no processo, mas não foram tornadas públicas.

Um dos homens chega a pular em cima de Guaranho.

As agressões ao policial são investigadas em outro inquérito. Os autores já foram identificados e ouvidos.

O advogado de defesa da família de Marcelo Arruda, Paulo Henrique Zuchoski, afirmou que a perda de memória indicada pela defesa de Guaranho não deve prejudicar as investigações.

“Muito mais importante do que a memória do Guaranho são as provas técnicas, é um caso bastante técnico. Nós temos imagens e tudo mais. Então, não depende da memória dele para se ter, para que o júri tenha efetivamente o que aconteceu, isso está muito claro nas imagens”, afirmou.

Com G1

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