Foi aberto na terça-feira (03) o período de inscrições ao concurso público de ingresso ao Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Polícia Militar (PM) do Paraná, turma 2021, com prazo final até as 12 horas do dia 18 de dezembro. São 60 vagas para cadete policial militar (seis para candidatos afrodescendentes) e dez vagas para cadete bombeiro militar (uma para candidato afrodescendente). O edital poder ser acessado no endereço http://portal.nc.ufpr.br/PortalNC/PublicacaoDocumento?pub=2508.
Para participar do concurso, os candidatos devem ler atentamente o edital e verificar os pré-requisitos básicos. As inscrições devem ser feitas pela internet, no site do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mediante o preenchimento do formulário de inscrição, e serão consolidadas com o pagamento da taxa, ou após a homologação da isenção da taxa. Tanto para policial militar quanto para bombeiro, o CFO será desenvolvido na Academia de Polícia Militar do Guatupê, em São José dos Pinhais.
Sinônimo de estabilidade profissional, a carreira militar é um sonho alimentado por muitos jovens brasileiros, que veem a possibilidade de crescimento, proporcionado pelo CFO, uma vez que o policial assume posições de gerência. Todavia, entre os principais fatores que têm estimulado os jovens a seguir a carreira militar estão a realização pessoal e a vocação.
ASCENSÃO
Natural de Itaipulândia, a 2º tenente Karina Kraulich, subcomandante da 1ª Companhia do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) com sede em Marechal Cândido Rondon, é exemplo de que os objetivos podem ser atingidos. Ela foi aprovada em dois concursos da PM: o primeiro deles para soldado e pouco tempo depois no concurso do CFO.
“Prestei concurso para soldado no início de 2013. Em novembro daquele ano participei do curso de formação no BPFron, em meados de setembro de 2014 terminei o curso de soldado e já estudei para passar no Curso de Formação de Oficiais. Fui aprovada no final de 2015, ingressei em agosto de 2016, passei os três anos lá (na Academia de Polícia Militar do Guatupê), me formei aspirante e hoje sou 2º tenente da PM”, expõe.
Karina diz que o CFO possui grade separada para cadete no 1º, 2º e no 3º ano. Funciona assim: quando termina o curso de três anos o cadete sai aspirante à oficial, em seguida cumpre o estágio médio de 11 meses e após ocorre a promoção a 2º tenente. Nos três anos, os cadetes aprendem as mais variadas disciplinas e Karina, que jogou em uma equipe rondonense de vôlei antes disso, também foi esportista na Academia do Guatupê.
Segundo ela, os três anos do CFO tiveram grade de cerca de 1,5 mil horas por ano, tudo em regime de internato. “Para mim o CFO é uma oportunidade muito boa, por ter sido soldado antes. Meus amigos falam que teriam feito o curso se soubessem como funcionava. No Paraná cobra-se Ensino Médio e não Superior”, frisa, enaltecendo que a oportunidade está aberta a todos os interessados. “Entrei como soldado, gostei da profissão e da Polícia Militar de modo geral, mas aí pensei: se é para continuar vou tentar seguir a carreira de oficial para assumir a parte de comando, que me interessa mais. Estudei, fui aprovada e voltei em julho do ano passado”, ressalta.
Subcomandante da 1ª Cia do BPFron, Karina trabalha com o comandante da 1ª Cia, tenente Luis Beiger. “Ele coordena a parte operacional dos policiais de Marechal Rondon. Temos parte da Companhia que fica em Foz do Iguaçu e por vezes contribuo nesse trabalho. Também sou chefe da tesouraria, então a parte orçamentária do Batalhão fica comigo”, comenta.
Ao falar sobre o fator que a levou a escolher a carreira de policial militar, a oficial afirma que foi a oportunidade de crescer. “O salário é atrativo, mas pela função e atividade não se deve entrar pensando nisso. Temos muito trabalho, então é preciso se identificar. Quem não se identifica é melhor nem fazer. O concurso da PM é excelente, em especial o concurso de ingresso ao CFO, pelas oportunidades. Na parte administrativa você precisa entender o que os policiais que estão na rua passam, ou seja, é necessário ter este sentimento”, pontua.

Capitão Nairo Cardoso e 2º tenente Karina Kraulich: “O concurso da PM é excelente, em especial o concurso de ingresso ao CFO, pelas oportunidades. Na parte administrativa você precisa entender o que os policiais que estão na rua passam, ou seja, é necessário ter este sentimento” (Foto: Joni Lang/OP)
PERFIL
O responsável pela Comunicação Social e Planejamento de Operações do BPFron, capitão Nairo Cardoso, menciona que o cidadão que optar ingressar na PM como soldado faz um curso com duração de aproximadamente dez meses. “No passado fazia um concurso interno para se tornar cabo, o que podia levar muitos anos. No caso da Karina, ela começou como soldado, mas resolveu fazer outro concurso, foi aspirante e hoje é 2º tenente. Esta já é uma função gerencial, enquanto o soldado vai ser praça, ou seja, executar a atividade-fim. Isso não significa que o oficial não vai para a rua, até vai, porém, como acumula mais funções, possui atribuição administrativa”, explica.
Conforme Cardoso, três perfis de pessoas prestam concurso da PM. “Por tradição familiar, vocação e quem ingressa por mero concurso. Talvez quem entra na PM devido ao concurso não vai ser feliz aqui, daí quem sabe outros concursos tragam mais felicidade”, avalia. “Agora, se a pessoa quer ter sacerdócio e um ideal de vida, aí a PM é o lugar certo, por ser sinônimo de sacerdócio. O jovem gosta de um dia diferente do outro. Enquanto oficiais, temos função administrativa, contudo vamos para a rua. O BPFron proporciona operações com barco, aeronave, viatura, uso de arma diferenciada e prender criminosos, contribuindo para a segurança e para fazer um país melhor”, enfatiza, acrescentando: “Se o jovem se sente vocacionado e busca isso, aí ele vai ter felicidade nas fileiras da instituição. A felicidade deve ser plena no sentido de trabalhar com aquilo que gosta”.
Nos últimos anos, o BPFron tem recebido aspirantes a oficiais da PM para prepará-los ao trabalho na instituição. No período de estágio probatório o aspirante serve um ano no BPFron e concluído este prazo pode escolher outra unidade para trabalhar, assim como ao se identificar pede para permanecer no BPFron.
SELEÇÃO
O processo seletivo do CFO será regulado pela UFPR. A primeira etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste no processo seletivo, o qual será dividido em duas fases, que avaliarão o domínio dos conteúdos das disciplinas do Ensino Médio, as capacidades de articular ideias com clareza, de relacionar e interpretar fatos e dados e de raciocinar de maneira lógica. (Ver www.nc.ufpr.br).
Depois, os candidatos serão submetidos às Provas de Habilidades Específicas (PHE) no âmbito da PM-PR e reguladas por edital. As PHE, de caráter eliminatório, serão compostas pelas seguintes fases: Investigação Social (IS), Avaliação Psicológica (AP), Exame da Capacidade Física (ECAFI) e Exame de Sanidade Física (ESAFI).
CFO
O CFO, oferecido pela Escola de Formação de Oficiais (EsFO), é disponibilizado todos os anos pela UFPR. As disciplinas fundamentais estão ligadas diretamente à vida militar, buscando adaptar os cadetes para o melhor cumprimento da sua atividade como policial militar e bombeiro militar. São diversos segmentos do direito, uso correto de armas de fogo, psicologia, estatística, educação física, direitos humanos e policiamento comunitário, além de técnicas de salvamento e prevenção de incêndios, entre outras.
O curso tem duração de três anos e no 1º ano o cadete recebe um subsídio de R$ 3.277,88, no 2º ano o valor é de R$ 3.671,24 e no 3º ano é de R$ 4.221,93. Ao concluir o 3º ano o cadete é declarado aspirante a oficial com subsídio no valor de R$ 7.211,35. Após o período de estágio probatório, o militar estadual estará apto a ser promovido ao posto de 2º tenente, com subsídio de R$ 9.735,33.
O Presente