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Roubos a caminhonetes voltam a assustar moradores de Marechal Rondon e região

calendar_month 27 de abril de 2020
7 min de leitura

Sabe-se há muito tempo que a outrora tranquilidade da vida em cidades pequenas não mais existe. A calmaria, depois de um dia longo de trabalho, por vezes, está sendo interrompida de maneira truculenta por marginais que estão aterrorizando moradores de Marechal Cândido Rondon e região.

Nos últimos dias, quatro casos parecidos de assalto a residência foram registrados na Delegacia da Polícia Civil de Marechal Rondon. O principal objetivo dos criminosos é roubar caminhonetes, que, na maioria das vezes, têm como destino o Paraguai.

Em ambas situações de assalto, as pessoas passaram por momentos aterrorizantes nas mãos dos criminosos, que agiram de forma semelhante. As vítimas foram pegas dentro ou quando saíam da residência e mantidas reféns pelos bandidos, que geralmente estão encapuzados. Enquanto parte do grupo vasculha a casa e faz ameaças aos proprietários em busca de dinheiro, joias e outros objetos de valor, comparsas levam os veículos. Somente após a informação repassada pelos integrantes da quadrilha que o carro já se encontra no Paraguai é que os criminosos vão embora e deixam para trás famílias amedrontadas e com sentimento de impotência diante do ocorrido.

Um dos assaltos aconteceu em um bairro rondonense. Os moradores foram rendidos por dois elementos armados, amarrados e mantidos reféns enquanto os assaltantes roubavam dinheiro, joias, eletrônicos e uma caminhonete Ford Ranger.

Outro caso aconteceu no município de Quatro Pontes. Um dos moradores, que preferiu não se identificar, relatou que foi abordado pelos bandidos no momento em que abriu a porta da casa logo pela manhã para ir trabalhar. Depois de receber voz de assalto, os cinco marginais obrigaram-no a voltar para o interior da casa, onde se encontravam a esposa e os três filhos. Todos foram amarrados e colocados em um dos quartos da residência.

Além da caminhonete Toyota Hilux, considerado o modelo preferido pelos marginais, também foram subtraídos aparelhos eletrônicos e uma pequena quantia em dinheiro.

 

HORAS DE ANGÚSTIA

O mais recente caso de assalto aconteceu na zona rural de Marechal Rondon e nem mesmo o sistema de câmeras de segurança da propriedade inibiu a ação dos ladrões. Uma das vítimas, que também não quis se identificar, disse que estava sentado no sofá da sala, já no início da noite, quando foi abordado pelos criminosos sob a mira de um revólver. “Não percebi absolutamente nada, só senti algo encostar na minha cabeça e quando olhei pra trás vi vários bandidos armados, aí percebi que era um assalto”, conta a vítima.

Ele diz que sua esposa estava em outro cômodo da casa, e assim que percebeu algo errado, veio até a sala e também foi rendida pelos criminosos. Assim que o casal estava rendido, começaram as agressões físicas, como chutes e socos, além das ameaças verbais que tinham sempre como objetivo saber onde supostamente estava o dinheiro, armas ou outros bens materiais. Após amarrar as vítimas no corredor da casa as ameaças continuaram e, segundo a vítima, o momento mais tenso foi quando um dos bandidos encostou a faca em suas costas, como se fosse a última tentativa de encontrar dinheiro no interior da residência. “Um deles falou: cadê o cofre? E me deu três cutucadas nas costas enquanto ouvi outro dizer: não fura. Essa foi a agressão mais violenta que passamos”, relata o agricultor.

Ele menciona que ouviu a negociação feita por telefone por um dos assaltantes, na tentativa de vender a caminhonete da família. “Ouvi ele dizer: olha, tenho aqui uma caminhonete Hilux prata, diesel, completa, tá na mão. Quero R$ 18 mil na minha parte e o dinheiro na conta amanhã”, lembra o agricultor.

 

“Pensei que seria o fim para mim e para minha esposa”, disse uma das vítimas de recente assalto em Marechal Rondon que preferiu não se identificar (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

“PENSEI QUE SERIA NOSSO FIM”

Às cinco horas da manhã do dia seguinte, oito horas após o início do assalto, os assaltantes foram embora, mas antes exigiram que a polícia fosse avisada somente duas horas depois.

Além de joias, eletrônicos, dinheiro e a caminhonete Hilux, que cruzou a Ponte Ayrton Senna por volta da meia-noite e meia, de acordo com a Polícia Militar, um segundo veículo de propriedade da família também foi levado pelos criminosos.

Temendo com o que poderia acontecer, a vítima contou que se preocupou também com o fato dos bandidos estarem fumando dentro da casa e o risco que o casal corria, caso um incêndio acontecesse, uma vez que o casal estava amarrado. “Fiquei com medo e superpreocupado, pensei que seria o fim para mim e para minha esposa, se algo de pior acontecesse”, contou a vítima.

 

MESMA QUADRILHA

Conforme o delegado da Polícia Civil, Rodrigo Baptista Santos, os quatro últimos assaltos ocorridos recentemente que estão sendo investigados pela polícia aconteceram de forma semelhante e a suspeita recai a uma mesma quadrilha que age na região. “Acreditamos que trata-se de uma mesma associação criminosa devido ao modus operandi dos marginais”, salienta.

Segundo ele, os marginais costumam usar o fator surpresa para abordar as vítimas, o que impossibilita qualquer tipo de reação. “Nós nunca recomendamos a reação das vítimas, o que deve ser feito é tentar identificar as características físicas dos autores dos crimes e ter atenção com a segurança da residência. E quem tem caminhonete precisa estar atento e saber que é alvo desses ladrões”, alerta o delegado.

 

Delegado da Polícia Civil, Rodrigo Baptista Santos: “Acreditamos se tratar de uma mesma associação criminosa devido ao modus operandi dos marginais” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

FACILIDADE DA FRONTEIRA

De acordo com o comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar de Marechal Rondon, tenente Daniel Zambon, o roubo de caminhonetes é recorrente devido à proximidade com o Paraguai, o que facilita o envio desses veículos e também por conta da grande quantidade desse tipo de veículo existente na região.

Para ele, essa prática criminosa está ligada ao tráfico de drogas e ao descaminho de produtos de origem estrangeira. “A maioria desses carros roubados são utilizados para o transporte de drogas e contrabando, principalmente de cigarros”, entende.

Zambon diz que a origem que alimenta essa cadeia criminosa está interligada também ao consumo de drogas e cigarros contrabandeados. “Uma pessoa que consome droga ou um cigarro de origem estrangeira e acha que não está fazendo mal, está enganada, pois essas atitudes alimentam os criminosos que roubam os carros”, destaca.

 

ANÁLISE PRÉVIA

Conforme o comandante da PM, antes de executar a ação criminosa, os bandidos observam as residências e os veículos pretendidos por eles. O tenente orienta que as pessoas fiquem atentas a qualquer atitude suspeita nas proximidades das residências para poder ajudar a polícia a inibir esse tipo de crime. “Qualquer atitude incomum de pessoas desconhecidas perto da propriedade é importante que sejam observadas as características dos veículos suspeitos e se possível dos indivíduos e em seguida ligar para a polícia para que possamos abordar esses elementos em atitude suspeita”, orienta Zambon.

 

Comandante da PM, tenente Daniel Zambon: “A maioria desses carros roubados são utilizados para o transporte de drogas e contrabando, principalmente de cigarros” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

PRISÕES E APREENSÕES

Recentemente foi realizada a prisão de dois suspeitos pelo roubo de uma caminhonete Ford Ranger ocorrido em Marechal Rondon, além de um possível receptador. As prisões aconteceram em Guaíra pelo Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron).

No último dia 20 a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão de um menor infrator suspeito de envolvimento em dois roubos na cidade. O mesmo foi identificado em um roubo de uma motocicleta e de uma caminhonete ocorrido no último dia 29.

Por ambos os crimes o menor foi encaminhado pela Polícia Militar para a delegacia para a formalização dos procedimentos e após enviado ao Juízo. O Ministério Público da comarca representou pela apreensão e internamento do menor devido à reincidência do infrator.

 

NÚMEROS DE EMERGÊNCIA E DENÚNCIAS

As vítimas desses e de outros tipos de crimes devem ligar para o telefone de emergência da Polícia Militar 190.

Em caso de denúncia relacionada à autoria de crimes ou qualquer outro tipo de informação que leve à prisão de suspeitos, a mesma pode ser feita de forma anônima pelos números 181 da Polícia Militar ou pelo 197 da Polícia Civil.

 

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