O Presente
Paraná

Paraná estima em R$ 1,9 bilhão a perda de arrecadação com ICMS por causa do novo coronavírus

calendar_month 9 de abril de 2020
4 min de leitura

A queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por conta do impacto na atividade econômica causado pela pandemia do novo coronavírus é estimada em R$ 1,9 bilhão no Paraná, de acordo com a Secretaria da Fazenda. O ICMS é a principal fonte de arrecadação do estado.

Essa foi a primeira estimativa do governo estadual. Conforme a secretaria, a depender do que vai ocorrer até o fim do ano, as perdas podem chegar aos R$ 3 bilhões. A arrecadação de ICMS de janeiro a março foi de R$ 7,8 bilhões, segundo o Portal da Transparência.

Do total arrecadado de ICMS, 25% vai para os municípios. Ou seja, o repasse deve serimpactado em R$ 485 milhões. Isso representa 30% do valor recebido pelos municípios com o imposto de janeiro até o início de abril deste ano.

Estimativa de queda no repasse do ICMS para municípios em 2020

Cidade Previsão sem a Covid-19 (R$) Previsão com a Covid-19 (R$) Redução (R$)
Curitiba 787.544.633 739.828.295 47.716.338
São José dos Pinhais 374.903.464 353.127.946 22.775.518
Londrina 199.029.567 186.970.616 12.058.951
Maringá 189.982.868 178.472.045 11.510.823
Ponta Grossa 188.493.273 177.072.703 11.420.570
Foz do Iguaçu 182.960.236 171.874.905 11.085.330
Cascavel 151.562.259 142.379.293 9.182.967

A secretaria informou que, embora haja variação a cada medição, as maiores reduções estão sendo no setor de combustíveis, onde a queda é de 70%, e em artigos mais sofisticados.

“As pessoas estão utilizando menos os carros. A queda no preço dos combustíveis por esses dias explica de certa forma a redução no consumo”, diz o economista Wilhelm Meiners, do Observatório das Metrópoles e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Segundo ele, o setor automotivo também pode sofrer um forte abalo por causa da queda nas exportações e na compra de veículos. “As previsões são bastante sombrias para os próximos meses nesse setor importante da economia paranaense”, indica.

Para o professor, uma medida que pode amortecer a queda na arrecadação tributária é o plano emergencial de ajuda fiscal aos estados durante a crise, que tramita na Câmara dos Deputados.

Pela proposta, haveria recomposição da perda tributária, suspensão do pagamento de empréstimos e novo limite de endividamento.

“É uma medida bastante inteligente. Essa perda vai acontecer. É uma ação necessária do governo federal, que é o único que tem flexibilidade nesse momento”, afirma o economista.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o projeto será votado nesta quinta-feira (9), após divergências entre partidos na sessão de quarta-feira (8).

“Se [a aprovação] não acontecer significa um abalo pesadíssimo nas contas públicas estaduais e municipais”, avalia Meiners.

Situação dos municípios

A redução para os municípios será sentida automaticamente, visto que o governo apenas repassa o percentual correspondente, informou a Secretaria da Fazenda. Por outro lado, segundo o economista, os repasses federais foram garantidos por três meses.

“Os municípios têm graus distintos de dependência das transferências, sobretudo os pequenos municípios dependem desses repasses [estadual e federal]”, explica Meiners.

Ele alerta para a preocupação com a safra de grãos e a produção de outros itens agropecuários, que refletem na atividade econômica e na receita de estados e de pequenos municípios.

Ainda conforme o economista, há a possibilidade de que os municípios, ao decretarem situação de emergência ou calamidade pública, façam operações de crédito para pagar as despesas correntes por causa da queda na arrecadação.

Segundo a lei orçamentária, a previsão de arrecadação com impostos, taxas e contribuições em 2020 era de R$ 40,2 bilhões para este ano – 6% a mais em relação ao ano passado. O Governo do Paraná previa transferir R$ 8 bilhões em ICMS aos municípios ao longo deste ano.

Investimentos do governo estadual

A queda na arrecadação e a necessidade de investimentos na saúde para enfrentar a pandemia devem impactar também em obras e outros investimentos do governo, que estavam previstos na ordem de R$ 8,7 milhões para este ano.

De acordo com a secretaria, essa previsão está sendo reavaliada, mas o número poderá chegar próximo ao anunciado. Isso porque, justifica a pasta, os recursos deveriam sair da conta do tesouro, que tem superávit previsto, e de empréstimos bancários.

Com G1 PR

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.