Agentes de segurança concluíram, em Marechal Cândido Rondon, o curso de Unidades Especializadas de Fronteira – Nível Operador, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), através do Programa Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (Enafron), com apoio do Departamento de Pesquisa, Análise de Informação e Desenvolvimento de Pessoal em Segurança Pública. Ao todo, 36 policiais e um militar da Marinha participaram do curso.
Os alunos foram capacitados como operadores para fortalecerem a prevenção, o controle e a repressão dos delitos transfronteiriços e os crimes praticados na faixa de fronteira brasileira, proporcionando segurança pública aos cidadãos.
A solenidade de encerramento do curso ocorreu nesta quarta-feira (29), na sede da 1ª Companhia do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), em Marechal Rondon, e foi prestigiada por autoridades civis e militares da região. Na ocasião, também foi homenageado o policial militar destaque do mês, sendo escolhido pelo seu desempenho e serviços prestados à corporação no mês de outubro, o policial Wagner Luiz Prestes, da 3ª Companhia do BPFron, sediada em Santo Antônio do Sudoeste.
Qualificação
Foram dez dias de aulas constantes, inclusive nos finais de semana, e em período integral. No conteúdo, treinamento nas áreas de identificação e busca veicular, atendimento pré-hospitalar tático, princípios de sobrevivência, investigação criminal, tiro policial e táticas de confrontos armados, natação utilitária, policiamento embarcado, identificação de artefatos explosivos, direção policial, técnicas de imobilização e condução, dentre outras disciplinas específicas aplicadas ao trabalho desenvolvido nas áreas de fronteira e no combate aos crimes de tráfico de drogas, armas, produtos de contrabando e descaminho, tráfico de pessoas, entre outros.
Conforme o comandante do BPFron, major André Cristiano Dorecki, desde o início do curso foram empregados instrutores qualificados dentro das suas áreas de atuação, seja nas polícias militar, civil, rodoviária federal, corpo de bombeiros e demais órgãos de segurança. “A ideia é que agora esses profissionais estejam especializados para o atendimento das demandas de segurança pública na região de fronteira”, diz o comandante.
Dorecki reforça que a partir de agora, os policiais, mesmo como operadores, possuem condições de repassar o conhecimento que obtiveram durante o curso para suas respectivas unidades. “Criando, assim, uma padronização de procedimentos a serem adotados nas ocorrências típicas de regiões fronteiriças”, destaca.
Ainda de acordo com o comandante, foi possível verificar, através dos instrutores e da coordenação, que o curso alcançou seus objetivos de uma forma muito elevada. “Estamos satisfeitos e esperamos que esse resultado seja refletido no atendimento à população”, frisa Dorecki, afirmando que agora uma nova edição do curso será preparada. “É um grupo pequeno, mas sabemos que através de novas edições desse curso vamos atingir o nosso objetivo, que é especializar todos os policiais que trabalham na área de fronteira”, completa.
Integração
Entre conteúdos teóricos e práticos, a integração entre as forças de segurança se sobressaiu. Isso, na visão de Dorecki, foi visível até o momento final do curso. “Mostrou-se que até mesmo as diferenças de missões de cada instituição acabaram ficando de lado. Sabemos que em determinados momentos esses policiais vão atuar juntos e esse espírito construído ao longo do curso será levado para suas unidades, fazendo com que em ocasiões futuras, quando houver operações conjuntas, essa integração esteja aperfeiçoada”, ressalta.
Evolução profissional
Para o coordenador do curso, capitão Eldison Martins do Prado, esse tipo de trabalho gera uma evolução profissional, também no tocante à integração entre as instituições, além da troca de conhecimentos, que será refletida numa melhor prestação de serviço pelos agentes de segurança. “A qualidade do serviço evolui e com isso não somente a comunidade é beneficiada, como também os policiais, que melhoram sua segurança, eficiência e produtividade no trabalho”, enaltece.
A partir de agora, os policiais, conforme Prado, se constituem como um reforço maior para a fronteira, vindo a somar aos demais recursos já existentes. “O policial tendo conhecimento e fazendo uso adequado desses recursos gera um efeito muito mais positivo no que se refere à minimização da violência. Temos na fronteira peculiaridades que chamam a atenção dos órgãos de segurança. Por conta disso, esse tipo de preparação do agente, para lidar com diferentes situações, só tende a melhorar a qualidade e o nível de atuação profissional”, exemplifica.
Avaliação positiva
Policial Lucas Souza – 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Cascavel (Rocam):
“Faço uma avaliação muito positiva do curso, haja vista que não havia tido contato com muitas destas equipes, como o pelotão Cobra, do BPFron, que está sempre nos auxiliando na área de embarcações. Creio que voltando para a minha unidade vou estar repassando o conhecimento e novas técnicas que obtive ao longo do curso aos meus companheiros da unidade”.
Agente Vinicius Rodrigues – Polícia Rodoviária Federal (PRF):
“Foram dez dias muito produtivos, com excelentes instrutores e que irão agregar muitos conhecimentos aos efetivos. Volto renovado para a minha unidade.
Algumas coisas das técnicas ensinadas eu já conhecia, porém outras tive o meu primeiro contato. São muitas técnicas boas e que com certeza estarei repassando aos meus colegas, com o intuito de fazer a diferença na fronteira e buscar a integração entre todos os órgãos de segurança”.
Policial Edelvane Dias – 21º BPM de Francisco Beltrão (Rotam):
“O curso superou todas as expectativas. A interação e o conhecimento que levamos depois desses dez dias é muito vasto. Tive contato, por exemplo, com a parte de embarcações que são atividades atípicas do meu dia a dia.
Além disso, seja durante as instruções ou até mesmo no alojamento, trocamos muitas ideias sobre a ação em cada unidade e dessa forma angariando mais conhecimentos. Com certeza saio do curso com um conhecimento que replicarei para os meus colegas de trabalho”.
Policial Marilene Lima – Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) de Curitiba:
“Foi uma experiência muito bacana. Em nenhum momento houve distinção entre homens e mulheres, todos éramos alunos. Como sou de Curitiba, ainda não havia tido esse contato com o trabalho na fronteira, então nas aulas, principalmente na questão de policiamento em portos clandestinos, achei extremamente difícil, cauteloso e muito técnico.
O principal do curso foi a interação, pois foi possível conhecer um pouco de como funciona o trabalho diário de cada órgão de segurança, e conversando com todos eles vemos que o nosso objetivo é o mesmo”.
Policial Josimar Balbino – 25º BPM de Umuarama (Rotam):
“Foram apenas dez dias, mas o suficiente para vivenciar inúmeras situações atípicas. O curso dispôs de uma carga horária teórica suficiente no que tange ao embasamento em leis e atuação dos policiais na região de fronteira. Paralelo a isso, também tivemos a atuação na prática. Sendo assim, tudo o que foi aprendido na teoria, aplicamos na prática, de forma a capacitar o policial para realizar seu serviço da melhor forma na área de fronteira, tendo em vista que sabemos que grande parte dos ilícitos que abastecem as cidades do Brasil provém da nossa região.”
Policial Marcos Schimanko – BPFron:
“O curso foi de grande importância para o nosso trabalho diário. Conseguimos ao longo deste conhecer o trabalho das outras instituições de segurança e compartilhar ideias. Mesmo integrando o Batalhão de Fronteira, muitas coisas foram novidades, como a sobrevivência na mata e até mesmo o próprio policiamento embarcado, que acabo não vivenciando no meu dia a dia”.
Policial Ricardo Marchesi – Comandos e Operações Especiais (COE):
“Durante estes dez dias nós vimos e revimos diversas técnicas usadas por todas as forças de segurança, onde foi possível ver o que cada uma realiza e tirar o melhor disso, de forma que possamos incrementar à nossa atividade. Além disso, a interação também foi de suma importância, visto que a segurança pública é feita com todos os órgãos e precisamos somar esforços visando o mesmo foco de combate”.
Christiano Garofolo – Polícia Federal (PF):
“O curso foi muito completo, abarcando diversos assuntos e disciplinas que utilizamos no trabalho na fronteira, além da aplicação de diferentes técnicas em variadas situações que nos deparamos no nosso trabalho diário. Agora sei que poderei chegar à minha lotação e adaptar algumas técnicas baseadas nos ensinamentos do curso”.