Adriana Justi/ G1

Professores começaram a desmontar acampamento hoje (09)
Logo após decidirem pela suspensão da greve, hoje (09), professores e profissionais da educação pública do Paraná começaram a desmontar o acampamento no Centro Cívico de Curitiba. Foram 29 dias em frente aos poderes Legislativo e Executivo em mais uma mobilização história, que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), contou com a participação de cerca de 100 mil pessoas.
O acampamento foi o centro da união da categoria. Nós entramos na greve muito unidos, e nós saímos da greve muito unidos. As pessoas vinham no fim de semana, durante o carnaval, com chuva ou sem chuva. Vinham para conversar, para discutir. Foi o local onde, com certeza, a categoria acumulou força para ficar na luta o tempo todo, avaliou o professor de história Daniel Jacob Noradi.
Além da união entre os professores, houve ainda o carinho dos moradores da região. Noradi conta que algumas pessoas levaram comida, colchões e cobertores.
Os professores ainda disseram que tiveram a companhia daqueles que foram ao acampamento para conversar e demonstrar apoio a greve.
Para ele decisão da assembleia foi correta. Eu acho que no momento era o certo politicamente, mas, se precisar, nós estaremos firmes para voltar a qualquer momento, se o governo não cumprir aquilo que ele colocou no papel, disse.
Veterana nas mobilizações da educação do Paraná, a professora Laura Apazini comparou o acampamento desta greve com a de 1988, quando houve confronto entre a Polícia Militar e os professores que estavam parados havia 14 dias. À época, a polícia usou cavalos e bombas de efeito moral para dispersar os professores.
Creio que desta vez foi um ganho político. Foi uma grande lição política para a população e também para os deputados eleitos pelo povo, mas que não trabalham pelo povo, afirmou Apazani.
Ao criticar o trabalho dos parlamentares, ela cita o impasse envolvendo a Rede Integrada de Transporte (RIT). Existe este problema do transporte público e eles sequer discutem uma solução para isso, destacou.
A professora também estava presente no dia em que aconteceu a invasão do Plenário da Assembleia Legislativa. Esse dia foi uma grande vitória política para a gente mostrar que o Legislativo e o Executivo não podem fazer o que querem com a população. Eles precisam governar para o povo e não para eles, segundo o interesse deles.
Greve suspensa
A maioria dos milhares de professores que participaram da assembleia na manhã desta segunda-feira na Vila Capanema, em Curitiba, optou por suspender a greve, contudo, decidiram manter o estado de greve.
Isso significa que os quase um milhão de alunos da rede estadual de ensino terão o ano letivo iniciado na próxima quinta-feira (12), mas caso o governo do estado não cumpra alguma compromisso assumido na mesa de negociação a paralisação pode ser retomada.
Entendemos que é hora de suspender a greve e manter o estado de greve, que já tínhamos desde o ano passado, para fazer com que o governo cumpra os seus compromissos. Em não cumprindo, o estado de greve nos autoriza a chamar uma assembleia e reiniciar uma greve assim que for necessário, caso o governador passe a descumprir o que tratou, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), Hermes Leão.
A partir de amanhã (10), os professores retornam às escolas para organizar o início do ano letivo. A expectativa é de que as aulas comecem na quinta-feira (12).