Um tremor de terra foi registrado na região de Paranaguá, no litoral do Paraná, na madrugada de domingo (12). O abalo teve magnitude 2,4 e foi detectado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com os dados, o tremor ocorreu por volta das 0h28 (horário de Brasília) e foi classificado como raso, ou seja, próximo à superfície. Eventos desse tipo, com baixa magnitude, geralmente não causam danos e podem até não ser percebidos pela população.
Até o momento, não há registros de estragos ou feridos na região.
Veja o ponto do abalo sísmico:

O que significa a magnitude?
A magnitude de um terremoto é medida pela escala Richter, que indica a quantidade de energia liberada no abalo sísmico.
A escala é logarítmica, ou seja, cada ponto representa um aumento significativo na intensidade. Tremores abaixo de 3,0, como o registrado em Paranaguá, são considerados de baixa magnitude e, na maioria das vezes, não causam danos.
Já eventos acima de 5,0 podem ser sentidos com mais intensidade e têm potencial para provocar estragos, dependendo da profundidade e da localização.
Segundo o professor de geologia Eduardo Salamuni, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o fenômeno é natural e foi provocado por movimentação geológica.
“O abalo foi provocado, provavelmente, em uma falha que nós denominados de Falha de Santos, e ela está dentro da Bacia de Santos, que é a que recebe todos os sedimentos continentais”, disse.
Conforme Salamuni, esse tipo de abalo não provoca danos, apenas sensação de tremor e susto. Ele ressalta que somente construções extremamente frágeis poderiam ser afetadas, o que não foi registrado até a publicação desta reportagem.
O professor explica que a região é conhecida por registrar outros tremores ao longo do tempo, principalmente na divisa entre Paraná e São Paulo. Por isso, é classificada como uma área sismogênica, ou seja, propensa a esse tipo de ocorrência devido à presença de falhas geológicas.
O abalo sísmico foi registrado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da USP.
Gerson de Oliveira, morador da Ilha do Mel, em Paranaguá, relatou que sentiu o tremor durante a madrugada e descreveu o momento como assustador.
“Eu fui dormir e, uns cinco minutos depois que deitei, tudo começou a tremer, a cama e o ambiente. Foi junto com uma explosão muito forte e durou uns dois a três segundos”, contou.
Segundo ele, a primeira reação foi buscar uma explicação comum na região.
“Eu levantei assustado, peguei uma lanterna e saí para ver o que tinha acontecido. Na minha cabeça, achei que tinha sido explosão de transformador, porque isso às vezes acontece aqui na ilha. Mas quando iluminei, vi que estava tudo normal […] A casa inteira vibrou bastante”, relatou.
Salamuni explicou que locais mais próximos do epicentro sentem o tremor com mais intensidade, como na Ilha do Mel, que está ligada ao mesmo solo do continente e, por isso, foi uma das primeiras áreas a perceber a onda de choque.
“Do ponto de vista geológico, a ilha está ligada ao continente, então vai sofrer a onda de choque. Foi uma das primeiras a sofrer essa onda, porque está muito mais próxima do epicentro. Como é uma região habitada e está perto do epicentro, as pessoas acabam sentindo isso naturalmente. De fato, é algo curioso, mas não perigoso.”
O Presente com Catve e g1
Clique aqui e participe do nosso grupo de notícias no WhatsApp