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Ação de policiais e delegado investigados por falsificação de documentos gerou prejuízo de R$ 2 milhões, estima Gaeco

calendar_month 1 de junho de 2022
3 min de leitura

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) estima que o prejuízo causado por organização criminosa que falsificava documentos para a retirada ilegal de veículos retidos pela Polícia Civil em cidades do Paraná seja de mais de R$ 2 milhões. (Veja detalhes do esquema criminoso mais abaixo).

Na manhã desta terça-feira (1º) foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão. Destes, 11 foram na casa de policiais civis, sete em delegacias da Polícia Civil em diversas cidades do estado.

Um dos mandados foi contra um advogado que é investigado por ligação ao chefe da organização criminosa, que foi identificado pelo Gaeco apenas como Miguel. Na casa dele, em Curitiba, também foi cumprido um mandado, além de buscas na casa de pessoas ligadas a ele, como a mulher e um comparsa.

Quatro policiais civis, incluindo o delegado de Polícia Civil, de Altônia, foram afastados das atividades operacionais, limitando-os às funções administrativas, conforme o Gaeco.

Como atuava o grupo?

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (1º), o promotor de Justiça e coordenador do núcleo regional do Gaeco em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, Tiago Lisboa Mendonça, deu detalhes de como atuava o grupo.

Conforme o promotor, o chefe Miguel recebia informações vindas do delegado e de policiais sobre veículos retidos nas delegacias no estado. Ele então procurava as vítimas para obter uma procuração e poder retirar o carro. Após esse contato, o homem desaparecia.

“O chefe recebia a informação da polícia de que a vítima tinha seu veículo apreendido e para ele procurar a vítima. Ele procurava a vítima e usava de argumentos falaciosos para obter uma procuração da vítima, e com base nesse documento, ele restituía, obtia o veículo para si, e entregava para outro comparsa, que revendia esse veículo por valor bem abaixo do mercado,” informou o promotor.

Mendonça afirmou que os policiais envolvidos no esquema recebiam propina pelas informações que eram repassadas ao chefe da organização. Alguns recebiam carros como pagamento.

Mas de acordo com o promotor, a investigação aponta que a maioria dos veículos eram revendidos para a utilização em outros crimes.

Entre 2018 e 2020, cerca de 60 veículos foram retirados de forma ilegal das delegacias, conforme a investigação apurou até o momento, com prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões.

Nesta terça-feira (1º) dois veículos e cerca de R$ 44 mil foram apreendidos, além de celulares, HDs e documentos ligando os policiais ao chefe da organização, conforme o promotor.

A Justiça determinou o bloqueio de bens de todos investigados.

“Várias restituições de veículos que eram feitas nessas delegacias com a conivência destes servidores, policiais civis, em muitos casos, as pessoas que tiveram veículo restituído, estavam falecidas. Eles falsificavam documentos de pessoas falecidas. Então pode ser que eles matavam pessoas também,” afirma Mendonça.

Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade de documentos públicos e particular, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva, fraude na restituição de veículos automotores e organização criminosa, além de prevaricação.

 

Com G1

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