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Enviou nudes e foi ameaçado? Conheça o golpe do sextorsão

Falso médico em missão de paz da OTAN seduzia vítimas antes de iniciar ameaças e pedidos de dinheiro


calendar_month 23 de maio de 2026
3 min de leitura

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, na manhã de quinta-feira (21), uma operação de alcance nacional contra uma organização criminosa transnacional investigada por aplicar golpes de sextorsão — prática de extorsão baseada em manipulação emocional e ameaças de divulgação de conteúdo íntimo.

A ação ocorre simultaneamente em cinco estados brasileiros e resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão e cinco de busca e apreensão. As ordens judiciais foram executadas nos municípios de Santa Maria de Jetibá (ES), Jandaia (GO), São Luís (MA), Ielmo Marinho (RN) e João Pessoa (PB). Cinco mulheres foram presas.

As investigações tiveram início após uma moradora de Palmas, no Sudoeste do Paraná, procurar a polícia relatando ter sido vítima do esquema criminoso.

Conforme a PCPR, os suspeitos utilizavam um perfil falso nas redes sociais com o nome “David Green”. O personagem se apresentava como médico oncologista em missão de paz da OTAN na Síria e utilizava imagens de terceiros já identificadas em fraudes semelhantes aplicadas em outros países.

Segundo o delegado Kelvin Bressan, do Núcleo de Investigações Qualificadas, o criminoso estabeleceu um relacionamento virtual com a vítima, conquistando sua confiança por meio de promessas de casamento e intensa manipulação emocional.

Após obter fotos e vídeos íntimos, os investigados passaram a solicitar transferências financeiras sob diferentes justificativas, como supostos problemas alfandegários, compra de passagens aéreas, multas e até detenções relacionadas ao transporte de ouro na Europa.

Quando a vítima passou a desconfiar da situação e relatou dificuldades financeiras, começaram as ameaças de divulgação do material íntimo. Os criminosos exigiram R$ 20 mil para não publicar o conteúdo nas redes sociais.

De acordo com a polícia, o prejuízo da vítima ultrapassou R$ 60 mil.

As apurações apontam que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre integrantes no exterior e no Brasil. O núcleo internacional utilizava números telefônicos com código da Nigéria (+234) e seria responsável pela abordagem, sedução e extorsão das vítimas.

Já a célula brasileira atuava na movimentação e ocultação dos valores obtidos com os golpes. Segundo a PCPR, os investigados utilizavam contas bancárias de terceiros para receber os recursos e posteriormente convertiam o dinheiro em criptoativos, dificultando o rastreamento.

A polícia identificou movimentação financeira próxima de R$ 4 milhões em apenas dois meses. As contas bancárias investigadas também aparecem vinculadas a diversos boletins de ocorrência registrados em diferentes estados do país.

A estimativa da PCPR é de que pelo menos 20 pessoas tenham sido vítimas do esquema criminoso.

A operação conta com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça (CIBERLAB) e das polícias civis do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Os suspeitos poderão responder por extorsão qualificada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão.

Com Catve

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