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Paraná Produtor capitalizado

Saca da soja acima de R$ 100 injeta bilhões na economia e produz melhor momento histórico do setor

Cultura de soja: melhores preços da história (Foto: Divulgação)

Quando o preço da saca de soja passava de R$ 60, já começava a euforia. Era preço bom. Em maio deste ano, impulsionado pelo dólar em ascensão, a saca chegou pela primeira vez ao patamar histórico de R$ 100.

Com a moeda americana roçando em R$ 6 no pico da alta, no meio do semestre passado, os sojicultores apressaram-se em vender. Os volumes negociados foram tão expressivos que o produto se tornou escasso no mercado.

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Foi quando a saca foi à estratosfera. Chegou a ser vendida a R$ 130 no porto de Rio Grande (RS), em meados da primeira quinzena de agosto. “Em termos nominais, é o melhor momento da história”, afirma o especialista Camilo Motter.

Sem jogo de palavras, é fácil entender o que fez um produto tão abundante escassear nos silos brasileiros a ponto de, pela primeira vez desde 2002, surgir um cenário em que o país poderá ser levado a importar mais de um milhão de sacas.

Além do dólar em patamares inimagináveis, em grande parte em razão da fragilidade do real diante da epidemia, o porco chinês chegou faminto.

Em cada dez sacas vendidas pelo Brasil, oito foram para a China. O plantel suíno do país asiático está sendo recomposto, após o abate de dezenas de milhões de cabeças afetadas por problemas sanitários.

A recomposição de um plantel de mais de 200 milhões de cabeças na China pede muita ração. Neste aspecto a soja e o milho alimentam o suíno chinês e o bolso do agricultor.

O lucro do sojicultor que vender a saca a R$ 120 (cotação do início desta segunda quinzena de agosto) pode estar acima de 100%, já que os mais eficientes estão mantendo o custo de produção abaixo de R$ 50.

E o que os fazendeiros farão com o lucro da soja? Segundo o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, a tendência é reinvestir porteira adentro, embora em Cascavel se perceba também pesados aportes no mercado imobiliário.

A capitalização do produtor, com investimentos nos processos de produção, novas tecnologias e na produtividade gera um ciclo positivo, conforme explica Camilo Motter.

Para ele, o processo todo vai perdurar para as próximas temporadas, com início em setembro. Ou seja, não se trata de voo de galinha. O alinhamento de estrelas (suínos com fome na China, dólar elevado e safras de qualidade) vai cimentar o alicerce verde da economia nacional e jogar papel fundamental na superação das sequelas da pandemia.

Presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, diz que tendência é reinvestir porteira adentro, embora em Cascavel se perceba também pesados aportes no mercado imobiliário (Foto: Arquivo/OP)

 

Acompanhe a entrevista concedida pelo especialista:

Pitoco: Como o preço da soja foi parar em um lugar tão alto?

Camilo Motter: Quando o dólar começou a subir, o produtor passou a vender. Isso foi entre março e junho. Foi um recorde de vendas, liquidou-se os estoques, tudo isso puxado pelas compras chinesas. A China comprou muito aqui dentro. Então a escassez dentro do Brasil também puxou os preços para cima.

 

Pitoco: Isso fará o grande vendedor de soja, o Brasil, se tornar comprador no mercado externo?

Camilo Motter: É bem plausível esse cenário de importação. Desde 2003 que não se importava mais do que algo entre 300 e 600 mil toneladas, número que o Paraguai supria. Agora o cenário aponta para importações de soja pelo Brasil acima de um milhão de toneladas, que poderão vir da Argentina ou mesmo dos Estados Unidos.

 

Pitoco: A guerra comercial Estados Unidos x China tem um papel nesta alta da soja?

Camilo Motter: Em termos. A questão central é que havia disponibilidade do produto no Brasil e outros países da região com um preço melhor que o americano. Então, a China comprou aqui. Mas agora a soja brasileira está mais cara e os Estados Unidos entram com safra cheia. Então, os chineses não vão olhar para isso de guerra comercial e vão comprar na América do Norte. Eles vão comprar a produção americana.

 

Pitoco: Apetite voraz da suinocultura na Ásia…

Camilo Motter: Sim, a retomada chinesa de importações está relacionada à alimentação de suínos. Eles partiram, ano passado, de 85,5 milhões de toneladas de grãos para 98 milhões este ano. Na próxima temporada vão comprar mais de 100 milhões de toneladas.

 

Pitoco: Como foi a safra na região de Cascavel?

Camilo Motter: Atrasou um pouco o plantio em razão de problema climático, mas a qualidade é excepcional e os preços fantásticos. É um fluxo de reposição de venda como nunca visto. Isso tende a perdurar, capitalização retém produção do milho subindo.

 

Pitoco: Você consegue enxergar nuvens negras neste céu de brigadeiro?

Camilo Motter: Com essas altas há perspectiva de aumento do custo de produção, insumos, fertilizantes, sementes e agroquímicos importados. Mas os preços dos grãos devem ficar firmes e o câmbio favorável, mesmo com uma eventual retomada na economia. A safra será bem remunerada na próxima temporada também.

 

Pitoco: Qual deve ser a posição do Brasil no duelo de gigantes entre chineses e americanos?

Camilo Motter: O Brasil tem que ser pragmático. Precisa avaliar qual é a melhor forma de manter mercados abertos lá fora. E se manter neutro em disputas que não nos interessam. O que interessa para nós é colocar nossos produtos e atrair investimento. Entrar em briga de terceiros não traz nenhuma contribuição para solucionar as disputas comerciais e geopolíticas entre China e Estados Unidos. Se não vamos solucionar isso por que marcar posição neste sentido?

 

Pitoco: Os agricultores vivem o melhor momento?

Camilo Motter: Em termos nominais é, com certeza, o melhor momento da história. Em termos de renda no campo, se não for o melhor é um dos melhores. Se o agricultor canalizar esses recursos a mais com investimento na propriedade e tecnologia, ele viverá seu melhor momento da atividade. Veja só, o milho subindo de preço em plena colheita, isso é absolutamente incomum.

Camilo Motter: “O Brasil deve ficar longe da briga entre chineses e americanos” (Foto: Divulgação)

 

Pitoco

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