O ministro do Secretariado Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), Jalil Rachid, afirmou na manhã desta quinta-feira (15) que a embarcação interceptada no Oceano Atlântico com quase 10 toneladas de cocaína partiu do Brasil e não teve qualquer envolvimento com o Paraguai.
Segundo o ministro, o endurecimento dos controles nos portos paraguaios obrigou organizações criminosas a transferirem sua logística para outros países, principalmente o Brasil. Ele explicou que os grupos têm grande capacidade de adaptação e mudam rapidamente as rotas quando enfrentam maior fiscalização.
“Antes, esse tipo de remessa saía do Paraguai, mas com o reforço dos controles nos portos, ficou mais fácil para eles utilizarem o Brasil como ponto de saída”, afirmou Rachid em entrevista à rádio ABC Cardinal.
A declaração ocorre após a apreensão de 9,9 toneladas de cocaína nas Ilhas Canárias, considerada a maior já registrada em alto-mar na Europa. O navio cargueiro foi interceptado a cerca de 535 quilômetros do arquipélago, em uma operação conjunta da Polícia e da Marinha da Espanha, com apoio da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA).
De acordo com as autoridades espanholas, o navio United S, que navegava sob bandeira camaronesa, transportava oficialmente sal do Brasil com destino à Turquia. Ao todo, 13 tripulantes foram presos. Parte da droga estava pronta para ser descarregada no mar, enquanto o restante estava escondido em meio à carga.
Rachid reforçou que, conforme informações preliminares, a droga foi carregada em portos brasileiros ou durante o trajeto, e confirmou que o Paraguai não recebeu nenhum pedido oficial de cooperação na investigação. Ele também alertou que organizações criminosas utilizam embarcações desativadas, adquiridas especificamente para o tráfico internacional de drogas.
A operação internacional, batizada de “Maré Branca”, contou ainda com a colaboração da Polícia Federal brasileira, além de agências antidrogas do Reino Unido, França e Portugal.
Com Catve
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