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Paraná

Mel e derivados adoçam a vitrine do Projeto Orgulho Paraná

Produtos da apicultura e meliponicultura do Estado estão expostos na sede do Sistema Faep ao longo de julho e agosto


calendar_month 14 de julho de 2026
7 min de leitura

O mel paranaense já é destaque no Brasil e no mundo. O Paraná é o principal produtor e o terceiro maior exportador do país. O produto que conquistou mercados internacionais, principalmente dos Estados Unidos, Canadá e Alemanha, chega à sede do Sistema Faep, em Curitiba, para compor a vitrine do projeto Orgulho Paraná nos meses de julho e agosto. A apicultura estadual, a sétima cultura desde o lançamento da iniciativa da entidade, fica em exposição para reforçar sua qualidade, valor e força.

A produção de sete propriedades, de diferentes municípios, faz parte da seleção do projeto Orgulho Paraná. Além do mel, artesanato, própolis e até o hidromel ocupam espaço na vitrine, com informações sobre o produtor e o processo produtivo.

“Essa é mais uma demonstração de força e qualidade da produção agropecuária do Paraná. É uma oportunidade para o produtor mostrar os seus produtos, a variedade, a origem e a identidade do trabalho que o campo desenvolve com excelência”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O projeto foi lançado em dezembro do ano passado com o objetivo de divulgar a diversidade e excelência da agropecuária paranaense, de acordo com as características de cada região do Estado. Até agora, pela exposição, já passaram o café, geleias, erva-mate, vinhos, grãos e queijo. Os produtores participantes do Projeto Orgulho Paraná são indicados pelos sindicatos rurais.

Força da apicultura estadual

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), das 67,3 mil toneladas que o Brasil produz, 9.823 toneladas (14,6%) saíram do Paraná. O Valor Bruto da Produção (VPB) nacional atingiu R$ 1 bilhão, sendo R$ 180,8 milhões (17,9%) com origem paranaense. Os municípios que mais produzem mel são Arapoti, Prudentópolis, Ortigueira, Wenceslau Braz e Bituruna.

Considerando o mercado internacional, o Paraná é o terceiro que mais exporta mel no país. Em 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, foram exportadas 5,9 mil toneladas do produto, o que gerou receita de US$ 20 milhões.

Selecionado para expor o mel no Projeto Orgulho Paraná, Fábio Alexandre Siqueira produz no município de Ortigueira, desde 2018. A família tem 450 caixas, sendo 210 produzindo com abelhas mistas (Europa africanizada). Com a ajuda da esposa e três filhos, Siqueira chega a tirar até 15 quilos por colmeia.

Atualmente, o produtor entrega a produção em entreposto, mas espera ter boas oportunidades para venda direta. Esta é a primeira vez que Fábio vai expor seu produto e vê, na vitrine, uma boa oportunidade. “Espero que abra portas para vender mais. Na próxima leva de mel da propriedade, inclusive, vou buscar a Identificação Geográfica do produto para agregar valor e vender mais”, conta o produtor.

Também em Ortigueira, Rafael Alves da Silva trabalha com a família em 500 colmeias. Ele e o pai cuidam do manejo, enquanto a esposa fica responsável pela produção dos derivados, como cera, própolis, hidromel, velas artesanais e cosméticos. “O diferencial do nosso produto está já na região onde é produzido, que tem indicação geográfica com denominação de origem. É um mel mais claro. É único em sabor e coloração, atestado por pesquisas”, diz.

Segundo Silva, a produção de mel varia de ano a ano e, como muitas culturas, também é influenciada pelo clima. “Em boas condições, chegamos a produzir de 15 a 20 toneladas de mel por ano. Eu comercializo aqui em nossa região e Norte do Estado, em comércios, também entrego para programas institucionais como o Programa de Aquisições de Alimento, do governo federal, e no município, para a merenda escolar”, conta Silva.

Sobre a participação no Orgulho Paraná, o apicultor se diz agradecido e esperançoso. “É o público que a gente quer atingir. Ainda tem pouca comercialização na capital do Estado. Seria ótimo poder abrir mais canais, com essa participação”, afirma ele, que também é acompanhando pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), melhorando seus processos gerenciais, desde então.

Não muito distante das propriedades de Siqueira e de Silva, em Imbaú, fica a Granja Morada, onde o mel é produzido há 52 anos pela família do apicultor Benjamin Alves Ferreira Júnior. Eles chegaram a ter 1,5 mil caixas, mas, hoje, ele e a esposa Sirlei dão continuidade à atividade em 300 caixas. Por lá, as produtoras são as abelhas mestiças e as Meliponas (abelhas sem ferrão). A família vende a produção, de 2,7 mil quilos de mel por ano, para mercados e restaurantes da região.

“Ter o seu produto em vitrine é sempre positivo, pois divulga o trabalho, o produto, e agrega conhecimento e valor”, diz Ferreira Júnior, que também participa da turma de apicultura do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), e, em sua marcenaria, constrói e vende as caixas para outros apicultores da região.

Já em Tuneiras do Oeste, Carlos Augusto Alves tem 100 colmeias com abelhas Europa e produz mel há cerca de dez anos, que divide espaço com a pecuária de leite. Neste ano, o apicultor já produziu 2 mil quilos, que são entregues nos mercados de Tuneiras e municípios vizinhos. Já o leite é entregue no laticínio da cidade.

“Eu já expus o mel em um evento em Mariluz, mas esta é a primeira vez que exponho na capital. Espero que essa oportunidade abra portas para eu vender meu produto para outras regiões do Estado”, comenta.

Derivados do mel

Em Realeza, na região Sudoeste do Estado, Silvana Damin trabalha com apicultura e meliponicultura. Com a irmã e o marido, ela cria abelhas-europeias (Apis mellifera) em 20 colmeias e também trabalha com abelhas sem ferrão como Jataí, Mandaçaia e Canudo, em outras 20 colmeias.

Com dedicação, em especial no inverno, a família faz todo um trabalho de manutenção das colônias: alimentação suplementar, troca de rainha e a substituição de cera para as abelhas com ferrão; e, para as abelhas sem ferrão, trabalham utilizando a cera mista, fazendo a multiplicação de colônias e o manejo de suplementação, quando há necessidade.

Na empresa que abriram, além da produção de mel, própolis, cera e derivados, os três também oferecem cursos sobre a cultura. Silvana e a irmã Andressa Damin, aliás, são instrutoras do Sistema Faep – ela na região Sudoeste; a irmã, nos Campos Gerais. Como derivados, eles produzem mel composto ou gourmet (como mel com nozes ou com castanha e mel no favo); ainda têm itens cosméticos a base de mel e própolis e artesanato com cera de abelha, como velas e panos encerados.

“Nosso mel é diferenciado, extremamente suave e que agrada a maioria dos paladares. Temos como um dos nossos pilares a inovação, buscando produtos diferenciados que venham atender necessidades dos clientes”, comenta Silvana.

A produção de mel da família é parcialmente absorvida pelo comércio local de Realeza e região. O restante é utilizado para a produção dos derivados. “Esperamos que o projeto Orgulho Paraná possa ser uma forma amplificada de expor produtos das abelhas. No meu caso, quero poder apresentar para as pessoas as possibilidades de derivados, já que nem todos conhecem”, comenta a produtora.

Para além da vitrine

A apicultura e meliponicultura também são destaques no portfólio de curso do Sistema Faep. Atualmente, são cinco formações específicas do tema; além de um curso sobre o uso do mel na gastronomia. Todos fazem bastante sucesso entre o público (produtores e familiares), que se surpreendem com os produtos que podem ser derivados do mel, da própolis e da cera.

Com Faep/Senar

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