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Paraná

Pronta para sair da lavoura

calendar_month 13 de janeiro de 2017
5 min de leitura

Mirely Weirich/OP
Com clima favorável para colheita, soja da safra de verão 2016/17 promete  bons resultados, mas com possibilidade de alta de variação na produtividade

Apesar de a largada oficial da colheita da safra de verão 2016/17 ocorrer a partir da próxima semana, há agricultores que já colocaram as colheitadeiras na lavoura e começaram a tirar os grãos dourados do campo.

Em Bom Jardim, interior de Marechal Cândido Rondon, Alex Neumann já tirou da terra 4,8 alqueires de soja na terça-feira (10). A pressa do agricultor – primeiro a colher no distrito rondonense -, tem justificativa: a falta de chuva na fase de enchimento dos grãos, entre o fim de dezembro e início de janeiro. Foram duas semanas que a lavoura sofreu, por isso adiantamos a colheita pela falta de chuva, destaca.

Apesar de adiantado, o trabalho do produtor não deve terminar até o dia 10 de fevereiro, já que ele e o pai, Gilberto Neumann, semearam pelo menos 58 alqueires na região, dos quais oito foram destinados ao milho de primeira safra. No dia seguinte, Neumann iniciou o plantio direto do milho safrinha, que tem boa expectativa de produção neste ano. A soja no ano passado fechou com média de 148 sacas por alqueire, mas este ano acredito que dê menos por conta da seca, revela. Apesar de o clima neste ano ter colaborado mais do que na safra de verão passada, ele menciona que o sol foi muito mais quente. A nossa beira lago é bastante complicada. Está chovendo na vila do lado e aqui não. Tenho áreas melhores e outras que não estão tão boas, então haverá variação de produtividade, mas tenho expectativa de uma colheita boa e tranquila, diz, avaliando que a média final será de 130 sacas.

Safra em números

A estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), é de que a produção da oleaginosa no núcleo regional de Toledo chegue a 1.699.200 tonelada, em 472 mil hectares semeados nos 20 municípios. O milho de primeira safra deve chegar a 121.920 toneladas, somando 12.140 mil hectares plantados no ano safra 2016/17. Houve um pequeno aumento de área em relação à última safra, com isso a projeção é um pouco maior do que no ano passado, expõe o técnico do Deral, Paulo Oliva.

De acordo com o consultor de campo da Unidade de Bom Jardim e Porto Mendes da Agrícola Horizonte, Rodeni Effting, foram em apenas duas ou três regiões de Bom Jardim que a chuva deixou de cair no momento de maior necessidade, destacando uma grande variação de precipitação em localidades próximas. Essa lavoura que estamos acompanhando passou por pelo menos 14 dias diretos de estiagem no período mais crítico, no enchimento de grãos, uma época que o produtor tem medo e que historicamente falta chuva, explica.

Por outro lado, as lavouras não sofreram com o ataque de pragas e doenças como no ano passado, quando a ferrugem asiática foi um grande problema para os produtores devido ao fenômeno El Niño. Agora no fim do ciclo houveram problemas com ácaro e também oídio, por conta das madrugadas frias que favoreceram o aparecimento da doença, o que levou o produtor a entrar mais vezes no campo para pulverizar, o que acabou aumentando um pouco o custo, menciona Effting. Ainda assim, na avaliação do consultor, a região terá uma boa produtividade, com variações de 60 a 150 sacas por alqueire dependendo da variedade e área onde a soja foi semeada.

Conforme o Deral, tanto as lavouras de milho quanto as de soja estão 100% em boas condições, todas em fase de frutificação nas duas culturas. No ano passado não houve espaçamento para que o produtor fizesse o manejo correto em função do excesso de chuva, mas neste ano as precipitações foram intermitentes, com espaçamento entre elas, pontua Oliva. Para quem imaginava no início da safra que nós teríamos um período complicado em função do La Niña, foi um clima bastante adverso, complementa.

 

Ponto alto

Ao rodar pelas estradas do extremo Oeste, são apenas poucas áreas de soja amarelando, por isso, Oliva destaca que ainda não é possível levantar o percentual de área colhida. Quando a cultura foi plantada, o clima oscilou muito, com registro de baixas temperaturas, por isso acredito que vamos ter o pico para essa safra diferente do ano passado, diz, apostando que o ponto alto será na primeira quinzena de janeiro. Neste momento, são produtores bem específicos que estão colhendo, enfatiza.

Mesmo avaliando que haverá oscilação de produtividade em muitas áreas em função do clima, o técnico do Deral diz que a expectativa para esta safra de verão – que deve ter a colheita finalizada em meados de março – é considerada muito boa.

Rentabilidade

E quando o tema é preço, o momento não parece tão tranquilo quanto o andamento da colheita. Para Neumann, os R$ 63,50 pagos na região para a saca de 60 quilos de soja precisaria estar melhor cotado para agradar o produtor. Para ser considerado bom, deveria estar a pelo menos R$ 70. Pelo investimento que fizemos, este preço cobre os custos e não estamos perdendo, mas poderia estar melhor, afirma.

Segundo Oliva, além do câmbio, o início da colheita na América do Sul é outro fator que pressiona o valor da oleaginosa pela existência de oferta no mercado. O produtor que fez a venda antecipada, no entanto, fechou contratos de R$ 76 a R$ 84, mas foram poucos, cerca de 9% na nossa região, bem menos do que no ano passado, informa.

Na época da compra dos insumos, diz Effting, o dólar estava em uma cotação maior, por isso, teoricamente hoje o cenário pode ser considerado desfavorável para o produtor. Mas quem fez os cálculos corretamente vê que o custo da lavoura está em torno de 65 a 68 sacas por alqueire, ou seja, uma produtividade de 120 a 130 sacas ainda é uma boa rentabilidade. Além disso, ainda existe uma esperança porque alguns vão deixar esse produto guardado e esperar um melhor preço futuro, conclui o consultor.

 
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