Em um final de semana, diversas regiões do Paraná foram atingidas por tempestades severas – e, em alguns locais, fenômenos meteorológicos assustaram moradores e causaram estragos.
Na sexta-feira (9), uma nuvem funil se formou no céu de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Os ventos chegaram a 68 km/h, derrubaram o andaime de um prédio em construção e árvores em cima da rede elétrica, e mais de 20,8 mil imóveis ficaram sem luz.
No sábado (10), um tornado de intensidade F2 atingiu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Os ventos chegaram a 180 km/h e deixaram quase 300 casas destelhadas, entre outros estragos.
🔍 Mas você sabe qual é a diferença entre os dois fenômenos? Basicamente, considera-se tornado quando uma nuvem funil toca o solo e provoca ventos fortes, conforme explica o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
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À esquerda, nuvem funil registrada em Ponta Grossa; à direita, tornado registrado em São José dos Pinhais — Foto: Reprodução/RPC
“A nuvem funil recebe este nome porque tem a aparência de um funil a partir da base de uma nuvem pesada do tipo Cumulonimbus ou Cumulus, sendo formada por uma coluna de ar que está girando. É o estágio inicial de formação de um tornado, mas somente virá a se caracterizar o fenômeno se vier a alcançar o solo e provocar ventos fortes”, aponta o órgão.
A meteorologista Júlia Munhoz complementa que a nuvem funil é caracterizada pela rotação da nuvem dentro da tempestade e se ela não toca o solo, não é considerada um tornado.
“A nuvem funil tende a ocorrer quando a atmosfera se encontra muito instável, e é uma formação mais comum em células de tempestade. Ela ocorre com certa frequência no Paraná, principalmente na época de primavera/verão”, aponta o Simepar.
No caso de São José dos Pinhais, explica o meteorologista Leonardo Furlan, o tornado foi estreito, de curta duração e mutável, porque em alguns momentos ele tocou o chão e, em outros, não. Por isso que os danos não foram uniformes ao longo do percurso dele, aponta.
Classificação dos tornados
Existem duas formas principais de classificar tornados, a Escala Fujita (F) e a Escala Fujita Aprimorada (EF).
No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente, e o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados – quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno.
Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas, galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no local por, pelo menos, três segundos.
A partir dessa estimativa, o tornado recebe uma classificação. Veja abaixo:
- Tornado F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves;
- Tornado F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados;
- Tornado F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis;
- Tornado F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos;
- Tornado F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores;
- Tornado F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h — destruição extrema.
Em novembro de 2025, o Paraná registrou três tornados em apenas um dia, todos na região central do estado.
Um deles, que passou por Turvo e outras cidades, foi classificado como F2. Os outros dois, que passaram por Guarapuava e Rio Bonito do Iguaçu, foram categorizados como F4. O mais severo foi o de Rio Bonito do Iguaçu, que devastou a cidade.
No dia 1º de janeiro de 2026, o fenômeno voltou a se formar no estado, em Mercedes, no oeste. Na ocasião, ele foi classificado como F1 na Escala Fujita.
O que provocou o novo tornado
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Nuvem em formato de funil se tornou um tornado em São José dos Pinhais — Foto: Reprodução
Todo o estado do Paraná está há dias sob alertas de tempestades emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia. O aviso era mais severo era para o período entre a manhã deste sábado (10) e a manhã deste domingo (11).
Ao longo da semana, o meteorologista Reinaldo Kneib havia adiantado que a previsão de temporais se devia à formação de um ciclone extratropical entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. Apesar de não passar pelo Paraná, ele aumentou a instabilidade no estado.
“A combinação de calor e umidade favorece as chuvas de verão, aquelas chuvas rápidas no período da tarde. Algumas vezes elas vêm associadas com queda de granizo, rajadas de vento moderados e ocasionalmente fortes, e bastante incidência de raios”, detalhou.
Neste domingo (11), a área de baixa pressão se afasta em direção ao oceano, na altura do litoral uruguaio, mas segue mantendo os índices de instabilidade elevados no Paraná. Por isso, permanece a previsão de chuvas e temporais isolados sobre boa parte do estado, em especial no noroeste, norte, Campos Gerais e leste. Veja a previsão do tempo no mapa abaixo.
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Previsão do tempo do Simepar para este domingo (11) — Foto: Reprodução/Simepar
Com G1
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