Dados do Departamento de Polícia Penal do Paraná (Deppen) revelam que a regional de Londrina tem a maior superlotação carcerária do estado. São 6.607 detentos para 4,5 mil vagas – um déficit de 2.107 vagas.
Os números fazem parte do Mapa Carcerário do Deppen, atualizados nesta terça-feira (25).
O Deppen possui nove regionais no estado. No total, o Paraná tem 33.642 pessoas presas e 28.429 vagas no sistema prisional, segundo o departamento.
Superlotação carcerária no Paraná
| Regional | Presos | Vagas | Déficit |
| Curitiba e Região Metropolitana | 9.483 | 9.106 | 377 |
| Ponta grossa | 2.566 | 2.278 | 288 |
| Guarapuava | 1.788 | 964 | 824 |
| Londrina | 6.607 | 4.500 | 2.107 |
| Maringá | 3.227 | 2.330 | 897 |
| Cruzeiro do Oeste | 3.068 | 2.557 | 511 |
| Francisco Beltrão | 1.883 | 1.498 | 385 |
| Cascavel | 2.153 | 1.624 | 529 |
| Foz do Iguaçu | 2.867 | 3.572 | 0 |
Região é mais populosa, diz Deppen
Segundo o Deppen, a região de Londrina tem 24 unidades prisionais, entre penitenciárias, cadeias públicas e centros que atendem detentos do regime semiaberto. Elas estão espalhadas em 18 cidades do norte e Norte Pioneiro do estado.
Os municípios recebem presos de aproximadamente 80 cidades de toda a região, conforme o órgão.
Em nota a reportagem, o Deppen afirmou que a regional de Londrina tem a maior superlotação carcerária por ser a mais populosa e que, também por isso, tem mais cadeias públicas.
O Deppen justifica que tem trabalhado junto às prefeituras da região com o objetivo de angariar os melhores espaços e terrenos adequados à construção de novas unidades.
Na região, estão previstas a conclusão da ampliação da cadeia de Ivaiporã ainda em outubro e a entrega de uma nova cadeia em Arapongas em 2022.
Como a reportagem mostrou, o Governo do Paraná também planeja uma penitenciária em Ribeirão do Pinhal. As obras vão custar R$ 51 milhões e deve ser entregue no final de 2024. A previsão é de que a nova unidade abrigue até 800 presos.
Menos presos em delegacias, e mais em cadeias
O promotor Marcelo Adolfo Rodrigues integra o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) do Ministério Público e avalia que o aumento da população carcerária, principalmente no norte do estado, é resultado de uma recente mudança na gestão dos presos.
“No meu entendimento, a principal explicação para esse aumento é o fato de que a responsabilidade de cuidar de muitos detentos passou da Polícia Civil para o Deppen. Por isso, algumas regionais ficaram sobrecarregadas, como está acontecendo com Londrina”, disse.
Para o promotor, há outra saída para diminuir a superlotação nas cadeias além da construção de novos presídios.
“Temos uma comissão em Curitiba que avalia os presos que podem receber algum benefício, como a tornozeleira eletrônica, por exemplo. É uma forma de evitar cadeias cada vez mais cheias”, apontou.
Com G1