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Paraná CICLO DE VACINAÇÃO

Vacinação em adultos: você está com a sua em dia?

(Foto: Divulgação)

Qual foi a última vez que você se vacinou? Tem certeza que toda a sua vacinação está em dia? Nem sempre os adultos conseguem responder essas questões. 

O ciclo da vacinação acontece durante toda a vida, dependendo das recomendações para a imunização conforme a idade e a doença. Mas, quando a fase adulta chega, ela não está restrita apenas à vacina contra a gripe, como se tornou comum pensar. Ou ainda quando existe um chamamento particular ou uma campanha específica, como é o caso da vacinação contra o sarampo. Na segunda fase da atual mobilização, entre os dias 18 e 30 de novembro, o foco será a população entre 20 e 29 anos. Outro caso recente foi a extensa divulgação para a vacinação contra a febre amarela, em 2019.

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No entanto, há um calendário específico de vacinação para adolescentes e adultos que não pode ser esquecido. Para a médica infectologista Marion Burger, da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR), existem vários motivos que explicam uma maior atenção na vacinação de crianças e idosos e o esquecimento dos adultos com as doses com o passar dos anos. Entre as razões está a maior oferta de doses de vacina nestas duas faixas etárias, por serem prioritárias em grande parte das campanhas de imunização. “Existe a tendência do adulto achar que não precisa mais de imunização, do mesmo jeito que ele não precisa mais ir no médico, de não cuidar da saúde. O adulto sabe que precisa se alimentar corretamente, fazer exercício, dormir corretamente… o adulto não faz as prevenções. Só vamos ao médico em situações de real necessidade”, lembra. 

Foco no público infantil

Para Marion, a visão muda quando este adulto assume o papel de pai ou mãe e não submete a criança a uma situação como esta. “Há muito mais a visão de prevenção em relação às crianças, porque são seres sob a sua responsabilidade. E todos os programas de vacinação sempre enfatizam a criança porque grande parte das doenças infecciosas são preponderantes em crianças. Adultos já tiveram contato com elas e geralmente não adoecem por elas, e sim por doenças cardiovasculares ou metabólicas, por exemplo. As crianças estão mais sujeitas àquele microorganismo e dependem das vacinas para estarem preparadas”, salienta. 

Apesar de provavelmente terem tido contato anteriormente com estas doenças, os adultos podem carregar estes vírus e bactérias. Por isto, é essencial estarem imunizados. Exemplo claro disto é quando um alguém deseja visitar um recém-nascido no hospital ou mesmo um bebê em casa. A mãe deveria exigir a carteira de vacinação em dia dos visitantes, na opinião de Marion, porque eles podem estar levando o vírus ou bactéria para a criança. O mesmo acontece com os idosos. A recomendação é a mesma para familiares e outros profissionais que lidam diariamente com as crianças. A cobertura vacinal completa dos adultos garante uma maior segurança para os pequenos.

O foco principalmente na vacinação das crianças e o esquecimento da imunização nos adultos pode também ser explicado pelas campanhas e publicidade feitas em décadas anteriores, com o objetivo de diminuir os números da mortalidade infantil no País e melhorar outros indicadores, de acordo com o médico infectologista e epidemiologista Bruno Scarpellini, do Laboratório de Retrovirologia da Escola Paulista de Medicina. Ele cita o personagem “Zé Gotinha”, que foi símbolo da infância de algumas gerações. 

“Com a diminuição da mortalidade infantil, você aumenta a produtividade do País. Isto porque estas pessoas vão chegar saudáveis a esta fase. Num adulto, não se vê este valor porque teoricamente estas grandes doenças já estavam controladas. Mas, com a globalização, as doenças ‘andam’ em 24, 48, 72 horas. No consultório, me deparo com pessoas que, quando pergunto sobre a carteira vacinal, falam que não sabem ela onde está. Ou respondem que tomaram a vacina contra a gripe e a febre amarela. Elas não sabiam que tinham que tomar outras. Quem tem diabetes, por exemplo, deveria se vacinar contra a pneumonia. As pessoas acham que é apenas para idoso”, avalia. 

Outras questões culturais também influenciam a procura da vacinação pelos adultos, o que mostra a necessidade de consciência sobre a importância da imunização, na opinião de Scarpellini. “Agora, com o sarampo, haverá a mesma forte procura como aconteceu com a febre amarela. É preciso mudar o mindset e desmistificar muitas coisas. Neste surto, as pessoas que mais me ligaram para tirar as dúvidas sobre a vacinação foram os imunosuprimidos, que estavam mais preocupados. Mas a população em geral precisa estar preocupada”, aponta. 

Responsabilidade compartilhada com a saúde da comunidade

Marion Burger reforça que no sistema público de saúde estão disponíveis as vacinas para as doenças que oferecem um maior risco à população e que geram complicações para as faixas etárias mais suscetíveis. Por isto, elas são prioritárias e de graça. No entanto, o adulto não precisa ficar “preso” apenas à imunização na rede pública. Ele pode também procurar as opções disponíveis na rede privada, onde há vacinas diferentes e que geram uma cobertura mais ampla. 

“Mas temos como fazer os dois calendários, sendo o calendário público como o de visão de saúde pública mesmo, que ninguém pode deixar de ter, pois não eu sou responsável apenas pela minha saúde, mas também pela saúde de todos com quem convivo. E as vacinas individuais, que dependem da possibilidade de adquirir, mas não são para as doenças que hoje têm uma importância maior em saúde pública. As vacinas no sistema de saúde brasileiro são de altíssima qualidade, que não perdem nada e que às vezes são as mesmas feitas em clínicas privadas. Mas existem algumas diferenças. A pentavalente, por exemplo, é diferente nas duas redes”, comenta.

Marion salienta que a vacinação é uma questão da responsabilidade com a saúde pública, da comunidade. E o sarampo, com esta grande quantidade de casos agora, é considerado um exemplo disto. De acordo com ela, pelo resultado alcançado com a vacinação, muitas doenças – como a pólio – não atingem mais a população como antigamente. No entanto, o vírus continua circulando em algumas regiões do planeta. “E hoje, com as pessoas viajando, os vírus podem retornar. Se não tivermos a população devidamente imunizada, o vírus encontra espaço. Foi o que aconteceu com o sarampo”, diz.

Recomendação

O adulto que guardou a carteira de vacinação infantil pode levá-la à unidade de saúde, juntamente com outras comprovações de vacinação, para consultar como está a sua cobertura vacinal e verificar como proceder. Os profissionais de saúde vão orientar quais as vacinas poderão ser ministradas conforme a faixa etária e as necessidades. Quem não tiver nenhum registro de vacinação, também poderá ser vacinado, seguindo as recomendações conforme a idade. 

Especificamente paras quem mora em Curitiba, o sistema municipal de saúde conta com prontuário eletrônico em todas as unidades de saúde, incluindo o registro de todas as vacinas aplicadas. São informações dos quase últimos 20 anos. Inclusive, é possível consultar os dados por meio do aplicativo Saúde Já. A ferramenta informa se existe alguma dose pendente ou que precisará ainda ser tomada, conforme o calendário pela faixa etária.

O morador cujos dados de vacinação forem mais antigos do que este período pode ir até uma unidade de saúde com as suas carteiras e pedir a inclusão de tudo no prontuário eletrônico. Os profissionais das unidades farão a avaliação e dirão se todas as vacinas em dia. “Mas isto vai acontecer em relação ao calendário para a sua faixa etária”, reforça Marion Burger, médica infectologista da Secretaria Municipal da Saúde. 

“Se for um adulto de 30 anos sem carteira de vacinação, o que é bem comum, começamos do zero: abre-se nova carteira. Para esta pessoa, começa, então, a vacinação da hepatite B, também com a dupla bacteriana (difteria e tétano) e pelo menos uma dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). E também uma dose da febre amarela”, exemplifica Marion.

As dúvidas podem ser sanadas diretamente em uma unidade de saúde.

Com Saúde Debate

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