Policial Criminalidade

Crime do “cavalo louco” volta a fazer vítimas

Apenas neste mês, no período de 13 dias, quatro situações da mesma natureza foram registradas no município. PM afirma ter suspeitos e pede ajuda da comunidade para identificar e prender os responsáveis

Comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar, capitão Valmir de Souza: “Ainda não podemos afirmar que seja a mesma pessoa, mas a possibilidade é muito grande. Trabalhamos com muitas ideias e não descartamos outras hipóteses”

Um crime conhecido como “cavalo louco” voltou a preocupar os rondonenses. Apenas neste mês, no período de 13 dias, quatro situações da mesma natureza foram registradas no município. Algumas, inclusive, com o mesmo modo de atuação, detalhe que vem chamando a atenção das autoridades policiais.

A ação delituosa geralmente acontece quando a vítima está distraída ou andando em ruas pouco movimentadas. Ela recebe esse nome porque o bandido toma o bem da pessoa – geralmente bolsa – e sai em disparada.

Quando o crime é cometido em grupo, normalmente um dos criminosos se aproxima e esbarra ou empurra a vítima e, nisso, alguns furtam objetos pessoais, enquanto outros tentam atrapalhar a pessoa, fingindo ajudá-la.

O primeiro caso de “cavalo louco” registrado neste mês no município aconteceu no dia 05. A vítima foi uma professora que transitava de bicicleta até o colégio onde trabalha. Durante o trajeto, uma motoneta se aproximou, reduziu a velocidade e o condutor subtraiu a mochila, que estava na cesta da bicicleta. Na bolsa estavam documentos pessoais e materiais de trabalho.

Já na sexta-feira (15), mais uma ciclista foi alvo da ação. A vítima seguia pela Rua Porto Alegre, no Bairro Frankfurt, quando foi “fechada” por uma motoneta Crypton, de cor branca, conduzida por um indivíduo moreno e que trajava casaco branco.

A ciclista caiu e teve pequenos ferimentos nas mãos. Enquanto ainda estava no chão, o indivíduo parou e arrancou a bolsa das mãos da vítima e na sequência fugiu do local. Na bolsa estavam a carteira, documentos pessoais, dinheiro, carregador de celular e um par de tênis.

Em aparente ascensão, o crime fez mais duas vítimas. Desta vez, no último domingo (18). Na primeira ocorrência o meliante não teve muito sucesso na sua empreitada criminosa. Segundo a vítima, ela se deslocava pela Avenida Írio Jacob Welp, no Bairro Líder, e próximo ao Estádio Municipal Valdir Schneider um indivíduo que estava em uma motoneta de cor prata, com estatura mediana, usando casaco e calças claras, tentou roubar sua bolsa com documentos, mas não conseguiu e apenas danificou a alça da mesma.

Na segunda situação, duas pessoas estavam andando de motoneta pela Rua Florianópolis, no Bairro Alvorada, quando uma outra moto, de modelo Crypton, emparelhou ao lado e o condutor puxou a bolsa da vítima. Após arrancar o objeto da mão da vítima, o indivíduo fugiu em alta velocidade.

As vítimas ainda tentaram acompanhar o ladrão, porém não conseguiram alcançá-lo. Na bolsa levada estava o aparelho celular da vítima.

 

Investigações

“Um ponto fora da curva”. É assim que define o comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar de Marechal Cândido Rondon, capitão Valmir de Souza, quando o assunto são os frequentes registros desse tipo de delito. De acordo com ele, a polícia está trabalhando para tentar identificar o responsável pelos crimes. “Desde que primeiro fato foi registrado estamos buscando identificar esse criminoso e assim cessar as ações que vêm se perpetrando em Marechal Rondon”, salienta.

Em dois dos quatro casos, o indivíduo utilizou uma motocicleta do mesmo modelo e cor para praticar as ações, o que reforça a hipótese de ser o mesmo criminoso o responsável pelos delitos. “Ainda não podemos afirmar que seja a mesma pessoa, mas a possibilidade é muito grande. Trabalhamos com muitas ideias e não descartamos outras hipóteses”, afirma o comandante.

Souza pede que a comunidade subsidie a PM com informações relacionadas a esses e até mesmo outros casos, através dos telefones 190, 181 ou (45) 3284-8600. “Por menor que for a informação ela pode nos ser útil para fechar o quebra cabeça. Por isso é tão importante que as pessoas nos auxiliem”, destaca.

 

Furto ou roubo?

A natureza do crime “cavalo louco” é relativa. “Num primeiro momento, tudo leva a crer que o “cavalo louco” é um crime de furto, mas a jurisprudência busca o caso completo.

“Se na ação não houve violência contra a pessoa, o ato delituoso se caracteriza como furto. Havendo a violência contra a pessoa será considerado como roubo. Ou seja, depende de como se desenrolou os fatos no momento da ação”, explica Souza.

Celulares, bolsas e outros objetos que sejam de fácil visualização e que estejam à mostra junto às pessoas na rua são os alvos desse tipo de ação criminosa. “A facilidade do crime, a rapidez e a desatenção das pessoas são fatores que podem contribuir para a ação do criminoso”, lembra o comandante.

Em casos de “cavalo louco”, o criminoso costuma ser de ocasião, mas os últimos acontecimentos no município mostram que o meliante é reiterado. “Talvez a pessoas até tenha feito a primeira vez por ocasião, mas então começou a ver chances para fazer as demais”, comenta Souza.

Embora não exista um padrão definido, pessoas distraídas parecem chamar mais a atenção desse tipo de criminoso. Dessa forma, o modus operandis é sempre o mesmo ou muito parecido. “É importante que a comunidade esteja a tenta a esse tipo de delito, prestando atenção nos motociclistas em geral. E quando tiverem informações, que repassem imediatamente à polícia para que possamos chegar o mais rápido possível até esse criminoso e tirá-lo de circulação. A criminalidade só diminui quando a comunidade auxilia a própria polícia”, conclui o comandante.

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