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Paraná

Saiba o que é a Síndrome do Manguito Rotador, enfermidade que mais afastou paranaenses do trabalho em 2023

Especialista destaca a necessidade de se investir em prevenção


calendar_month 15 de março de 2024
5 min de leitura

Dados do Ministério da Previdência Social obtidos pelo g1 Paraná mostram que a Síndrome do Manguito Rotador foi o principal motivo para afastamento de trabalho em 2023 no estado. Ao todo, foram concedidos 3.720 benefícios de auxílio-doença por causa da síndrome.

A enfermidade tem como sintomas dor forte e queimação na região do ombro em decorrência de atividades repetitivas.

A síndrome dificulta ou impede ações rotineiras como a própria higiene pessoal, como explicou o médico ortopedista Fernando Ferraz Faria.

“O paciente costuma apresentar dificuldade de elevar o ombro e colocar a mão nas costas. Além disso, também pode causar perda de força no membro e dificuldade em atividades do dia-a-dia, como higiene, alimentação e dirigir. A lesão gera instabilidade da articulação e, se não tratada, evolui para ruptura dos tendões do manguito”, explicou o médico.

Dores aumentam com o passar do tempo

Uma das vítimas dessa enfermidade é a cozinheira Wilma Campos, de 55 anos, moradora de Foz do Iguaçu.

Há mais de 30 anos na profissão, ela conta que de uma hora para a outra passou a sentir dores fortes nos dois ombros que foram piorando e a impedindo de cumprir tarefas do cotidiano.

“Há alguns anos comecei a sentir fortes dores nos ombros, estava perdendo minhas forças, frustrada por não conseguir fazer o básico da cozinha, erguer panelas, pegar coisas em locais mais altos. Com o tempo foi piorando, parecia que eu carregava peso nos braços o dia todo e quando chegava a noite, as dores eram insuportáveis”, relembrou a cozinheira.

Wilma foi diagnosticada com a síndrome após uma série de exames e precisou ser afastada do trabalho para fazer o tratamento adequado e, assim, amenizar os sintomas.

A esperança dela é que, um dia, consiga voltar às antigas funções.

“Fui afastada do trabalho, fiz uma infiltração e fisioterapia. Já não sinto tanta dor, mas ela ainda queima no ombro. As forças ainda não voltaram, mas sigo com meu tratamento, na esperança de que minhas forças voltem pra eu poder voltar ao trabalho”, contou a cozinheira.

Veja como enfermidade pode afetar jovens e idosos, segundo o ortopedista Fernando:

Em jovens, o trauma por movimento repetitivo pode acontecer em atividades esportivas ou laborais, causando um desbalanço da musculatura. Esse desbalanço pode evoluir para uma instabilidade na articulação do ombro, rupturas no tendão e intensas dores e inflamação no membro.

Em idosos, a lesão é causada por degeneração primária do tendão, o envelhecimento dos fibroblastos (que têm a função de sintetizar fibras do tecido) dos tendões e lesão da sua arquitetura. Isso causa inflamações e rupturas com movimentos de baixa intensidade, já que o tendão degenerado e doente acaba rompendo.

Mais de 3 mil trabalhadores afastados

Veja total de benefícios por incapacidade temporária concedidos no estado por enfermidades, segundo o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS):

Síndrome do Manguito Rotador – 3.720
Fratura da Extremidade Distal do Rádio – 3.623
Dor Lombar Baixa – 3.412
Transtorno Disco Lombar – 3.364
Colelitiase – 2.683
Lumbago c/Ciatica – 2.574
Lesões do Ombro – 2.233
Fratura de Outr Dedos – 2.177
Hernia Inguinal – 2.166
Leiomioma do Utero – 2.125

O também médico ortopedista e professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) Luiz Fachin lembra que outras enfermidades associadas ao ombro recebem outros nomes de acordo com o Código Internacional de Doenças.

Os números relacionados ao membro são altos se observados os números do INSS, segundo o especialista.

“Se você olhar bem na listinha do INSS, tem síndrome do manguito rotador, mas tem outro item lá embaixo que seria dor no ombro, isso é feito por pelo Código Internacional de Doenças, mas se você somar é muito mais gente com lombalgia, muito mais gente com dor no ombro, síndrome do manguito rotador ou síndrome do ombro do doloroso”, destacou.

Falta prevenção

O ortopedista diz que o problema é de nível de saúde pública e que merece maior atenção no sentido de evitar que os trabalhadores, sem tratamento no tempo adequado, piorem e assim sofram ainda mais.

Para ele é necessário jogar luz à prevenção de problemas ocupacionais.

“Diferentemente de outras áreas, existe grande serviço do público em relação à prevenção do diabetes, em relação à prevenção de de hipertensão arterial, mas os problemas ocupacionais, eles consomem a maior parte do orçamento do INSS e ficam à mercê de atendimento inadequado”, argumentou o médico.

“É necessário que se tenha plano de prevenção para que esses pacientes não sofram e isso é muito difícil de ser feito. O serviço público não contempla essa parte, ele contempla mais a parte de tratamento. As pessoas ficam sofrendo durante bom tempo, com demora de consulta, de exame, de cirurgia e, com isso, o INSS fica lotado de pessoas solicitando o benefício”, afirmou Fachin.

Medicina ocupacional

Para o profissional, uma das alternativas para a prevenção é o investimento maior na medicina ocupacional para pequenas e médias empresas, associado a um incentivo público.

“Se houvesse essa prevenção com as empresas e o INSS pudesse atuar adequadamente, nós não teríamos nem metade desses casos. Nós, consumidores e pagadores de impostos, pagamos o salário destes que estão lesados por essa ineficácia de sistema público que não contempla esse tipo de evento”, destacou o médico.

Com G1

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