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Paraná Novo hospital Sempre Vida

“Vamos trabalhar com a parte de robótica e muito com a parte de genética”, diz Ana Carolina Seyboth

Diretora executiva do Grupo Sempre Vida e administradora hospitalar, Ana Carolina Seyboth: “Ter esse hospital no Biopark complementa as nossas atividades no sentido de que faremos a cadeia assistencial para alta complexidade também” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

Solenidade realizada sexta-feira (09) marcou uma nova e importante etapa na história do Grupo Sempre Vida, de Marechal Cândido Rondon. Na presença do governador Ratinho Junior e demais autoridades, haverá o lançamento do projeto do Centro de Atenção à Saúde Sempre Vida, que será construído dentro do Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark), de Toledo.

A unidade será uma extensão do plano de saúde e visa oferecer ações preventivas que possam promover mais qualidade de vida aos beneficiários, mas também disponibilizar um hospital de grande porte e de alta complexidade, de forma que os pacientes não sejam mais encaminhados para cidades mais distantes.

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Serão 164 leitos ao total, incluindo UTI, e o investimento previsto é de R$ 55 milhões. O Centro de Atenção à Saúde começa a ser erguido no próximo ano e deve entrar em funcionamento em 2023.

Em visita ao Jornal O Presente, a diretora executiva do Grupo Sempre Vida e administradora hospitalar, Ana Carolina Seyboth, detalhou sobre o projeto. Confira.

 

O Presente (OP): Está nascendo um novo projeto, algo muito ousado e que chama atenção. Trata-se de um hospital de grande porte que não será em Marechal Cândido Rondon, não será em Toledo e não será em Palotina, mas será entre os três municípios. A partir de que momento surgiu a ideia de que nesta região cabe uma instituição hospitalar desta dimensão?  

Ana Carolina Seyboth (ACS): Essa ideia surge de uma cabeça extremamente visionária, que é a do doutor Luiz Donaduzzi e da doutora Carmen Donaduzzi (da Prati-Donaduzzi), que cria uma perspectiva de um empreendimento que pretende ser o maior parque tecnológico de biotecnologia e biociências do Brasil, sendo privado. Existem outros que não são privados, mas esse pretende ser um local de desenvolvimento de tudo que pode ter de mais moderno na área da saúde e de assistência à saúde das pessoas. E com essa visão que o doutor Luiz e doutora Carmen têm desse desenvolvimento do Biopark, surgem interações e oportunidades que passaram a ser vislumbradas. A convite deles, começamos a apresentar o que nós temos condições de fazer em termos de cuidado de saúde. Identificamos que as nossas missões convergem, são sonhos convergentes no sentido de tornar o mundo das pessoas mais saudável. E assim surgiu a oportunidade de apresentarmos, dentro do conhecimento e da expertise que temos, o projeto de construção desse hospital. Existiam outros convidados a desenvolver o projeto também, que deveriam, em um prazo determinado, apresentar os seus projetos para poder submeter à apreciação do doutor Luiz e, ao final dessa análise toda, saiu o eleito dessa situação.

 

OP: A pergunta que todos se fazem hoje é: a construção desse novo hospital implica em fechamento do Hospital Rondon?

ACS: Não, de forma nenhuma. É, inclusive, uma oportunidade de complementar serviços. Hoje a gente faz a baixa e média complexidade no Hospital Rondon e com encaminhamento para procedimentos de alta complexidade que são possíveis de serem realizados aqui (em Marechal Rondon). Ter esse hospital no Biopark complementa as nossas atividades no sentido de que faremos a cadeia assistencial para alta complexidade também. Então, nada muda aqui e teremos a oportunidade ainda de oferecer mais tecnologia, mais qualidade, mais atenção em saúde aos nossos clientes.

 

OP: Seria uma espécie de ter o controle da alta complexidade dentro do plano de saúde?

ACS: De ter a possibilidade de ofertar a alta complexidade e avanços tecnológicos aos nossos clientes. Observamos a medicina evoluindo de uma forma muito rápida e nessa evolução toda a perspectiva de atender com mais agilidade no aspecto de que a tecnologia deixa o nosso cliente menos tempo exposto ao ambiente hospitalar. Então, a oferta de toda essa tecnologia, dessa modernidade de saúde, é o que vislumbramos também. Dentro desse hospital vamos ainda fomentar com mais vigor a área de promoção de saúde e prevenção de risco de doença. Vamos ter uma área de praticamente 250 metros quadrados com consultórios de fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, salas de atividade física, academia, pilates, auditórios para palestras relacionadas à prevenção de doenças e promoção de qualidade de vida. Cuidaremos do nosso cliente e essa é uma oportunidade de ampliarmos essa base de cuidado, com muita tecnologia atrelada e bastante medicina de ponta para chegar antes da doença, que é o nosso objetivo.

 

OP: O projeto prevê quantos leitos, quantos médicos e quantos funcionários no empreendimento depois de sua conclusão?

ACS: Temos a perspectiva de 164 leitos até o prazo final de implantação do hospital. Dentre eles haverá 114 leitos de internação, trabalharemos com dez leitos de UTI geral, 15 leitos de neopediátrica, cinco leitos de cuidados paliativos, cinco leitos de cuidados intermediários, cinco leitos de cuidados de queimados e dez leitos de hospital dia. Vamos atuar nessa interação também do paciente que precisa daquela atenção quando o recurso terapêutico não funciona mais. Contamos com profissionais que já estão desenvolvendo o conhecimento na área do cuidado paliativo, para que possamos oferecer o conforto terminal aos pacientes que tivermos envolvidos com os tratamentos dentro da empresa.

 

OP: E serão quantos funcionários?

ACS: Serão 550 funcionários. Vamos fazer um cálculo a partir de todo o estudo do cenário e do mercado da região Oeste. Buscamos a nossa perspectiva de crescimento e as projeções que nós fizemos em número de beneficiários. A partir disso, chegamos ao número de leitos diante da taxa de ocupação que viabiliza o negócio, porque disso dependiam também as análises de viabilidade que precisamos fazer e estudar.

 

OP: Trata-se de um hospital particular?  

ACS: Isso.

 

OP: É totalmente particular? Vai atender conveniados do Sempre Vida e de outros convênios também?

ACS: Vai atender. É um hospital particular com recurso próprio do Sempre Vida e, portanto, nossos clientes serão preferenciais. O atendimento particular vai ser possível e de outras operadoras de autogestão ou operadoras de saúde. Teremos as portas abertas para as tratativas de credenciamento.

 

OP: De onde vêm os recursos para esse investimento?

ACS: Fizemos o estudo de viabilidade, pois precisávamos entender se o investimento era viável para ser colocado dentro da perspectiva do nosso grupo. A partir desta análise trabalhamos com algumas abordagens de investimentos. Contamos com uma empresa contratada para assessoria de busca de investidores financeiros. As etapas da obra serão financiadas com um envolvimento direto do Sicredi Aliança PR/SP. Como a perspectiva e projeção do hospital se mostrou possível de resultado operacional, buscamos financiamento junto ao Finep, ao BNDES e ao Sicredi. A primeira etapa será viabilizada com recursos do Sicredi e a segunda, que envolve a equipagem do hospital, montagem dos leitos, estruturação do mobiliário, contaremos com a interveniência do Sicredi junto ao BNDES.

 

OP: Qual é o volume previsto do empreendimento?

ACS: R$ 55 milhões.

 

OP: Na construção e na compra dos equipamentos?

ACS: Isso. Estimamos algo entre em torno de R$ 200 mil a R$ 300 mil por leito.

 

OP: A perspectiva de retorno é de quantos anos?

ACS: Fizemos a análise desse valor e dos recursos que os investidores vão colocar neste projeto e já no terceiro ano há uma linha de viés crescente para começar a retomar o investimento do recurso.

 

OP: Em termos de tecnologia, o hospital será um dos mais modernos do Estado quando entrar em funcionamento?

ACS: Teremos equipamentos modernos. Vamos trabalhar com a parte de robótica e muito com a parte de genética. Acredito que a genética tem sido uma das tendências fortes da medicina, pois permite mapear o paciente para cuidar dele muito antes da perspectiva da doença. Estamos estudando muito todas essas questões.

 

OP: Nessa linha de ação do grupo hospitalar Sempre Vida, é perceptível que a saúde está em um processo de privatização ao invés de se tornar saúde pública, como previam os governos passados?

ACS: A minha percepção da saúde suplementar é que ela não concorre diretamente com a saúde pública, porque teremos clientes que são elegíveis aos planos de saúde e aqueles clientes que dependem da saúde pública. Eu não acho que seja um processo de substituição, mas um processo de complementarização. É um movimento em que, à medida em que conseguimos solidificar as operadoras de planos de saúde, elas passam a ser mais acessíveis e criem uma interação com as empresas e esse benefício possa ser oferecido, e passamos a conseguir aumentar e ampliar a base de oferta de plano de saúde e liberar um pouco mais a saúde pública para aqueles que não têm essa condição de acessar a saúde suplementar. Então, elas são complementares e não acredito em uma substituição.

 

OP: Estamos vivendo um momento em que vários planos de saúde estão em crise financeira, inclusive na região. Qual o segredo do Grupo Sempre Vida para viver esse projeto de expansão neste momento?

ACS: A verticalização. Ter recursos próprios. No advento da regulamentação do mercado, foi preciso olhar para dentro da casa e decidir se tínhamos um hospital com plano de saúde ou se era essencialmente um plano de saúde verticalizado, com recursos próprios para oferecer saúde. Acho que ali foi a nossa maior percepção e que nos deu a possibilidade de entendermos que éramos um plano de saúde com recursos e serviços próprios.

 

Unidade hospitalar será construída no Biopark, em Toledo. Lançamento e apresentação do projeto aconteceu na sexta-feira (09) com a presença do governador Ratinho Junior (Foto: Reprodução/Grupo Sempre Vida)

 

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