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Policial

Herdeira de família que traficava com o PCC e CV tem saída do país vetada pela Justiça

Ela já esteve na lista da Interpol, seus pais já foram condenados por tráfico e o marido está preso


calendar_month 22 de janeiro de 2026
4 min de leitura

A Justiça Federal em Cascavel (PR) indeferiu, na última semana, o pedido de uma investigada para retirar sua tornozeleira eletrônica e viajar à Itália. A decisão, proferida pelo juízo da 4ª Vara Federal, considerou que a viagem é “totalmente incompatível” com o regime de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico ao qual ela está submetida e representa um risco concreto à aplicação da lei penal.

A investigada, K.C.A.P., é apontada pelo Ministério Público Federal (MPF) como integrante do núcleo financeiro de uma organização criminosa transnacional investigada na Operação Antigua, deflagrada pela Polícia Federal em nove de abril de 2025. A operação cumpriu 54 medidas cautelares nos estados do Paraná e Pará, incluindo 12 mandados de prisão preventiva e uma medida cautelar de monitoração eletrônica. Foram apreendidos carros de luxo com compartimentos ocultos, 500 gramas de cocaína, uma espingarda, 37 munições e documentos . No total, 10 pessoas foram presas na operação e dois integrantes do grupo encontram-se foragidos na Europa, com inclusão decretada na lista de difusão vermelha da Interpol.

Investigação e Operação Atual

As investigações, que tiveram início em julho de 2023, revelaram que a organização é suspeita de trazer cocaína do Paraguai e da Bolívia, utilizando rotas estratégicas e esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro. A droga era transportada em fundos falsos de carros de luxo, e ao chegar ao Brasil, era fracionada em Cascavel (PR) e distribuída para São Paulo e Rio de Janeiro . Uma segunda rota usada pela organização era o rio Amazonas, onde a cocaína, após sair da Bolívia, era fracionada em fazendas de Monte Alegre (PA).

As investigações da Operação Antígua detalham que K.C.A.P e seu companheiro, M. J. S., atuavam como “laranjas” e gestores do patrimônio da organização. O casal, que residia no Pará, era responsável pela lavagem do dinheiro obtido com o tráfico. As provas incluem:

Aquisição e venda relâmpago de imóvel rural: em 28 de junho de 2022, M. J. S comprou um imóvel rural por R$ 1,011 milhão. Menos de dez dias depois, vendeu-o por R$ 2,2 milhões. Em março de 2023, uma procuração outorgou a K.C.A.P poderes totais sobre o mesmo bem.

Movimentações financeiras suspeitas: M. J. S, que declarou renda mensal de R$ 1.600, movimentou valores vultosos sem lastro. Recebeu, por exemplo, R$ 66,5 mil de um investigado da Operação Vera Cruz (2012) e transferiu R$ 20,8 mil para K.C.A.P e R$ 10 mil para sua sogra.

Rede de propriedades: o casal possui sete imóveis rurais registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Pará, utilizados para lavagem e possível logística do tráfico.

Função hierárquica: diálogos interceptados mostram que motoristas da organização cobravam valores diretamente de K.C.A.P e M. J. S, evidenciando seu papel de comando. Durante o monitoramento, identificou-se que os investigados adquiriram ao menos oito fazendas no estado do Pará, usadas para lavagem de dinheiro e, possivelmente, para movimentação de entorpecentes . Duas dessas propriedades foram batizadas como “Fazenda Vera Cruz” e “Fazenda Vera Cruz III”, uma clara referência à operação policial que atingiu o grupo em 2012, demonstrando, nas palavras do delegado responsável, “tamanha audácia”.

O Histórico da Organização e a Distinção de Gerações

É fundamental separar as ações da geração anterior, na qual a investigada não é apontada, dos fatos atuais que a envolvem. A linha do tempo abaixo ilustra essa distinção:

Como demonstrado, a Operação Vera Cruz, em 30 de novembro de 2012, prendeu o casal A.J.P. e M.S.A., apontados como chefes da organização familiar. A PF informou, à época, que o grupo era fornecedor das facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) e tinha um patrimônio estimado em R$ 20 milhões . Após deixarem a prisão, os líderes retomaram e ampliaram as atividades ilícitas, dando origem à investigação que culminou na Operação Antigua em 2025 .

Situação Processual Atual e Decisão Judicial

Com a negativa judicial, K.C.A.P. permanece em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. A ação penal segue em andamento na Justiça Federal, com a acusada respondendo por promoção de organização criminosa de caráter transnacional, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

O pedido da defesa alegava que a investigada necessitava viajar para finalizar um processo de reconhecimento de cidadania italiana. No entanto, o juiz acolheu os argumentos do MPF, destacando que “a eventual concessão de cidadania italiana à acusada poderá facilitar sua permanência definitiva em solo europeu” e que não houve qualquer alteração fática ou jurídica que justificasse a flexibilização da medida cautelar. O magistrado reforçou que a decisão funciona como uma “âncora jurídica” que não pode ser desfeita sem mudança significativa no cenário processual. A defesa ainda pode recorrer da decisão.

Com Catve

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