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Morte de mãe e filha: testemunha relatou que mulher sofria violência psicológica e que “não aguentava mais o casamento”, diz delegada

Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska morreram afogadas em Porto Rico


calendar_month 16 de maio de 2026
5 min de leitura

Uma amiga de Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, disse em depoimento que ela sofria violência psicológica e havia relatado que “não aguentava mais o casamento”. A testemunha foi ouvida pela delegada Iasmin Gregório durante a investigação do acidente que matou Iria e a filha Maria Laura Roman Talaska, de três anos.

As duas estavam em um carro que caiu no Rio Paraná, em Porto Rico, no noroeste do estado.

O marido de Iria, Márcio Talaska, de 38 anos, foi indiciado por feminicídio, pela morte da esposa, e por vicaricídio, pela morte de Maria Laura. A Polícia Civil concluiu que ele jogou o carro da família no rio de propósito. Ele está preso preventivamente desde o dia 8 de maio.

Ao g1, a defesa de Márcio disse que irá se manifestar somente após analisar o processo.

🔎Vicaricídio é o crime cometido contra uma pessoa que está sob a guarda de uma mulher para causar sofrimento a ela. A delegada explicou que a tipificação se encaixa no caso porque houve possibilidade de dolo: Iria poderia não ter morrido e Maria Laura, sim.

“Ela [amiga] relata que, apesar de não ter nada formalizado, como um boletim de ocorrência ou medida protetiva, o relato dela é que a Iria já estava em uma situação de violência psicológica e que já não estava aguentando mais o casamento. Inclusive na quinta-feira, três dias antes do fato, ela [Iria] manda mensagens pra essa amiga chorando e dizendo que não aguenta mais”, contou a delegada.

A testemunha também relatou que houve episódios em que Iria chegou triste ao trabalho e com hematomas pelo corpo.

Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska — Foto: Redes sociais

Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska — Foto: Redes sociais

No total, 11 pessoas foram ouvidas ao longo da investigação, como familiares e amigos que estavam com o casal. O inquérito, agora, é encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que pode, ou não, denunciar Márcio.

Antes de carro cair em rio, música causou “clima de tensão” entre o casal

No dia em que o carro com a família caiu no rio, o casal estava em uma confraternização em Porto Rico.

Duas pessoas ouvidas durante a investigação informaram que um “clima de tensão” se formou entre o casal, depois que Iria escolheu uma música sobre traição para cantar. Isso fez Marcio deixar o local sem se despedir. Em seguida, a família foi embora.

“Essa música possui trechos que relatam um homem narcisista, egoísta, que manipula as emoções, de traição, de várias personalidades. Ela canta a musica integralmente, conforme o relato das testemunhas, e partir disso o clima pesa. Aí que ele sai da casa, vai pro carro, faz um volta na frente da casa, dirigindo o veículo, e espera Iria sair com a criança. Ai eles [testemunhas] relatam que a Iria sai chorando e entra no banco do carona, e a criança no banco de trás”, explica a delegada.

O carro com a família caiu no rio depois que eles deixaram a festa. Márcio foi o único que conseguiu se salvar.

A delegada afirma que considera o fato como uma linha de investigação da motivação do crime.

Laudos apontam que carro não estava com problemas e vítimas morreram afogadas

A delegada explicou que os laudos não identificaram problemas no carro que pudessem ter impossibilitado a frenagem antes de o veículo cair na água. Também não há indícios de que Márcio estava perdido durante o trajeto, com base na análise das câmeras de segurança.

“Não havia um motorista desorientado, [Márcio] não perguntou qualquer tipo de orientação para sair da cidade. Então, a Polícia Civil constata que não foi um acidente, foi proposital, e ele que estaria dirigindo o veículo”, Iasmin relatou.

A delegada ressaltou ainda que foi possível perceber que Márcio demorou para pedir ajuda, depois que o carro estava submerso.

O depoimento de um pescador que estava no local e as imagens gravadas pelo sistema de segurança confirmaram que o homem saiu nadando “com uma certa habilidade”, segundo Iasmin. Depois, ao ver que havia uma pessoa no flutuante, gritou: “Morreu minha mulher e minha filha”.

“E eu acho que, na condição humana, um pai, uma mãe, tentariam salvar o filho primeiro antes de sair do veículo”, a delegada considerou.

Iasmin também informou que laudos necroscópicos indicaram que Iria e Maria Laura morreram afogadas e não tinham lesões anteriores.

Como foram as mortes

Marido que estava com esposa e filha em carro que caiu em rio do Paraná é preso

Marido que estava com esposa e filha em carro que caiu em rio do Paraná é preso

Iria e Maria Laura foram encontradas mortas em um carro submerso que caiu no Rio Paraná, em Porto Rico, na noite do dia 2 de maio. A queda foi filmada. 

A princípio, Márcio mentiu no depoimento ao dizer que era Iria quem dirigia o carro e que ela se perdeu no caminho para casa. Porém, as câmeras de segurança da região confirmaram que o marido era o motorista. Veja abaixo:

Imagem que comprova que Márcio estava dirigindo o carro, com Iria e Maria Laura como passageiras. — Foto: Polícia Civil

Imagem que comprova que Márcio estava dirigindo o carro, com Iria e Maria Laura como passageiras. — Foto: Polícia Civil

As apurações seguintes mostraram o trajeto realizado pelo carro, comprovando que o condutor seguiu em linha reta e acessou as ruas próximas ao rio sem desviar. No total, ele dirigiu por oito minutos antes de o automóvel chegar à rampa e entrar na água. Confira:

Imagem divulgada pela Polícia Civil que mostra o trajeto feito pelo carro que caiu no Rio Paraná. — Foto: Reprodução/Google Maps

Imagem divulgada pela Polícia Civil que mostra o trajeto feito pelo carro que caiu no Rio Paraná. — Foto: Reprodução/Google Maps

Infográfico - Local onde carro com mãe e filha mortas foi encontrado submerso no Rio Paraná, em Porto Rico. — Foto: Arte/g1

Infográfico – Local onde carro com mãe e filha mortas foi encontrado submerso no Rio Paraná, em Porto Rico. — Foto: Arte/g1

Com G1

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