
Escolas estaduais de Curitiba, ocupadas por alunos em protesto contra a reforma no ensino médio e a Proposta de Emenda a Constituição (PEC) 241 que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos, foram alvo de tentativa de desocupação à força, na noite desta quinta-feira, por manifestantes e integrantes do Movimento Brasil Livre, que é contrário à ocupação.
Lysimaco Ferreira da Costa
O Colégio Lysimaco Ferreira da Costa, no bairro Água Verde, chegou a ser invadido por integrantes do MBL e foi necessária a intervenção da Polícia Militar para evitar conflito com os estudantes que ocupam a escola. A assessoria de imprensa da PM afirmou que não havia mandado judicial para ser cumprido nesta noite e que os policiais estão no local acompanhando as manifestações. A PM retirou de dentro da escola todas as pessoas estranhas à ocupação.
O advogado dos alunos ocupantes, Vitor Leme, afirmou que o diretor da escola facilitou a ação. No momento em que o diretor disse que queria dialogar, ele foi autorizado a entrar, e abriu o portão para deixar membros do MBL entrarem e causarem confusão aqui dentro. Aconteceram ameaças morais e de agressão física. Os alunos se trancaram dentro do prédio e a PM entrou e tirou os integrantes do MBL, afirmou.
Integrantes do grupo de manifestação contrário passaram pelo primeiro portão, mas não pela segunda grade que protege o prédio onde estão os estudantes. A ocupação é mantida.
Leme afirmou que foi agredido. Eu e mais dois alunos fomos agredidos quando tentamos entrar. Me bateram, puxaram meu cabelo.
Do lado de fora, uma aluna que é contra a ocupação confirmou que houve confusão entre os movimentos. Eu sou contra a ocupação porque acho que a forma como está sendo feita é prejudicial. A PEC também é prejudicial e está sendo feita errada. Todos os alunos que não estão ocupando têm o direito garantido de estudar. Porque o direito dos alunos que ocupam é maior que o meu?. Ao ser questionada se teve confusão respondeu: é claro que teve, são dois movimentos contrários.
A informação de que a escola havia sido invadida por movimentos contrários à ocupação circulou rapidamente nas redes sociais e, em alguns minutos, centenas de simpatizantes à ação dos estudantes se dirigiram à escola para prestar apoio.Um deles era o professor Ricardo Padrin. Eu estou me solidarizando com os estudantes aqui desde o primeiro dia [de ocupação]. Por volta de umas 20 horas havia uma aglomeração do outro lado da rua, com membros do MBL que vieram com toda uma infraestrutura para tentar pressionar a galera que estava lá dentro [da escola]. Os alunos não deixaram se abater. O MBL entrou com o carro de som inteiro dentro do colégio, depois a PM entrou e retirou os do movimento desocupa’, disse.
O Conselho Tutelar e os advogados que defendem o movimento também foram até o local.
O líder do Movimento Brasil Livre, negou que os manifestantes tentaram desocupar a escola à força.