Com a proximidade das festas de Natal e Ano Novo, o número de temperos vendidos aumenta. Além do sal, da cebola e do alho outras especiarias se destacam nas receitas dos paranaenses.
Na região metropolitana de Curitiba, agricultores mantém grandes hortas de temperos e a observam como uma alternativa para a agricultura familiar.
O produtor Vilmar Scremin é da quarta geração de agricultores, em Colombo, vizinha à capital. Depois de passar anos plantando hortaliças e legumes, ele passou a investir no cultivo de temperos. Hoje, vende de 10 a 15 mil bandejas de temperos por mês e está satisfeito com os resultados.
“Eu comecei a plantar temperos em meados de 2014 por ser uma atividade que iria reduzir a mão de obra e iria agregar valor à produção”, diz ele.
Na propriedade, são 4.500 metros quadrados de área coberta para a produção dos temperos. As estruturas da estufas, feitas com madeira, metal e plástico, são produzidas pelo próprio agricultor. De acordo com Vilmar, as estufas garantem a produção dos temperos durante todo o ano porque as plantas ficam protegidas do frio e da geada, no inverno, e das chuvas fortes, no verão.
Segundo o produtor, são nos meses finais do ano que as vendas aumentam. Perto do Natal, no caso do Vilmar, a venda chega a ser de duas a três vezes do que em outras épocas do ano.
Nesse período o agricultor produz hortelã, sálvia, tomilho, manjericão e manjericão roxo, que são vendidos para várias regiões.
Alternativa para agricultura familiar
Investir em plantas condimentares pode ser um ótimo negócio para os pequenos agricultores, como explica a coordenadora estadual de plantas medicinais, aromáticas e condimentares do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), Laís de Oliveira.
“As aromáticas são uma excelente alternativa para a agricultura familiar. Ela chega a dar trinta vezes mais de retorno econômico ao produtor do que os grãos. Ela é uma produção que dá uma alta rentabilidade por área. Então, você tem, para o agricultor, uma alternativa à mais de renda que demanda também uma mão de obra maior”, afirma Oliveira.
Distribuição
É na CEASA, em Curitiba, onde é vendida a maior parte dos temperos consumidos na capital e na região metropolitana.
A cebola usada para temperar todo tipo de prato é campeã de vendas. De janeiro a novembro desse ano, foram comercializadas mais de 34 mil toneladas. O Paraná ainda recebe cebolas do estado de Santa Catarina, da região nordeste do país e do exterior. No fim do ano, as vendas do ingrediente crescem cerca de 30%.
O alho é o segundo tempero mais vendido na CEASA de Curitiba, com cerca de 4.600 toneladas comercializadas em 2021. Em seguida está o alho poró, a salsinha e o alecrim.
O agricultor Valtenir Paulo Braine entrega os temperos que cultiva na CEASA. Ele diz que os que têm maior saída são o manjericão, a hortelã e o alecrim. Valtenir acredita que a busca por uma alimentação saudável também ajuda a aumentar as vendas.
“Eu acho que a tendência é aumentar ainda mais porque o povo vai aprendendo que faz bem para a saúde se alimentar melhor. Dependendo do tempero, você pode diminuir a quantidade de sal”, justifica.
Se antes a maior parte do que era vendido na CEASA vinha de outros estados, hoje em dia a produção de temperos no Paraná cresceu para abastecer o mercado, como conta o técnico em comercialização Evandro Pilati.
“Até uns cinco anos atrás, a gente percebia que a maioria, praticamente 80% do consumo, da praça de Curitiba, vinha de SP. A gente percebe que ainda vem, mas tem diminuído bastante. Hoje, mais de 80% do que é vendido de temperos e condimentos já são produzidos na nossa região”.
Com a produção tão perto dos clientes, em poucas horas, o que é cultivado no campo chega até a mesa do consumidor.
“Se for analisar, o fim da colheita termina por volta das 20 horas. Às cinco da manhã do dia seguinte, já está vendendo para o cliente e, na hora do almoço, está na mesa do consumidor. Mais fresquinho, só se vir tirar do pé”, brinca o agricultor Vilmar Scremin.
Com G1