Apenas um em cada dez cursos de Medicina ostentam a nota 5, a mais elevada do Ministério da Educação (MEC). Desde a semana passada a turminha que veste branco na FAG figura entre eles. A façanha foi muito celebrada. Afinal, o curso de Medicina é o carro-chefe da instituição, com mais de 800 acadêmicos distribuídos em 12 turmas.
No último vestibular de Medicina, a joia da coroa dos Gurgacz trouxe 2,5 mil candidatos de todo o Brasil, uma proporção de 35 por vaga. Clientes não faltam e o setor convive com uma espécie de “reserva de mercado”, já que os concorrentes estão proibidos de abrir novos cursos na área.
A Univel obteve, nesta semana, a autorização para os cursos de Psicologia e Odonto. Medicina está no radar da família Silva, mas é preciso contar com a duvidosa premissa de que o Posto Ipiranga do governo Bolsonaro vai reabrir o mercado fechado por interesses corporativistas.
Como faz para obter nota 5?
Coordenador do curso, o cardiologista Rui Almeida elenca uma série de fatores: instalações, organização pedagógica, corpo docente, laboratórios sofisticados. Algumas das estrelas do laboratório são os bonecos altamente tecnológicos. É possível promover um AVC no boneco-robô e colocar o estudante para atuar em um cenário muito próximo do real. O boneco humano fêmea “engravida”, entra em gestação e o acadêmico faz o parto.
Tudo com as mesmas reações e adversidades de um atendimento real. Lógico, os estudantes trabalham com gente de carne e osso também no Hospital São Lucas, Uopeccan, Ceonc, UPAs e Unidades Básicas de Saúde. “É uma rotina estressante. Estudante de Medicina trabalha muito, o tempo todo, em tempo integral”, relata Rui, cidadão que veio do além mar. O pronunciado sotaque entrega suas raízes lusitanas. Mas o contrário do que se possa imaginar, o médico não nasceu na terrinha. “Sou de Moçambique, uma província africana de Portugal”, conta o Mr. Bean, como também é conhecido entre os colegas.
O quadro da ilustração foi-lhe presenteado pela obtenção da quinta estrela no curso de Medicina. Nada que lhe afete o humor. Afinal, as faculdades privadas são apresentadas – muitas vezes de forma genérica e injusta – como fábricas de diplomas. E o MEC acaba de colocar uma estrela entre a Medicina privada da FAG e a Medicina pública da Unioeste, cujo curso análogo obteve nota 4. Por aí dá para dimensionar a conquista. Afinal, mesmo com sua nota 4, o curso de Medicina da Unioeste ostenta elevada e merecida respeitabilidade. Talvez o que lhe falte para o grau de excelência seja um Mr. Bean com sotaque português…

Por Pitoco