Poder Legislativo Cenário político

“O que está acontecendo é uma busca obcecada pelo poder”, avalia Portinho

Vereador Valdir Port (Portinho) (PTB) em visita ao Jornal O Presente: “Tive a oportunidade de estar na Câmara em outras duas ocasiões, além desta legislatura, e nunca nos deparamos com tamanha dificuldade até de relacionamento interno” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

 

Considerado um dos mais experientes vereadores da atual legislatura, sendo inclusive por dois mandatos vice-prefeito de Marechal Cândido Rondon, Valdir Port (Portinho) (PTB) visitou o Jornal O Presente, nesta semana, ocasião em que concedeu entrevista para falar sobre o atual momento político do município.

O cenário é um dos mais turbulentos da história local, com dois vereadores – Adelar Neumann (DEM) e Nilson Hachmann (PSC) – tendo sido presos em 2019, sendo que ambos já foram soltos e agora respondem a processos no Legislativo que podem culminar com a cassação de seus mandatos. Além disso, o vereador Dorivaldo Kist (Neco) (MDB) também pode perder o mandato por igualmente responder a um processo na Casa de Leis.

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Não bastasse essa situação, ainda foram abertas duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que, a depender do resultado, podem levar à cassação do mandato do prefeito Marcio Rauber (DEM).

Como um dos principais defensores do governo municipal, Portinho analisa toda essa polêmica e afirma que, na sua avaliação, está havendo uma busca obcecada pelo poder em Marechal Rondon. Confira.

 

 

O Presente (OP): Como o senhor tem avaliado o cenário político do município neste ano, com dois vereadores já tendo sido presos e duas CPIs em tramitação na Câmara?

Valdir Port (VP): É lastimável. Quando poderíamos estar canalizando todos os esforços em favor dos bons e grandes projetos do nosso município, estamos nos deparando com essa infeliz realidade. Agora penso também que se tem irregularidades elas precisam ser apuradas e, se confirmadas, precisa haver punições. Cada um precisa responder por seus atos. Vejo que hoje a Câmara de Vereadores passa por um momento ímpar. Tive a oportunidade de estar na Câmara em outras duas ocasiões, além desta legislatura, e nunca nos deparamos com tamanha dificuldade até de relacionamento interno. Por vez escutamos que fica na esfera interna durante a sessão, mas observamos, o que é triste, as coisas transbordarem nos limites da Câmara Municipal. Está indo muito para o lado pessoal. Escutamos desabafos e posicionamentos que estão indo para o lado pessoal, o que é muito ruim. Não deveria ser assim, pois as pessoas depois de eleitas deveriam se unir em favor do município.

 

 

OP: Por que o senhor acha que os debates estão indo para o lado pessoal?

VP: Às vezes vejo falta de visão ampla do que é ser vereador. Acho que se confunde atribuições dentro do Legislativo e o Executivo. Penso que cada um precisa fazer sua parte. Está havendo muito envolvimento de lá para cá e de cá para lá. Se deixássemos o Executivo fazer o seu papel de realizar e atender as necessidades da população, obviamente que fiscalizando e incentivando, faríamos um bom trabalho. Agora quando em toda sessão as críticas vão para o lado pessoal em alguns posicionamentos, na minha leitura, aí transborda aquilo que é proposto e aquilo que a população espera do vereador.

 

 

OP: O senhor acredita que a eleição da mesa diretiva em dezembro foi um marco para essa divisão na Câmara?

VP: Já vi o posicionamento de alguns vereadores de insatisfação ampla. Não é de hoje isso. A eleição da mesa pode ter em algum momento dado poder extremo a quem não tinha. E acho que esse poder extremo a quem não tinha acabou levando essa realidade que temos hoje com uma disputa obcecada pelo poder. Vejo que tudo o que está acontecendo, com exceção daquilo que já foi denunciado e está no Ministério Público, que foi averiguado pelo Gaeco e as demais ações, é busca obcecada pelo poder. Seria um desejo de fragilizar o governo do Marcio. O governo dele tem uma ótima aceitação perante as obras que vem fazendo. Existem algumas questões internas que precisam urgentemente ser adequadas? Sim, agora o trabalho que o governo vem fazendo perante o interior e os bairros é muito bom. Penso que há uma busca antecipada da próxima eleição para agora, o que deveria ser deixado para frente.

 

 

OP: Em relação a essa busca obcecada pelo poder, como o senhor diz, de que forma isso pode refletir na eleição do ano que vem?

VP: Tudo é possível. Posicionamentos criam, de certa forma, opiniões, sejam elas acertadas ou não dentro da opinião pública. A população está muito ligada ao que é fato e o que não é fato. As fake news estão aí para mostrar que muita coisa que aparece não procede. Eu gostaria de fazer um pedido à população: que ela realmente busque, seja a opinião de A ou B, confirmar essa opinião para verificar se é verdadeira ou não. Acho que isso sim é o melhor andamento e o crescimento cultural até da nossa população. Isso pode antecipar grandes debates da eleição futura? Pode, mas quando a população é bem informada, e quero crer que a comunidade rondonense busca essas informações, acho que a eleição vai ficar para outubro do ano que vem mesmo.

 

 

OP: O prefeito foi eleito com uma votação expressiva e tinha ampla maioria na Câmara de Vereadores. Em dois anos ele viu a base no Legislativo diminuir consideravelmente. Na sua opinião, é possível reverter esse quadro? Como o senhor avalia daqui para frente essa situação?

VP: Aí é uma coisa mais pessoal. Cada vereador tem o seu posicionamento e sua prerrogativa. Para falar de reversão dos vereadores que estiveram na base e hoje estão na oposição é muito difícil por ser algo pessoal deles. O que precisa acontecer é um bom trabalho. Se o bom trabalho que o governo Marcio e Ila vier a fazer e mostrar a todos, sem exceção, de que está se fazendo o correto, talvez a consciência deles faça repensarem e posicionarem-se em favor do município, que é o que desejo.

 

 

OP: Com duas CPIs em andamento na Câmara e com a atual composição que existe hoje entre situação e oposição, o senhor acredita que o prefeito consegue escapar de uma possível cassação de mandato?

VP: Acredito que sim, pois em todas as CPIs estou vendo irregularidades. Mas ela é administrada por três pessoas, e todas as CPIs que têm na Câmara são administradas por duas pessoas do grupo de oposição e uma pessoa do grupo de situação. Em todo momento estamos vendo que a busca é por uma possível cassação do Marcio, e não por vezes a verdade dos fatos.

 

 

OP: O senhor acredita que desta forma os trabalhos ocorrem de maneira tendenciosa?

VP: Do jeito que está acontecendo, sim. Começa pela decisão dos integrantes da mesa. Por que todas as comissões têm dois vereadores da oposição? Fica a pergunta.

 

 

OP: Essa escolha não acontece de forma proporcional?

VP: Não, não aconteceu. Infelizmente não aconteceu.

 

 

OP: Como o senhor enxerga a situação dos três vereadores que respondem a processos e podem ter o mandato cassado – Adelar Neumann, Dorivaldo Kist (Neco) e Nilson Hachmann?

VP: Tudo está em fase de defesa. Precisamos ponderar que há três processos em tramitação, mas outros dois foram arquivados pela oposição, sendo um contra o vereador Claudinho (Claudio Köhler, PP) e contra o Josoé Pedralli (MDB).

 

 

OP: Em especial no caso do Neco, que é alinhado hoje com o grupo de situação, se houver a cassação quem assume o mandato é a primeira suplente Maria Amália Haab (MDB), que é da oposição. Isso pode deixar o governo do prefeito ainda mais fragilizado?

VP: Certamente, pois o Neco é da base do governo. Isso é possível acontecer. O que não estamos entendendo é que, cronologicamente, o primeiro processo a entrar foi contra o Adelar, o segundo contra o Nilson e o terceiro contra o Neco. O do Neco tramita a 100 km/h, enquanto os demais estão sendo aparentemente travados. Essa é uma incógnita e uma triste realidade.

 

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