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Testemunha diz que policial penal gritou “aqui é Bolsonaro” antes de atirar contra petista

Vigilante disse que ouviu grito ao passar pelo local onde estava sendo feita a festa de Marcelo Arruda. Jorge Guaranho é investigado por homicídio duplamente qualificado


calendar_month 18 de julho de 2022
5 min de leitura

Uma testemunha disse em depoimento que ouviu o policial penal Jorge Guaranho gritar “aqui é Bolsonaro” pouco antes de atirar contra o petista Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu.

O caso aconteceu no dia 09 de julho, em uma associação de Foz do Iguaçu. O guarda municipal e tesoureiro do PT Marcelo Arruda comemorava o próprio aniversário de 50 anos, quando foi baleado por Guaranho. O policial penal também foi baleado por Marcelo.

A testemunha disse no depoimento que trabalha como vigia e estava passando na região da associação na noite em que o crime aconteceu. A mulher afirmou que estava em uma moto e precisou desviar do caminho de Guaranho.

“Eu joguei minha moto porque eu sabia que ele não ia parar, que ele estava vindo em cima mesmo. Ele entrou com tudo na chácara. Eu só ouvi nitidamente ele falando: ‘aqui é Bolsonaro, p****'”, afirmou.

A vigia disse que ouviu disparos de arma de fogo, na sequência. Depois disso, ela acionou a polícia, segundo o depoimento.

Marcelo Arruda chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal, mas morreu horas depois. Jorge Guaranho segue internado no hospital, sem previsão de alta.

Guaranho foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por causar perigo comum.

Inquérito

A delegada Camila Cecconello avaliou que Guaranho não planejou o crime, uma vez que recebeu a informação da festa de Marcelo enquanto participava de churrasco com amigos, e foi até o local para fazer uma provocação, retornando pela segunda vez por ter se sentido ofendido, segundo as investigações.

“Segundo os depoimentos, que é o que temos nos autos, ele voltou porque se sentiu ofendido com essa escalada da discussão, com esse acirramento da discussão entre os dois”, disse Camila.

Para Camila, para se enquadrar em motivação política, seria necessário identificar um desejo de Guaranho em impedir os direitos políticos de Marcelo, o que, para ela, seria “complicado de dizer”.

Sobre a conclusão da Polícia Civil, o advogado Ian Vargas, da equipe de defesa da família de Marcelo, disse que inquéritos de casos complexos como este levam mais tempo.

“Normalmente leva um tempo esses inquéritos. Principalmente desta magnitude, com essa complexidade, com essa quantidade de pessoas que foram ouvidas e provas a serem colhidas como pericias de celular, computador, veículo, câmeras de outros locais”.

O advogado Carlos Bento, que integra a equipe da defesa de Guaranho, disse que o inquérito pode ter terminado aos olhos da policia, mas que para a defesa, “está iniciando”.

“Foram ouvidas testemunhas que a defesa não teve acesso. São testemunhas que estavam na festa. São testemunhas que certamente são amigos da suposta vítima”.

Como tudo aconteceu, segundo a polícia

A delegada informou que Guaranho foi até o local do aniversário com o objetivo de fazer uma provocação.

Testemunhas disseram que o policial penal chegou em um carro com a mulher e um bebê. Além disso, o carro do atirador tocava uma música de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Após isso, uma discussão se iniciou. A delegada afirmou que testemunhas relataram que Marcelo jogou um punhado de terra contra o veículo de Guaranho. Depois da discussão, o policial deixou o local.

A Polícia Civil concluiu, com base nos depoimentos, que Guaranho retornou ao local do aniversário por ter se sentido humilhado. Ao retornar ao aniversário, o porteiro da associação tentou impedir que ele entrasse no local a pedido dos participantes da festa.

De acordo com a análise das imagens, a discussão evoluiu na seguinte sequência:

Camila afirmou que Guaranho fez quatro disparos, dos quais dois atingiram Marcelo. Por outro lado, o petista atirou 10 vezes, acertando quatro tiros contra o policial.

Além disso, o inquérito aponta que Marcelo tinha se armado para se defender, sabendo do provável retorno de Guaranho.

“A vítima pega a sua arma de fogo como proteção de um eventual retorno do autor. E a vítima aponta a arma de fogo quando vê a volta do autor, porque já sabia que o autor estava armado. Então, é uma atitude natural da vítima querer se defender”.

Antes da discussão

Segundo a Polícia Civil, o policial penal estava em um churrasco, quando ficou sabendo que a festa de Marcelo estava acontecendo.

Segundo as investigações, o atirador tomou conhecimento por meio de uma outra pessoa que estava no churrasco e tinha acesso às imagens de câmera de segurança da associação onde o aniversário de Marcelo estava acontecendo.

Em seguida, de acordo com a delegada, Guaranho não fez comentários a respeito da festa. Apesar disso, o policial penal deixou o churrasco onde estava e foi para o local onde era realizado o aniversário de Marcelo.

Agressões

A delegada Iane Cardoso informou ainda que um inquérito também foi aberto para apurar as agressões que Jorge Guaranho sofreu após atirar contra Marcelo Arruda. Três pessoas são investigadas pelo caso.

Camila Cecconello disse que a polícia também aguarda um laudo pericial para determinar a gravidade das agressões sofridas por Guaranho.

Com G1

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