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Testemunha afirma que grupo de indígenas estava em ritual sagrado quando foi atingido por tiros em Guaíra

Conflito envolvendo grupo terminou com quatro feridos. Ministério dos Povos Indígenas diz que área está em processo de regularização e trata caso como ataque ao povo Avá-Guarani


calendar_month 12 de janeiro de 2024
5 min de leitura

Uma mulher indígena que preferiu não ser identificada afirmou que o grupo de indígenas alvejado por disparos de arma de fogo na noite de quarta-feira (10) realizava um ritual sagrado quando foi atingido em Guaíra.

“A gente ficou sem reação. Foi quando a mulher que estava na frente do nosso altar sagrado, ela já estava deitada esticada no chão, gritando, foi quando a gente teve essa noção de que foi o tiro”, disse a mulher.

De acordo com a Polícia Militar (PM), três indígenas foram baleados por “indivíduo não conhecido” e que após as agressões sofridas, um homem foi agredido e feito refém pelos indígenas, mas foi liberado na sequência. Todos os feridos receberam atendimento médico.

O depoimento da testemunha que presenciou o episódio foi divulgado pela Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), organização indígena de coletivos do povo Guarani na luta pela terra. Ela afirmou que eles demoraram a entender que eram tiros e só perceberam quando viram as vítimas feridas.

O Ministério dos Povos Indígenas trata o caso como ataque ao povo Avá-Guarani e, a pedido da pasta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) autorizou a atuação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) na região.

o relato, a indígena afirmou ainda que não foi possível identificar o possível autor dos disparos.

“Não conseguimos identificar também o autor do disparo, porque estávamos num local que não tinha nenhum ponto de luz, então era tudo escuro. O único que estava iluminando no momento era onde nós fizemos uma fogueira, os costumes, fizemos uma fogueira”.
Em nota divulgada sobre o caso, o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) diz que as equipes foram recebidas por grupos de indígenas armados com arcos e flechas, facões onde foram disparadas algumas flechas e pedras contra a equipe, mas que nenhum policial foi ferido.

A indígena, no entanto, afirma que nenhum indígena confrontou os policiais.

O caso, segundo a polícia

A PM diz ter sido chamada para uma ocorrência na região da Avenida Roland onde, por volta das 21h, um homem teria atirado contra indígenas no local descrito pela PM como invasão.

Também de acordo com a corporação, após os disparos, alguns indígenas, revoltados com a situação, invadiram uma casa. Alguns moradores fugiram, mas um homem de 51 anos permaneceu na residência e na sequência foi levado para a invasão onde foi agredido pelo grupo, afirmou a PM.

O Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) diz que as equipes foram recebidas por grupos de indígenas armados com arcos e flechas, facões onde foram disparadas algumas flechas e pedras contra a equipe, mas que nenhum policial foi ferido.

O Batalhão diz ter negociado a retirada do refém, que foi levado para um hospital de Guaíra com braço e costelas quebradas, além de machucados na cabeça e nas costas. Ele não corre risco de morrer, segundo a polícia.

Dos três indígenas atingidos por disparos, um recebeu alta e outros dois permanecem internados em estado estável, segundo a Comissão Guarani Yvyrupa.

De acordo com o 1º Tenente do BPFron, Vitor Votolini, um grupo de cerca de 50 indígenas está na área onde houve o conflito, que fica perto de uma aldeia. Ele afirma que a polícia ainda não identificou quem atirou contra os indígenas.

A Polícia Federal também prestou atendimento e disse que acompanha o caso e adotará as medidas cabíveis para manutenção da segurança na região.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio, esteve em Guaíra na quinta-feira (11) onde se reuniu com representantes da prefeitura e das polícias Civil e Militar, segundo ele, “entender a realidade da região”.

“Para que o estado haja com o intuito de garantir ou a reintegração de posse ou restabelecimento da ordem”, afirmou o secretário.

“A gente não quer que ninguém venha a óbito numa situação como essa, independente da missão de ser federal ou do estado. Então, o estado está aqui à disposição da União. […] O agronegócio no estado do Paraná ele é muito forte, obviamente tem toda uma questão econômica, mas hoje nós estamos aqui pra preservar as vidas tanto dos produtores rurais quanto dos índios que estão nessa situação”, destacou o secretário.

Conforme a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a região onde as famílias indígenas estão ainda não está demarcada e registra conflitos constantes com agricultores – ambos afirmam ter direito à área.

Povos têm sofrido ameaças e agressões, diz ministério

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas disse que famílias indígenas do povo Avá-Guarani foram alvo de novo ataque e que, conforme denúncias, a ação foi organizada por fazendeiros.

A pasta diz que, considerando a escalada do conflito, “marcada por recorrente violações de direitos”, no dia 27 de dezembro o ministério pediu ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) a atuação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), medida autorizada nesta quinta para garantir a segurança dos indígenas.

De acordo com a pasta, em dezembro de 2023, os Avá-Guarani, da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavira, que está em processo de regularização fundiária, realizaram duas ações de retomada nas aldeias Y’hovy e Yvyju Avary.

“Em seguida, passaram a sofrer graves situações de ameaças e agressões por parte de grupos de não indígenas. Nos dias 23 e 24 de dezembro, respectivamente, as aldeias Y’hovy e Yvyju Avary foram atacadas com emprego de milícia rural privada”, disse o ministério.

De acordo com a nota, o ministério conversou com lideranças indígenas, por meio da Comissão Guarani Yvyrupá (CGY), e gestões junto à Polícia Federal (PF), que compareceu ao local. A pasta diz que, no ataque mais recente, o ministério seguiu o mesmo protocolo para interromper a violência.

Com G1

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