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Policiais de Icaraíma são investigados por possível apoio a suspeitos da chacina que deixou quatro mortos

Corregedoria apura se dupla repassou dados que poderiam dificultar captura de envolvidos na execução em área rural de Icaraíma


calendar_month 12 de dezembro de 2025
3 min de leitura

Dois policiais civis lotados em Icaraíma, no noroeste do Paraná, tornaram-se alvo de investigação interna após indícios de que teriam repassado informações aos suspeitos pela morte de quatro homens em cinco de agosto de 2025. A apuração foi confirmada na quarta-feira (11) pelo delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial, Gabriel Menezes.

Menezes informou que a suspeita surgiu logo após o crime, quando foram detectadas possíveis trocas de mensagens entre os agentes e os investigados. Com receio de fuga dos autores, destruição de provas ou interferência na coleta de vestígios, o caso foi imediatamente encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

No último dia nove, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra os policiais. Eles foram removidos da unidade enquanto o procedimento disciplinar prossegue. O relatório destaca que não há, até o momento, qualquer evidência de participação direta dos agentes nas execuções; a linha de apuração se restringe a eventual auxílio posterior, como fornecimento de informações sobre o avanço das investigações.

Os corpos das vítimas foram encontrados em setembro

Sigilo e compartimentação

A Polícia Civil manteve as diligências sob sigilo desde agosto para proteger a integridade das provas e evitar vazamentos, diante da suspeita de favorecimento externo. Mesmo antes do afastamento dos servidores, as equipes já trabalhavam em regime de compartimentação de dados.

Detalhes da chacina

As vítimas, Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Affonso, Robishley Hirnani de Oliveira e Rafael Juliano Marascalchi, chegaram à propriedade rural por volta das 12h30 de cinco de agosto para cobrar uma dívida. Elas foram recebidas a tiros de pelo menos cinco armas, entre elas um fuzil. Os disparos atingiram cabeça e tórax, causando morte imediata e afastando hipóteses de sequestro ou tortura.

Laudos indicam três disparos na cabeça de uma das vítimas e grande acúmulo de sangue na Fiat Toro usada pelo grupo, reforçando que o ataque ocorreu no momento da chegada. Marcas de tiros foram registradas na dianteira, traseira e lateral esquerda do veículo.

Áudios anexados ao inquérito mostram que, horas antes, as vítimas demonstravam receio pela presença de armas entre os devedores e cogitavam retornar ao local “para fazer dar certo”. Às 11h47, pouco antes da chacina, um dos homens relatou que os devedores “estavam se escondendo”.

Após as execuções, os corpos foram transportados na própria caminhonete até uma área de mata, onde foram enterrados às pressas. Partes do veículo foram encontradas na cova. Os cadáveres foram localizados em 18 de setembro com auxílio de drones, georadar e análises de terreno. Exames de necropsia confirmaram múltiplos ferimentos à bala, alguns a curta distância.

A Corregedoria segue analisando mensagens, registros telefônicos e materiais apreendidos para verificar se houve efetivamente colaboração dos policiais com os suspeitos.

Com Preto no Branco

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