O primeiro comandante do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), coronel Erich Osternack, esteve na última sexta-feira (21) em Marechal Cândido Rondon, onde entregou viaturas ao posto local da Polícia Rodoviária Estadual e à equipe Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) da 3ª Companhia do Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv), com sede em Cascavel.
Após sair de Marechal Rondon, Osternack, ainda no posto de tenente-coronel, comandou o Batalhão da Polícia Militar (BPM) em Guarapuava e posteriormente o BPRv em nível de Paraná. Em agosto de 2019 Osternack foi promovido a coronel, último posto da Polícia Militar (PM). Desde outubro do ano passado, desempenha a função de assessor militar da Secretaria de Estado da Segurança Pública, lotado na área de planejamento estratégico.
Em entrevista ao O Presente por ocasião de sua passagem por Marechal Rondon, o coronel destacou que o BPFron no decorrer dos oito anos está consolidado devido à qualidade do trabalho desenvolvido. Embora tenha vontade, ele frisou que não poderia voltar ao comando do BPFron, uma vez que por questão organizacional batalhões da PM são funções de tenentes-coronéis.
À reportagem, ele também falou sobre o aparelhamento da Secretaria de Estado, chefiada pelo coronel Romulo Marinho, e os investimentos aplicados pelo governo Ratinho Junior a fim de oferecer melhores condições de trabalho aos policiais militares no combate à criminalidade. Expôs, ainda, que a “maior demanda da segurança está na questão de pessoal”, referindo-se à ampliação do efetivo na PM, no Corpo de Bombeiros e na Polícia Civil, lembrando que concursos estão programados e em andamento. Confira.
O Presente (OP): O senhor já comandou o BPFron, depois chefiou o BPRv em nível de Paraná e recentemente assumiu um novo desafio. Como avalia as condições atuais da segurança pública no Estado? Há uma evolução significativa principalmente em quais aspectos?
Erich Osternack (EO): O Paraná cresceu muito nos últimos anos em termos de segurança pública. Hoje a secretaria é composta por várias instituições, como as polícias Militar e Civil; Polícia Científica que engloba o Instituto Médico Legal e a Criminalística; e o Departamento Penitenciário, além da Diretoria de Inteligência do Estado do Paraná. Dentro do complexo de segurança, evoluímos muito no Estado nos últimos anos, inclusive em termos de recompletamento de efetivo, tanto que está aberto concurso para as polícias Militar e Civil, embora suspenso por conta da pandemia de Covid, mas que deve ser retomado. As corporações terão recompletamento dos quadros para ter um trabalho mais efetivo em termos logísticos. Desde que o governo Ratinho Junior assumiu, as forças de segurança têm recebido investimentos muito grandes nas aquisições de viaturas, motocicletas, caminhonetes, carros, Corpo de Bombeiros com caminhão de combate a incêndio, ambulâncias do Siate, Polícia Civil com novas viaturas, Departamento Penitenciário com obras de reformas e construções de unidades prisionais para presos provisórios e condenados. Foi investido em treinamento, capacitação, ou seja, as polícias estão altamente treinadas e preparadas, bem equipadas e armadas. Almejamos o aprimoramento tecnológico, tanto que temos câmeras OCR buscando inteligência artificial com identificador facial. Esse aprimoramento visa somar com nossos recursos humanos para estarmos à frente no combate à violência e à criminalidade.
OP: O Estado tem empregado esforços no sentido de combater a criminalidade por meio do aparelhamento policial também nas rodovias. Essa atuação tem surtido resultados expressivos?
EO: É o que fazemos hoje (sexta-feira) com a entrega das viaturas Mitsubishi/L200 à PRE de Marechal e à Rotam e 3ª Companhia do BPRv de Cascavel. Fizemos este projeto quando estávamos no comando do Batalhão, conquistando 70 novas viaturas, uma para cada um dos 56 postos no território paranaense e outras 14 viaturas sendo duas para cada Companhia Rodoviária e duas para a sede do Batalhão. Atualmente, em todo Estado o BPRv tem uma viatura nova para atendimento preventivo, evitar acidentes, fazer operações com radar, etilômetro. Mas, ao acontecer o acidente, seja por imprudência dos motoristas, por excesso de velocidade, ultrapassar na faixa contínua ou ingerir bebida alcoólica no volante, possuímos viaturas equipadas e preparadas para prestar atendimento imediato ao sinistro. Isso faz com que se tenha condições de não somente cuidar do trânsito nas rodovias estaduais, mas, também, de fazer o combate do contrabando, descaminho, tráfico de drogas e armas na região de fronteira.

Assessor militar da Secretaria de Estado da Segurança Pública, coronel Erich Osternack: “Na Secretaria a gente faz a interlocução entre as instituições para que as operações possam ser em conjunto, com cada instituição cumprindo seu papel. Este trabalho tem resultados positivos” (Foto: Joni Lang/OP)
OP: O senhor foi o primeiro comandante do BPFron, com sede em Marechal Rondon. Coordenou a instalação e auxiliou no planejamento para abertura de outras duas unidades, em Guaíra e Santo Antônio do Sudoeste. Atualmente a corporação conta com inúmeros pelotões e com a Base Cobra em Entre Rios do Oeste. As apreensões de contrabando e de drogas aumentaram. Como enxerga a estruturação do BPFron e sua atuação na faixa de fronteira?
EO: Sou até suspeito em dizer por ser o idealizador do projeto, ter implantado o BPFron e sido o primeiro comandante. Para mim, é uma satisfação muito grande. Nós viemos, implantamos e comandamos por cerca de quatro anos o Batalhão. Naquela época buscávamos o treinamento, a capacitação e a doutrina de operações de fronteira. Hoje vemos o BPFron com oito anos e consolidado, desenvolvendo um trabalho integrado com demais forças de segurança federais, estaduais e municipais, bem como tendo reconhecimento pela população de toda a região pelo trabalho bem feito. Toda droga e arma que o Batalhão de Fronteira consegue apreender são vidas que estamos preservando. Vemos com muito orgulho e satisfação que o Batalhão conquistou seu espaço, tem trazido a cada ano recordes de apreensões de drogas e de armas, tem feito um trabalho com muita dedicação e empenho. O objetivo é este, buscar aprimoramento técnico e profissional e manter os equipamentos sempre em condições de executar o trabalho a cada dia.
OP: O senhor tem desejo de um dia voltar a comandar o BPFron?
EO: É uma boa pergunta! Teria imenso prazer de voltar para o Batalhão de Fronteira. Mas, por questão técnica de estrutura da Polícia Militar, todo e qualquer Batalhão da PM é comandado por tenente-coronel. Em virtude da minha promoção em agosto do ano passado ao posto de coronel, o último grau da corporação, por questão de estrutura organizacional da PM um coronel não pode comandar um Batalhão que é função de tenente-coronel. Eu teria muita vontade de comandar o BPFron, mas função de coronel é de comando regional, como temos os comandos regionais em Cascavel, Maringá, Londrina, Curitiba e assim por diante, ou então de participar do comando da estrutura da corporação, que seria o Estado-Maior e suas diretorias de pessoal, financeira, de ensino, saúde, nas diretorias que compõem o alto-comando da corporação. É uma função de comando estratégico da instituição que nos impede de estar à frente de uma unidade operacional como o BPFron, Toledo com o 19º, Cascavel com o 6º BPM. Hoje desempenho papel de ligação entre o comando-geral da PM com o secretário de Segurança Pública, coronel Romulo Marinho, que é da reserva do Exército. Já tenho esta função de relevância e estou muito satisfeito com o trabalho para ajudar o comando nos encaminhamentos.
OP: Desde o fim do ano o senhor assumiu funções de chefia na Secretaria de Estado da Segurança Pública. De que maneira sua ida à Secretaria pode contribuir aos pleitos do BPFron e das forças policiais de Marechal Rondon e região?
EO: Enquanto assessor militar, todos os projetos e demandas da PRE, do BPFron, dos 19º, 14º e 6º BPMs, enfim, todas as demandas das unidades da PM, seja para manutenção de frota, combustível, alimentação, diárias, projetos, aquisições de armas e equipamentos, passam das regionais (batalhões) para o Comando Regional, que encaminha ao subcomando, repassa ao Comando-Geral até chegar à assessoria. Nós encaminhamos ao diretor da Secretaria ou ao secretário para que na ponta não faltem meios para que os policiais militares cumpram suas missões.
OP: Quais as principais dificuldades em nível de Estado e como apoiar as ações policiais no combate ao crime no Oeste do Paraná e na faixa de fronteira?
EO: Temos buscado apoiar todas as operações. O secretário de Segurança, junto com o comando da corporação, tem procurado incansavelmente o trabalho em conjunto, o que na região, quando eu estava à frente do BPFron, vi que não era uma vontade do comandante ou do delegado da Polícia Civil. Aqui o trabalho integrado, em conjunto, é uma necessidade. A gente une esforços para poder vencer esta batalha contra o crime organizado, principalmente na questão do tráfico de drogas e de armas. Na Secretaria a gente faz a interlocução entre as instituições para que as operações possam ser em conjunto, com cada instituição cumprindo seu papel constitucional dentro do que é previsto na legislação. Este trabalho tem resultados positivos com apreensões por todos os órgãos que compõem o sistema integrado, não só BPFron, PM e PRE, mas Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). Todos trabalham com o mesmo objetivo.
OP: Que demandas a Secretaria mais tem recebido dos comandantes da PM, PRE e da Polícia Civil em nível de Paraná? Veículos, armamentos, melhor estrutura?
EO: Atualmente, a maior demanda das instituições em relação à segurança pública, especialmente na fronteira, não é nem tanto de armas e viaturas, contudo mais na questão de pessoal. Onde percorremos o Estado pela Secretaria de Segurança temos percebido que o grande problema é a falta de efetivo, o que será sanado com o novo concurso da PM, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, programado e em andamento.
OP: Há novidades em termos de recursos, equipamentos ou efetivo às policiais na região Oeste?
EO: Esta questão de recursos praticamente a cada dois ou três meses há uma nova entrega de equipamentos, armamentos e/ou viaturas. Recentemente foram entregues viaturas GM/Cruze à PM, há algum tempo foram as GM/Trail Blazer e agora Mitsubishi/L200. O Estado tem provido meios necessários para o enfrentamento à criminalidade. Claro que é uma constante no Estado de que não podemos deixar a frota muita velha ou sucateada. Nós renovamos para desempenhar um trabalho com bastante eficiência.
O Presente