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PF identifica organização criminosa que intimida indígenas no Oeste do Paraná, diz delegado

Polícia Federal cumpriu 11 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de ataque que feriu crianças, adultos e deixou indígena paraplégico


calendar_month 30 de março de 2025
3 min de leitura

A Polícia Federal (PF) cumpriu 11 mandados de busca e apreensão na quinta-feira (27) em Guaíra, contra suspeitos de integrar organização criminosa responsável pelo ataque a aldeia Yvy Okaju, que deixou um indígena tetraplégico. 

“A investigação foi capaz de demonstrar que existe uma organização criminosa que age aviada no sentimento de intimidação dos indígenas por meio de ameaças e violências”, afirmou o delegado da PF de Guaíra, Lawrence Guimarães Cunha e Silva.

O ataque à comunidade, que resultou na operação de quinta (27), ocorreu em 3 de janeiro deste ano. Homens encapuzados entraram na aldeia Yvy Okaju e dispararam contra os indígenas. A vítima que ficou tetraplégica, é o jovem indígena Doroteu Martines Jara, de 25 anos.

Além dele, outras três pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança de 7 anos e um adolescente de 14 anos. A região sem demarcação que tem sido palco de diversos conflitos fundiários entre indígenas e fazendeiros há décadas. 

PF cumpre mandados contra suspeitos de efetuar disparos contra indígenas em área de conflito no PR — Foto: PF Paraná/Guaíra

PF cumpre mandados contra suspeitos de efetuar disparos contra indígenas em área de conflito no PR — Foto: PF Paraná/Guaíra

Os mandados da Operação “Mbarete” foram cumpridos em residências situadas nas proximidades da Vila Eletrosul, bairro próximo de onde vivem atualmente os indígenas. Os nomes dos suspeitos investigados não foram divulgados pela PF.

A operação contou com a participação da Polícia Civil e da Força Nacional. A PF informou que diversos celulares foram apreendidos e que passam por extração para a coleta de informações que devem ajudar no prosseguimento da apuração.

“A PF está agindo com rapidez a qualquer violência praticada contra indigenas, população constitucionalmente protegida, e em atual estado de vulnerabilidade”, destacou Silva.

Conflitos em Guaíra

O início do conflito remete à construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, entre os anos de 1973 e 1982.

Na escolha do local para a construção da usina, houve a retirada de indígenas dos locais de interesse e a hidrelétrica inundou milhares de hectares de terras cultivadas e terras originariamente ocupadas por indígenas, segundo o relatório final da Comissão Estadual da Verdade do Paraná.

Além de serem retirados dos locais onde viviam, espaços sagrados, como cemitérios, as casas de reza e o maior conjunto de cachoeiras do mundo em volume de água, o Salto de Sete Quedas, foram submergidos por conta da construção.

Muitos dos indígenas que viviam no local inundado foram reassentados Guaíra. Tanto indígenas quanto fazendeiros reivindicam as áreas.

Na última segunda-feira (24), o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um acordo emergencial para a compra de 3 mil hectares de terra para os indígenas Avá-Guarani. A compra, no valor de R$ 240 milhões, será feita com recursos da Itaipu Binacional como forma de reparação pela formação do reservatório da usina, na década de 1980.

Segundo Itaipu, as novas áreas serão destinadas a 31 comunidades situadas nas terras indígenas Tekoha Guasu Guavirá e Tekoha Guasu Okoy Jakutinga, distribuídas em São Miguel do Iguaçu, Itaipulândia, Santa Helena, Terra Roxa e Guaíra onde vivem aproximadamente 5,8 mil pessoas.

O acordo prevê, entre seus principais pontos, que Itaipu, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e União publiquem pedido público de desculpas ao Avá-Guarani, “pelos danos causados na construção da usina, reconhecendo as responsabilidades da empresa.

Com G1

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