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Pesquisadores do Paraná entram para a lista dos 200 mais citados na América Latina

Alessandro Loguercio, Alessandra Reis e Angelo Agostinho: três professores de instituições públicas do Paraná estão entre os 200 pesquisadores de maior destaque da América Latina, segundo ranking internacional


calendar_month 7 de maio de 2023
5 min de leitura

Alessandro Dourado Loguercio, docente do curso de odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e pesquisador na área de Odontologia Estética, foi reconhecido como um dos 200 melhores pesquisadores da América Latina pelo Índice Científico Alper-Doger (AD Scientific Index), atualizado neste ano de 2023.

Alessandro ocupa a 143ª posição no ranking internacional.

Além dele, o Paraná está representado por Alessandra Reis (149ª), também docente do curso de Odontologia da UEPG e pesquisadora na área de Odontologia Estética, e Angelo Antonio Agostinho (153ª), pesquisador do Programa de Pós Graduação na área de Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais na Universidade Estadual de Maringá (UEM) .

De acordo com o levantamento, as classificações levam em consideração a alta produtividade acadêmica e a relevância dos trabalhos realizados pelos pesquisadores, que entre alguns fatores, é medida através da quantidade de citações em outros trabalhos científicos.

Conforme dados divulgados pelo índice, as pesquisas de Loguercio foram citadas mais de 13,5 mil vezes nos últimos anos.

Os trabalhos de Alessandra tiveram quase 13 mil citações, e o nome do professor Angelo aparece em 11,9 mil produções acadêmicas.

No ranking também são avaliadas as instituições de maior destaque de cada país da América Latina.

No Brasil, o Paraná está representado pela Pontificia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que se encontra no 21° lugar. A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) está na 23ª posição.

Ainda entre as 30 principais instituições do país, estão a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 27º lugar, seguida pela UEM, em 28ª posição.

A menção de pesquisadores brasileiros em rankings reconhecidos internacional joga luz às dificuldades e às conquistas de se fazer ciência no país que vive um cenário de corte de verbas para o setor.

Tudo é ciência

De acordo com o boletim “Panorama da Ciência Brasileira 2015-2020”, do Observatório em Ciência, Tecnologia e Inovação (OCTI) do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), a produção científica brasileira aumentou 32,2% no período de 2015 a 2020.

Esse dado colocou o Brasil como o 13° país com maior número de produções científicas do mundo.

Apesar da conquista, dados publicados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações diminuiu nos últimos anos.

Em 2015, o orçamento federal foi de quase R$ 23 bilhões, em 2019, teve uma queda de 40%, chegando a menos de R$ 14 bilhões. Agora, em 2023, o orçamento é de um pouco mais de R$ 10 bilhões.

Alessandro explica que quando se pensa em Ciência, em um sentido mais amplo da palavra, se fala sobre responder os problemas que a sociedade tem.

“Isso é feito através da pesquisa. A gente acabou de sair de uma pandemia e mais do que nunca as questões científicas estiveram envolvidas para solucionar problemas da vida cotidiana das pessoas, especialmente no caso das vacinas”, relembra.

Alessandra ressalta a necessidade de mais tempo, investimento público e projetos financiados para que a ciência continue avançando cada vez mais no Brasil.

A pesquisadora ainda destaca que, hoje, o que mantém as pesquisas no país é a cooperação de empresas e alunos de pós-graduação dispostos a descobrir o novo.

Angelo compartilha do mesmo pensamento da colega. Para o pesquisador, se faz necessária uma maior distribuição de bolsas de estudo e a contratação de mais docentes qualificados para reposição daqueles que se aposentam.

A vida dos pesquisadores

Alessandro e Alessandra são casados. Ele tem 49 anos e é natural de Bagé, Rio Grande do Sul. Ela tem 46 anos e é de São Paulo capital. Ambos se formaram na década de 1990 em Odontologia, cada um em seu estado de origem.

No início dos anos 2000, concluíram o Doutorado na Universidade de São Paulo (USP), onde se conheceram e deram início ao relacionamento. Em 2006, os dois passaram em um processo seletivo da UEPG.

Juntos, o casal teve duas filhas. Eles contam que ao longo dos anos foram aprendendo a separar o particular do profissional, mas que ao dividirem a mesma paixão, um acaba se tornando o revisor do trabalho do outro.

A ciência não para

Assim como o casal de pesquisadores, outro professor do Paraná foi reconhecido pelo Índice Científico Alper-Doger: Angelo Antonio Agostinho.

Aos 72 anos, Angelo é aposentado, mas permanece na vida acadêmica como professor voluntário e pesquisador da UEM.

O paranaense natural de Santo Inácio, no norte do estado, garante que a aposentadoria não fez com que ele reduzisse a produção científica, pelo contrário, diz não ter planos de interrompê-la.

“Não considero como trabalho uma atividade realizada com prazer”.

Angelo foi o primeiro da família dele a concluir o ensino superior. Ele se formou em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1975. De lá para cá, foram diferentes especializações e inúmeros trabalhos científicos.

Para ele, ver as pesquisas em que se debruçou ao longo dos anos se tornarem referência para novos estudos traz a certeza de estar no caminho certo.

“É assim que a Ciência avança. Tudo o que é produzido deve ser avaliado, discutido e, se for o caso, contestado, incluindo a própria contestação”, ressalta Angelo.

Com G1

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