No Paraná, as precipitações mensais estão abaixo da média desde meados de 2018 e no ano passado em apenas três meses choveu acima da média. Tal condição levou o Governo do Estado a estender para todo o Paraná a situação de emergência hídrica.
Na prática, o decreto autoriza as empresas de saneamento a adotarem medidas que garantam o abastecimento público, como os rodízios de água, priorizando o uso dos recursos hídricos para esse fim. Com isso, o Instituto Água e Terra (IAT) pode restringir a vazão outorgada para outras atividades, com o objetivo de normalizar as captações.
As medidas se respaldam nas previsões meteorológicas que não são nada animadoras. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), através da resolução número 77, a situação crítica de escassez dos recursos hídricos na Região Hidrográfica do Paraná deve permanecer até novembro deste ano.

Meteorologista Luiz Renato Lazinski: “Com o retorno da La Niña, para os próximos meses e até o final da safra de verão não vemos mudança no padrão das precipitações observado nos últimos meses” (Foto: Divulgação)
Estiagens históricas
De acordo com o meteorologista Luiz Renato Lazinski, houve outras estiagens semelhantes no Paraná, e até mais rigorosas que a atual. Nos anos de 1963, 1951 e 1942 são consideradas as mais severas de todas. “A estiagem de 1942 foi bem mais intensa. As outras foram parecidas com a que estamos enfrentado agora”, declarou ao O Presente.
Segundo Lazinski, é comum durante o inverno diminuir a ocorrência de chuva, no entanto, as precipitações estão ficando abaixo da média para a estação. “A partir dos meses de setembro e outubro a tendência é de que as chuvas voltem com um volume mais expressivo”, expõe.
Entretanto, o meteorologista lembra que em 2020 as precipitações esperadas no início da primavera não aconteceram, o que, inclusive, obrigou muitos agricultores a atrasar o plantio da safra de verão. “Este ano choveu um pouco mais que em 2020. Em agosto tivemos algumas chuvas, mas, claro, muito aquém do esperado”, pontua.
Conforme o meteorologista, o mês de janeiro deste ano foi o único em que as precipitações ficaram acima da média. “Em junho choveu próximo da média, mas todos os outros meses ficaram abaixo”, relata.
Fenômenos naturais
Tornou-se comum ouvir nas previsões do tempo os nomes El Niño e La Niña, fenômenos naturais que acontecem na porção equatorial do Oceano Pacífico e que aquecem ou resfriam as temperaturas.
O El Niño caracterizam-se pelo aquecimento, enquanto que durante a La Niña acontece o resfriamento da temperatura.
Tamanha influência acontece por causa da dimensão do Oceano Pacífico, que é o maior do planeta e cobre quase metade do globo terrestre. Por conta disso, as mudanças na temperatura aumentam ou diminuem a evaporação, o que gera mais ou menos energia na atmosfera. A energia modifica a intensidade e direção dos ventos em todo o globo, ou seja, muda os padrões de chuva.
Na região Sul, em anos de La Niña aumentam a chance de estiagens. Além disso, os invernos costumam ser mais frios. Em anos de El Niño, a chuva torna-se mais intensa especialmente durante o inverno e a primavera e as ondas de frio costumam ser menos frequentes.
Segundo Lazinski, a La Niña que atingiu o Brasil no ano passado, apesar de ser de fraca intensidade, influenciou as precipitações na região Centro-Sul do país até o primeiro semestre deste ano. “Para o Sul do Brasil, a La Niña significa chuvas mal distribuídas e abaixo da média”, explica.
Próximos meses
O meteorologista diz que atualmente o Brasil passa por um período de neutralidade climática, que não sofre a interferência de nenhum dos fenômenos climáticos citados anteriormente. Mas, de acordo com ele, os modelos já sinalizam para o retorno de uma nova La Niña a partir deste mês. “Com o retorno da La Niña, para os próximos meses e até o final da safra de verão não vemos mudança no padrão das precipitações observado nos últimos meses”, pontua.
Conforme ele, as chuvas nesse período devem continuar bastante irregulares e abaixo da média. “Podemos até ter um volume maior de chuva e acima da média em alguns meses, mas esse padrão de irregularidade deve continuar”, prevê.
O Presente