Mais de três meses após a morte do adolescente Luís Fernando Chiarentin, de 14 anos, três seguranças, dos quatro seguranças suspeitos pelo crime, permanecem foragidos, informou a Polícia Civil do Paraná na sexta-feira (4).
O crime que vitimou o adolescente ocorreu em 27 de dezembro de 2024, em Medianeira, no oeste do Paraná. Parte da ação dos suspeitos foi filmada por câmeras de segurança.
O adolescente e dois amigos colhiam mangas em um pé quando foram surpreendidos pelos seguranças, um deles armado, que os impediu de sair do local. Um dos amigos foge, Luís e o outro amigo são brutamente agredidos. A polícia descartou que crime tenha sido motivado por eles estarem tirando frutas em terreno particular.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou os quatro seguranças envolvidos na morte do adolescente em 27 de fevereiro deste ano. A denúncia foi aceita pela Justiça os tornando réus por homicídio qualificado, pela morte de Luís, e tentativa de homicídio pelas agressões contra o amigo dele.
O quarto segurança também réu pelo crim foi preso em Santa Catarina em 14 de fevereiro deste ano. Segundo a defesa, o suspeito passava pelo estado catarinense e se dirigia ao Paraná para se apresentar à polícia de Medianeira, porém o carro dele foi parado e por estar foragido, acabou preso.
A Polícia Civil informou que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197 da PCPR, 181 do Disque-Denúncia ou (45) 3264-2324 (WhatsApp), diretamente à equipe de investigação.
Os seguranças trabalhavam para uma empresa terceirizada “que presta serviço para a prefeitura municipal e usaram das câmeras de monitoramento para localizar o adolescente”, segundo a Polícia Civil.
Motivação e planejamento do crime, segundo a Polícia Civil
De acordo com a Polícia Civil, os quatro seguranças planejaram o crime motivados por “supostos atos de vandalismo atribuídos às vítimas em ocasiões anteriores na prefeitura de Medianeira”.
A polícia não detalhou quais teriam sido as ações dos adolescentes e descartou que o crime tenha ligação com fato do adolescente e os dois amigos estarem tirando frutas em terreno particular.
Segundo o inquérito, os suspeitos iniciaram conversas em um grupo de WhatsApp, onde o suspeito preso sugeriu “dar um susto” nas vítimas.
Em depoimento, antes de serem expedidos os mandados de prisão contra os seguranças, o outro suspeito revelou à polícia que “intenção era apenas intimidar e coagir os adolescentes, conduzindo-os a um local isolado para ameaças verbais, sem qualquer objetivo de causar morte”, diz trecho do inquérito.
Para a polícia, no entanto, o entendimento é que o local do crime foi escolhido estrategicamente, por ser pouco iluminado, apontando que os quatro suspeitos agiram de forma “coordenada e premeditada”, cercando os adolescentes e impedindo que eles fugissem.
O exame de necrópsia constatou que Luís morreu decorrência de trauma de tórax e traumatismo cranioencefálico grave, causados pelas múltiplas agressões sofridas.
Segundo a investigação, após o crime, os quatro suspeitos, agora indiciados, “adotaram medidas para ocultar suas ações”, como a destruição de evidências e o apagamento de mensagens no grupo de WhatsApp utilizado no planejamento.
Por quais crimes eles vão responder?
A conclusão do inquérito indiciou os quatro seguranças por homicídio qualificado – emboscada, motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima – e também por tentativa de homicídio contra o outro adolescente.
Um deles também foi indiciado por ameaça ao impedir que os menores fugissem, apontando arma de fogo contra eles.
Com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) aceita pela Justiça, os quatro seguranças passaram a responder criminalmente pelos crimes pelos quais foram indiciados pela Polícia Civil.
Com G1
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