Após um vídeo que mostra um policial militar de Matelândia agredindo um jovem repercutir na internet, o Ministério Público (MP-PR) se manifestou e afirmou que “os fatos não haviam chegado ao conhecimento” do órgão antes.
Nas imagens, quatro rapazes estão encostados na parede com as mãos para trás. Junto com eles está um policial, com uma espécie de bastão na mão. Ele bate com o objeto nas pernas e na sola do pé de um dos jovens. O menino tenta se desvencilhar, mas o soldado o manda não tirar o pé do lugar.
Em seguida, outro policial aparece na imagem, dá uma risada para a câmera e segura o pé do rapaz para cima. Com isso, o primeiro PM continua a bater com o bastão no menino, que chora.
Conforme o MP, as imagens são de 2017. No domingo (21), a PM informou que afastou o policial, que não teve o nome revelado.
O outro policial que aparece nas imagens, de acordo com a PM, foi condenado por tortura registrada em vídeo no mesmo local, em 2019, e não faz mais parte da corporação. Leia mais abaixo.
O órgão informou que “serão adotadas medidas apuratórias para esclarecimento e eventual responsabilização”.
O g1 tenta identificar a defesa dos envolvidos.
O que diz a PM
Em entrevista nesta segunda-feira (22), Edvaldo de Paula Cunha Júnior, tenente-coronel da PM subcorregedor da Polícia Militar do Paraná, informou que afastou o policial que agrediu o jovem assim que teve conhecimento das imagens.
Ainda segundo o tenente, o policial deverá responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e a um Inquérito Policial Militar (IPM).
O coronel afirmou ainda que a PM repudia qualquer comportamento contrário aos princípios dos direitos humanos, da lei, da ordem e da ética.
“A Polícia Militar repudia esses atos de violência, repudia qualquer ilegalidade cometida pelos nossos policiais e a gente apura com muito rigor e responsabiliza com rigor também esses policiais.”
Ainda segundo a PM, o policial pode responder criminalmente.
“Na esfera criminal, vai depender de todo processo criminal realmente do crime de tortura, que tem a previsão de até oito anos de reclusão, mas tem os agravantes, de ser agente público, mas ainda tem muitos fatos a serem apurados”, destacou o tenente.
Outro caso de tortura no mesmo local
O ex-policial que foi condenado pelo caso de 2019, mencionado pela PM, é o mesmo que aparece batendo nos pés do rapaz no vídeo de 2017, que repercutiu há pouco tempo.
Nas imagens de 2019, é possível observar dois jovens, algemados com as mãos para trás, encostados na mesma parede. Um deles está com uma luva cirúrgica na cabeça.
Enquanto isso, o policial segura a cabeça dele erguida e o observa. Em seguida, ele dá um tapa no menino e tira a luva. A pessoa que está gravando questiona ao jovem se ele “gostou do saco”.
Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que, no caso de 2019, foram instaurados processos administrativo e criminal à época, que resultaram na exclusão de militares da corporação e na condenação dos envolvidos.
Conforme o órgão, o homem filmado pediu baixa da corporação em 2019, respondeu a um inquérito e foi condenado a três anos e oito meses de cadeia por tortura.
O outro policial, que filmou as agressões, foi expulso e condenado a um ano e seis meses pelo mesmo crime.
Com g1