
a porta do presidente: 40 graus no Show Rural
O amplo espaço da Ocepar no segundo andar do prédio das cooperativas no Show Rural foi palco de tempo quente no dia 10, terça-feira, segundo dia do evento. Era Cascavel 40 graus, literalmente.
Não somente pela ausência do ar-condicionado no ambiente, como também pela pauta do encontro: o “frango a diesel” estava no cardápio de líderes empresariais que debatiam a logística do Paraná, tendo a energia em primeiro plano.
Convocado por Fiep, Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) e Caciopar, o encontro denominado “Infraestrutura e Logística do Oeste do Paraná” trouxe uma panorâmica dos gargalos em portos, rodovias e ferrovias do Estado.
Mas a chapa ferveu mesmo quando o suprimento de energia entrou na conversa. Ali, surgiram os fios desencapados e os curtos- circuitos. O presidente em exercício da Federação da Agricultura (FAEP), Eduardo Meneguette, pôs o dedo na tomada 220V.
Olhando nos olhos dos representantes da Copel, Meneguette declarou: “Vamos trabalhar gente, estamos perdendo horrores no peixe e nas aves. O que estou dizendo aqui para vocês eu disse para o presidente da Copel, Daniel Pimentel. Vocês faturam R$ 22 bilhões e não resolvem. Avisei e falo novamente. Se não resolverem, volto ao gabinete do presidente e arrombo a porta a pontapés, se for preciso”.
MORTES NO CERRO
O eletrizado Meneguette se referia às quedas constantes de energia elétrica, principalmente nas regiões oeste e sudoeste. Para ficar em um exemplo, no último dia 15 de janeiro, oscilações no fornecimento de energia geraram severos prejuízos a produtores rurais de Cerro da Lola, zona rural de Toledo, resultando na morte de cerca de mil frangos o colapso do sistema de ventilação e climatização dos aviários.
Em propriedades rurais, especialmente avicultura, piscicultura e galpões de tabaco, qualquer falha elétrica compromete equipamentos essenciais e resulta em grandes prejuízos.
Para atenuar as instabilidades, muitos produtores apelaram para geradores a diesel, cuja operação é onerosa. E é daí que surgiu a expressão “frango a óleo diesel”. Quando se podia confiar no suprimento de energia, o mais comum na roça era o franguinho na panela preparado com outros óleos, como aqueles de soja ou milho.
NÚMEROS OCULTOS
A Fiep encomendou ampla pesquisa para entender a que ponto chegamos na energia. O resultado, segundo os dirigentes da federação, foi tão ruim, que acharam melhor não divulgar, sob pena de afastar novos investimentos industriais no Estado.
“A decepção com a prestação do serviço é sistêmica”, disse o cascavelense que preside a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, ao apelar por robustez no sistema.
OUTRO LADO
“Aceitamos o convite das entidades para participar do evento com o intuito de ouvir as demandas energéticas dos setores industrial e agroindustrial e comparar com nosso planejamento. Queremos justamente estar mais próximos da sociedade e ouvir os anseios. Vamos trabalhar para que a energia seja mais um indutor do desenvolvimento”, disse o superintendente comercial da Copel, Breno Castro.
PITACO DO PITOCO
Uma frase poderia resumir o encontro da última terça (10), no Show Rural: “Alguém não percebeu que o Oeste cresceu mais que a provisão de energia, estamos aqui para lembrá-los”.
Os líderes não estavam ali para espezinhar o governador, muito menos para desgastar o Iguaçu em ano eleitoral. Até porque é difícil encontrar naquele grupo alguém que não tenha contribuído para eleger e reeleger Ratinho Junior.
A questão ali era outra: garantir que o pão, o peixe e o franguinho nosso de cada dia cheguem às prateleiras do “supermercado do mundo”, como o Iguaçu vende o Paraná na propaganda.
Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente
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