Sete em cada 10 médicos sofrem agressão verbal ou física no Paraná, segundo o Sindicato dos Médicos do estado (Simepar). Para os profissionais da enfermagem, conforme o sindicato, os casos de agressão atingem 60% dos trabalhadores.
Segundo o sindicato, o principal problema que motiva as agressões é a falta de estrutura das unidades de saúde e hospitais, considerando que a falta de vagas e a demora nos atendimentos irritam os pacientes.
“A gente não tem culpa de nada. A gente está ali para prestar o atendimento. Se têm poucos médicos, não é culpa da gente”, afirma uma pediatra vítima de agressão, que não quis se identificar.
A profissional trabalha em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Ela relata que teve o cabelo arrancado por um casal enfurecido pela demora em obter uma consulta para o filho.
Segundo a médica, o caso do menino não era de urgência, mas os pais exigiram atendimento e, irritados, cometeram as agressões.
“Ele me agarrou, me deu um mata-leão aqui no pescoço, enquanto a esposa dele me deu um murro na região da face aqui, esquerda, no nariz, puxou meu cabelo, arrancou vários”, relembra a especialista.
Também na Região de Curitiba, outro médico registrou que teve o nariz quebrado por um paciente, nervoso pela demora em um atendimento.
Segundo o diretor do Sindicato dos Médicos do Paraná, Wagner Sabino, “isso se deve, em resumo, a uma ineficiência do próprio poder público para gerir a área da saúde”.
“A gente entende a posição do paciente que está sofrendo ou que tem um familiar que está doente, mas isso não lhe dá o direito de agredir o profissional de saúde” afirma o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Roberto Yosida.
Sobre o caso de agressão contra a médica citada na reportagem, a Prefeitura de Colombo disse que está aberta uma licitação para contratar uma empresa de vigilância. O município disse ainda que o número de médicos disponível é adequado, mas que novos especialistas devem ser contratados.
Com RPC Curitiba