Fetos e órgãos humanos, seringas e medicamentos foram encontrados nos escombros de um antigo hospital, em Foz do Iguaçu, na quinta-feira (05), segundo a Polícia Civil. A unidade hospitalar foi desativada após falência em 2006.
Conforme a polícia, os materiais biológicos foram recolhidos e encaminhados para a perícia e o lixo hospitalar, como medicamentos e seringas, foram destinados ao setor responsável para o correto descarte.
A delegada do caso, Sandra Maria Vasconcelos, informou que apenas depois do laudo pericial e depoimento da testemunha será possível definir a tipificação criminal do caso.
Conforme a Polícia Civil, talvez o hospital tivesse autorização para a manipulação dos fetos, nesse caso, a situação poderá ser tratada como crime ambiental, pelo descarte irregular dos materiais. Entretanto, essa classificação será feita após o resultado da perícia.
Os materiais foram encontrados por causa de uma demolição no local, que começou há cerca de um mês, pois a área foi comprada recentemente por um grupo e será revitalizada.
Segundo a assessoria do município, a área do antigo hospital não é de responsabilidade da prefeitura. Além disso, a vigilância em saúde não foi comunicada sobre a ação de quinta-feira no local.
A prefeitura disse ainda que o local recebia vistoria frequente das equipes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) por causa de possíveis focos de Aedes Aegypti.
Entretanto, os servidores municipais nunca viram materiais biológicos descartados, como o que foram encontrados, durante essas vistorias, conforme o município.
Um inquérito foi aberto para investigar e esclarecer o caso.
A Polícia Civil informou que, até a publicação desta reportagem, não sabe quem será responsabilizado pelo material encontrado, que não foi descartado corretamente, pois o antigo hospital era mantido por uma instituição filantrópica que foi desfeita.
Material biológico
De acordo com o Instituto Médico-Legal (IML), foram recolhidos sete fetos, um coração e fragmentos de órgãos humanos que estavam em recipientes com formol. Todos passarão por análise para a verificação se há relação com algum crime.
O IML informou ainda que os fetos encontrados estavam em recipientes com etiquetas dos anos de 2002 e 2003. Não é possível saber quais eram os protocolos da época para esse tipo de manipulação e descarte.
Atualmente, conforme o instituto, em situações de abordo espontâneo ou em que o aborto é necessário para preservar a vida da mãe, os fetos com poucos dias ou semanas são retirados.
Nesses casos, a equipe do hospital identifica o material biológico com o nome da mãe. Eles são identificados em recipientes específicos para serem, posteriormente, incinerados como material hospitalar.
Segundo o IML, apenas o bebê natimorto é sepultado, pois morreu dentro do útero da mãe ou durante o parto, após a 23º semana de gestação.
A equipe do instituto informou ainda que os protocolos para a manipulação de fetos podem variar conforme o hospital e município.
Com G1