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Polícia usa tecnologia para combater o crime na fronteira

Imageador aéreo do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas está sendo usado na Operação Esforço Integrado, deflagrada em toda faixa de fronteira. Acoplado ao helicóptero, dispositivo grava e transmite imagens em alta resolução e em tempo real para uma central de operações instalada em Foz do Iguaçu, fornecendo informações estratégicas às forças de segurança


calendar_month 26 de junho de 2018
7 min de leitura

Dois veículos suspeitos são avistados em uma estrada rural do distrito de Doutor Oliveira Castro, em Guaíra. Um deles se dirige em alta velocidade à área urbana onde está sendo montado um bloqueio policial, enquanto o outro empreende fuga, mas quilômetros à frente o motorista abandona o carro e se infiltra na mata.

Do ar, o helicóptero aciona as equipes policiais. Por meio do imageador, o tripulante monitora as ações dos suspeitos e repassa as coordenadas às viaturas terrestres. Imediatamente começa uma intensa perseguição pelas estradas rurais. A todo momento novas informações são disparadas entre as equipes. O local está próximo.

Cortando por estradas estreitas, íngremes e rodeadas de mato, as equipes chegam ao local indicado. O carro abandonado está preparado para o transporte de mercadorias contrabandeadas, tendo em seu interior apenas o banco do motorista e um rádio comunicador, usado para monitorar qualquer movimentação policial.

Os policiais entram na mata à procura do suspeito, mas não o localizam. No ar o helicóptero ainda sobrevoa oferecendo suporte e tentando encontrar o indivíduo.

Suspeito não localizado, é hora de apreender o veículo econtinuar as buscas na região.

Pelo rádio uma nova informação. Outra equipe haviaapreendido um veículo com eletrônicos. A operação continua.

De forma sucinta, esse é o resumo de uma das açõesrealizadas no último sábado (23) pelas forças policiais durantea Operação Esforço Integrado.

Com auxílio do Batalhão de Polícia Militar de OperaçõesAéreas (BPMOA), equipes do Batalhão de Polícia de Fronteira(BPFron) desenvolveram ações em um dos locais mais visadospor contrabandistas e traficantes na região de fronteira e queserve como porta de entrada para grande parte dos ilícitos apreendidos em território brasileiro. É também em Oliveira Castro que fica o Porto do Tigre, local onde a distância entre as margens brasileira e paraguaia é a mais curta, medindo em torno de 500 metros.

O 1º tenente Luis Beiger, que comandou a operação em Oliveira Castro, disse que a região já estava sendo monitorada há algum tempo. “Já tínhamos realizado alguns voos com a aeronave na região visando plotar esses pontos e, através dessa inteligência, foi escolhido esse local para realizar as ações”, explica.

Segundo ele, o próprio Porto do Tigre é um local que já foi fechado pela Marinha do Brasil e outros órgãos para tentar evitar a prática de contrabando, mas os contrabandistas buscam ferramentas para reativar o porto clandestino e continuar com as atividades delituosas.

A estrada íngreme e estreita trouxe dificuldades para a viatura chegar até o porto. Grandes buracos no chão também dificultaram a passagem das equipes. “São empecilhos colocados para evitar a chegada da polícia e dificultar as abordagens que foram realizadas”, comenta o tenente.

No local, muitas eram as marcas de pneus, significando que o local está sendo amplamente usado.

Cigarros, mercadorias e entorpecentes. São diversos os produtos que entram pelo porto clandestino. O distrito é pequeno e o crime coage a população. De dentro ou de fora das casas, pessoas observavam a movimentação da polícia e se comunicavam por gestos indicando onde estavam as viaturas.

“Tivemos o cuidado de utilizar um grande número de equipes para se caso ocorresse algum tipo de confronto ou enfrentamento da criminalidade nós tivéssemos um apoio rápido, tendo em vista que também é uma região bem complicada para comunicação via celular”, salienta Beiger.

Tecnologia a favor da segurança

A Operação Esforço Integrado tem à disposição um dos equipamentos mais modernos da Polícia Militar: o imageador aéreo do BPMOA. O dispositivo, acoplado ao helicóptero, grava e transmite imagens em alta resolução e em tempo real para uma central de operações instalada em Foz do Iguaçu, fornecendo informações estratégicas às forças de segurança envolvidas na operação.

Entre muitas funções, o helicóptero do BPMOA tem como objetivo principalapoiar as ações policiais terrestres, atuando como plataforma de observação, identificando possíveis atos ilícitos e repassando às equipes que atuam por terra ou para as embarcações do Corpo de Operações de Busca e Repressão Aquática (C.O.B.R.A), do BPFron, para que sejam feitas as devidas abordagens. “Realizamos também o patrulhamento aéreo em toda a região de fronteira, entre Foz do Iguaçu e Guaíra, com o objetivo de coibir os crimes relacionados a contrabando e descaminho, principalmente na região do Lago de Itaipu”, destaca o comandante da aeronave, capitão Wiliam Favero.

O imageador possibilita também a comunicação com bases fixas em terra ou com viaturas policiais, auxiliando as forças de segurança em diversas situações, desde ações contra o crime organizado na fronteira a operações de busca e resgate em locais de mata e de difícil acesso. “O sistema tem diversas utilidades. A principal é que podemos identificar carros, embarcações em atitudes suspeitas em distâncias superiores a dez quilômetros. Caso necessite de uma averiguação mais minuciosa, acionamos uma viatura para fazer a investigação”, explica Favero.

O dispositivo está no BPMOA há mais de dois anos e foi utilizado na segurança dos jogos da Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. O equipamento revolucionou o serviço aeropolicial do Paraná e permitiu à Polícia Militar uma visão mais ampla e segura das ações policiais em terra. “Trouxe muito mais segurança para as equipes que atuam por terra, já que podemos antecipar as ações policiais, trazendo maior segurança para os policiais, principalmente quando se está em busca de meliantes escondidos em terrenos de matas”, salienta o capitão.

O equipamento também possibilita o monitoramento noturno durante o patrulhamento aéreo, busca de fugitivos, além de contribuir com o serviço de inteligência. “Assim se otimiza o emprego das equipes por terra. Isso tanto de dia como à noite, pois o imageador também possui uma câmerainfravermelhoque nos possibilita a visualização noturna”, comenta Favero.

Todo o material coletado é gravado e poderá ser usado em investigações. “O equipamento é capaz de captar até o rosto de pessoas, mesmo que estejam a quilômetros de distância do helicóptero”, frisa.

Equipamento revolucionou o serviço aeropolicial do Paraná e permitiu à Polícia Militar uma visão mais ampla e segura das ações policiais em terra

Ocorrências

No geral, a tripulação da aeronave é composta por um comandante, um segundo piloto em comando e um tripulante multimissão, que é o operador do imageador.

O equipamento é determinante para a resolução de ocorrências policiais, sendo utilizado em levantamentos de locais com possíveis atos ilícitos, para serem repassados às equipes de terra, apoio em operações policiais programadas, ocorrências onde há a necessidade de localizar veículos em fuga, assaltantes homiziados em áreas de mata ou ainda a pessoas perdidas em locais de difícil acesso. “O imageador, com sua tecnologia, é um dos principais equipamentos para o combate da criminalidade na região de fronteira”, afirma Favero, que acrescenta: “Em conjunto com o helicóptero, o emprego do sistema é potencializado pela agilidade e pela grande área de cobertura que a aeronave proporciona, em um curto tempo de utilização”.

Tripulação do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA)

Resultados parciais

Além do Paraná, a Operação Fronteira Integrada, iniciada na última terça-feira (19), acontece em outros dez Estados brasileiros. Só nos municípios paranaenses, que somam 208 quilômetros de fronteira com os países vizinhos, abarcando uma população de 5,5 milhões de habitantes, há 200 pontos de atuação das forças policiais, com cerca de dois mil servidores.

Ao longo de toda a extensão fronteiriça do Estado, que engloba 139 municípios, atuam forças do Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira, a Marinha, Polícia Federal, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar do Paraná, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil do Paraná, Departamento de Inteligência do Paraná, Guardas Municipais, Agência Brasileira de Inteligência e Receita Federal.

Resultados parciais da operação indicam que até o momento foram apreendidos 834 volumes de mercadorias, 530 caixas de cigarros, 1.450 quilos de maconha, 128 veículos, oito embarcações, seis armas e 69 munições. Além disso, 62 pessoas foram presas em flagrante e outros 15 mandados de prisão cumpridos pelas equipes policiais.

Com o auxílio do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas, equipes do BPFron desenvolveram ações no distrito de Doutor Oliveira Castro, em Guaíra. Local é visado por contrabandistas e traficantes
 
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