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“Marechal Cândido Rondon pede socorro”, diz juíza

Giuliano de Luca/OP
?Prédio da delegacia rondonense não tem condições de abrigar presos e menores apreendidos com dignidade

A situação de menores de idade apreendidos e encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon é dramática. O caos e o desrespeito às leis que protegem crianças e adolescentes fez com que a juíza de Direito da Comarca de Marechal Cândido Rondon, Berenice Ferreira Silveira Nassar, enviasse ofício a diferentes órgãos públicos dos municípios da região e do Estado do Paraná solicitando mudanças imediatas.

No corpo do texto, a juíza cita que Marechal Cândido Rondon pede socorro. Ela ainda destaca que a cobrança passará a ser mensal enquanto providências não forem tomadas. No documento, a juíza cita que as condições que os menores permanecem quando são apreendidos são desumanas.

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“O local destinado a eles chama-se ‘Gaiola’ e consiste em espaço de quatro metros quadrados, a céu aberto, cercado por grades, que antecede o ‘Gaiolão’ – que é o solário dos detentos, ao qual estes têm livre acesso, pois como há 28 vagas e cerca de 180 pessoas custodiadas, as celas ficam abertas”.

“Desse modo, estando separados dos detentos apenas por grades, e com a absoluta carência de servidores para assegurar o isolamento, se torna inevitável o contato dos adolescentes com os detentos, muitos deles já condenados por crimes gravíssimos, mas ainda não inseridos no sistema penitenciário”, diz a carta enviada a várias lideranças polícias.

E o texto segue: “Na gaiola, os adolescentes permanecem durante o dia, expostos, além do contato pessoal com criminosos de alta periculosidade, às intempéries climáticas, à noite são recolhidos a um corredor de dois metros quadrados, onde dormem em redes e em colchões no chão”.

Berenice clama por providências das autoridades para assegurar um local apropriado para os adolescentes apreendidos nos municípios de Marechal Rondon, Entre Rios do Oeste, Mercedes, Nova Santa Rosa, Pato Bragado e Quatro Pontes, que são encaminhados à delegacia rondonense.

“Expediente neste teor está sendo encaminhado ao governador do Estado do Paraná, à secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, à secretária estadual da Família e Desenvolvimento Social, ao secretário de Segurança Pública, aos deputados estaduais, aos prefeitos, às Câmaras de Vereadores e ao Ministério Público da Comarca de Marechal Cândido Rondon, e será reiterado mensalmente até que a situação calamitosa aqui narrada seja solucionada”, finaliza.

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