Desde 1983, este foi o ano de menor volume de água que chega ao reservatório de Itaipu, resultado da falta de chuvas na bacia do Rio Paraná e também da seca que afetou grande parte da região logo acima da usina, segundo a Divisão de Estudos Hidrológicos e Energéticos da binacional, margem paraguaia.
A expectativa é que o volume de água aumente em novembro, em relação a outubro, o que não significa muito, já que o mês passado teve a menor vazão para o mês, desde 1983 (apenas 7.900 metros cúbicos por segundo, quando em períodos normais ultrapassa 10 mil m³/s).
Setembro já havia tido o terceiro menor valor da série histórica (83,6% do volume médio histórico para aquele mês).
Novembro não será muito melhor. Pelos prognósticos, deverá chegar à usina uma média de 8.500 m³/s, o terceiro menor valor histórico. O primeiro foi em 2001 (7.951 m³/s), ano em que o Brasil viveu um período de seca intensa, que chegou a provocar apagões. O segundo menor foi em 1986 (8.271 m³/s).
O engenheiro José Quevedo, da Divisão de Estudos Hidrológicos e Energéticos, disse que a bacia alta do Rio Paraná tem estações bem marcadas, com dois períodos: um de muita chuva, o verão, e outro de pouca (inverno).
“Em setembro e outubro já deveria ter começado a chover. No entanto, as precipitações estão muito abaixo da condição média”, disse.
“Geralmente, na parte mais próxima de Itaipu, águas acima, é possível que haja muita chuva tanto no inverno como no verão, mas tivemos um ano desfavorável”, explicou.
Deplecionamento
O Conselho de Administração e a Diretoria Executiva de Itaipu (ambas as margens) aprovaram nesta semana a redução da cota de operação do reservatório, que será deplecionado (rebaixado). A cota, que funciona normalmente até 218,5 metros acima do nível do mar, baixará para 216 metros.
Com isso, a usina poderá produzir mais energia, atendendo os dois países, já que o Paraguai também está precisando de mais eletricidade, devido à própria seca e à falta de um sistema de transmissão e distribuição mais eficiente. O país já vem sofrendo seguidos apagões, devido ao aumento do consumo provocado pelo calor acima de 40 graus, nos últimos dias.
Desde que a usina entrou em operação, já houve 21 operações de flexibilização da cota, mas todas para atender a margem brasileira. Desta vez, a Eletrobras e a Ande precisam de mais energia, para atender ao aumento da demanda nos dois países e considerando que os baixos registros de afluência de água ao reservatório configuram uma situação de excepcionalidade.
Para os municípios lindeiros e para o governo paraguaio, a redução da cota e a possibilidade de Itaipu produzir mais representam um aumento na arrecadação de royalties, já que a usina repassa esse benefício de acordo com a quantidade de energia que gera.
Com Jornal Eletrônico de Itaipu