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Paraná

Policial civil é afastado suspeito de usar armas e drogas para incriminar investigados

calendar_month 30 de abril de 2019
3 min de leitura

Um policial civil foi afastado das funções suspeito de usar armas e drogas para incriminar pessoas que ele investigava. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) dizem que ele usava um “kit flagrante”.

Conforme o Gaeco, uma arma roubada em 20 de novembro do ano passado durante uma abordagem no bairro Campo de Santana, em Curitiba, apareceu duas semanas depois, em 03 de dezembro, plantada para incriminar outra pessoas no bairro Umbará, também na capital.

Segundo os promotores, o policial foi o responsável pelas duas ações. De acordo com a denúncia, ele e outro policial invadiram a casa de uma adolescente à procura do companheiro dela que era suspeito de tráfico.

Na casa, segundo os promotores, o policial roubou uma arma de fogo e dois celulares. Nada foi registrado na delegacia.

O Gaeco afirma que no dia 03 de dezembro o policial e outros investigadores entraram na casa de um rapaz alegando que o carro na garagem dele estava com alerta de furto.

Segundo os promotores, policial exigiu R$ 10 mil para não autuar o rapaz por crime de receptação. O homem se recusou a pagar e recebeu voz de prisão.

De acordo com o Gaeco, o policial então atestou falsamente que havia encontrado na residência do rapaz certa quantidade de drogas e uma arma de fogo, além do veículo furtado.

A investigação aponta que a arma era a mesma que o policial tinha roubado duas semanas antes.

“Foi feito um laudo comparativo entre as armas com base em depoimentos prestados pela própria vítima, que confirmou que aquela arma era a que estava em sua residência e foi levada pelo investigador. Para nós, a arma que foi roubada na primeira residência foi plantada na segunda”, diz o promotor Fernando Cubas.

Policiais do Gaeco fizeram buscas no carro usado pelo policial e apreenderam armas falsas, drogas e dois celulares. Segundo os promotores, uma perícia confirmou que os aparelhos eram os mesmos que tinham sido roubados pelo policial.

Em depoimento, o policial negou todas as suspeitas. “Eu não tenho nada, não tenho nada de ilegal, trabalhava dentro da lei. Sempre fui. Por isso sempre tive sucesso nos trabalhos que eu fiz há anos, ou seja, porque trabalhava honesto”, disse.

O policial civil era chefe de investigação no 13º Distrito Policial, no bairro Tatuquara. Ele foi indiciado, entre outros crimes, por roubo, tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

O Gaeco chegou a pedir a prisão do policial porque na avaliação dos promotores ele manchou a imagem da corporação. Mas a Justiça não aceitou o pedido. O investigador está em casa usando tornozeleira eletrônica.

Os promotores dizem que a investigação continua para saber se o “kit flagrante” foi usado para incriminar outras pessoas.

“Temos alguns indícios que esse era o modo de atuar desse investigador em outros, porém ainda não há uma comprovação, então tá sendo averiguada essa situação”, afirma o promotor.

 

O que dizem os citados

A defesa do policial disse que a denúncia foi baseada em informações falsas de pessoas investigadas pelo próprio policial e que tem interesse em prejudicá-lo.

O advogado também afirmou que não existem provas de que Freire tenha praticado qualquer crime e que a inocência será demonstrada no processo.

A Polícia Civil do Paraná informou que além do processo criminal há procedimentos administrativos para investigar a conduta do policial. A polícia ressaltou que atos irregulares cometidos por servidores serão apurados e punidos de acordo com a lei.

 

Com RPC Curitiba 

 
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