Política 1º prefeito de Quatro Pontes

“A eleição em meio a uma pandemia seria prejudicial para o eleitor”, diz Rudi Leobet

Primeiro prefeito de Quatro Pontes, Rudi Leobet: “No passado, a política era um pouco mais consistente, mais segura e você podia acreditar nos candidatos ou avaliá-los pela conduta deles. Hoje você não pode mais acreditar nas pessoas. São coisas que hoje não são mais como antigamente. Antes era mais sério” (Foto: Joni Lang/OP)

Ele já foi bastante ativo na política. Hoje participa dela indiretamente. Entende que a juventude, agora, precisa tomar a frente. Trata-se de Rudi Leobet (Rudinho), primeiro prefeito de Quatro Pontes (1993/1996). “Colaboramos muito nas gestões anteriores. Hoje participo com ideias, mas diretamente não. Esse papel a gente deixa para a juventude. Já está na hora de uma outra geração assumir. Isso é fundamental para o bom andamento do município e da política também”, defende.

Ao O Presente, o ex-prefeito declarou que atualmente não está filiado a nenhum partido político e que integra o grupo de oposição à atual administração municipal. Para ele, a eleição local deve ter dois candidatos a prefeito, mas não descarta uma terceira força. “Pode surgir um terceiro e correr por fora. Pode haver uma surpresa e muitas vezes a surpresa vai chegar no dia das eleições também”, comentou.

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Em relação à eleição de outubro, Rudinho é da opinião que a data deveria ser mudada e os mandatos unificados. Sobre o governo federal, enfatiza: “Nunca teve um governo com um time de ministros que temos hoje. Defeitos há, agora um defeito maior o governo não tem. É bem estruturado, tem uma linha mais dura”, elogia.

Na entrevista, ele também faz uma avaliação da postura do presidente Bolsonaro e compara o jeito de fazer política do passado com o atual. Confira.

 

O Presente (OP): O senhor foi o primeiro prefeito eleito de Quatro Pontes. Décadas depois, que análise faz da política local?

Rudi Leobet (RL): Nós fomos eleitos em 1992, assumimos em 93, e o mandato foi até 96. Fomos eleitos por uma coligação de quatro partidos, por consenso, já que houve um acordo entre os quatro partidos. O meu nome foi, felizmente ou infelizmente, indicado para assumir a primeira gestão da municipalidade, tendo o Paulo Brandt como vice, que me acompanhou. Os meus votos somaram um pouco mais dois mil, o que foi 95%, e entreguei a próxima gestão para o Paulo Brandt. Hoje é uma situação bem diferente. Naquela época, digamos assim, as coisas legais não mudaram, as leis naturais, aquelas que você sabe fazer. Eu fiz um propósito naquela época de organizar, implantar e fazer funcionar todos os setores do município para entregar funcionando para o próximo. Inclusive, fizemos isso com um tempo antes, foi feito algum investimento ou alguma coisa que talvez não esperávamos. Foi uma época diferente do que é hoje. Hoje a política é mais agressiva, mais rápida, a comunicação via redes sociais, a internet. O tempo passou e temos diversas administrações, cada uma a seu tipo, e foi muito bom. Eu considero bom os que foram prefeitos depois de mim, o Paulo, o Silvestre (Kuhn), o Rudão (Rudi Kuns). Hoje a atual administração tem um outro sistema, muito diferente. Vamos ver como podemos analisar ela ao fim da gestão. Essa é uma pequena dúvida que a gente tem, inclusive na parte financeira, estrutural. Hoje nós podemos não concordar com muitas coisas. São coisas que não vão dar tão certo como naquela época.

 

OP: Quatro Pontes vivenciou candidaturas únicas em eleições. O senhor acha que isso pode voltar a acontecer no município? Seria importante se ocorresse ou é melhor um pleito com disputa?

RL: O consenso foi praticamente feito na época para facilitar a organização do município. Depois, se formou uma ala diferente, uma ala contrária e nem todos foram então contentes com as outras administrações, mas isso é normal. Hoje tem uma probabilidade muito remota de um consenso acontecer novamente. Formou-se uma oposição ao atual e aquele outro que vai assumir. O consenso tem dois nortes. Será uma boa para a administração se a pessoa que assumir for uma pessoa séria, uma pessoa de conhecimento, com uma base, por exemplo, não só a partir do dia 1º em que assume pensar na próxima eleição. Agora, como a política é agressiva para um lado, é dividida, é cheia de macetes e coisas. Hoje não dá mais, acho que isso seria prejudicial. Tem que ser disputada.

 

OP: O senhor acredita que esta eleição em Quatro Pontes terá dois ou mais candidatos a prefeito?

RL: Eu acho que vamos ter dois candidatos, mas pode surgir o terceiro e correr por fora. Pode haver uma surpresa e muitas vezes a surpresa vai chegar no dia das eleições também. Mais certo é que sejam dois, porque três é muito desgastante e improvável.

 

OP: O senhor está filiado a algum partido político?

RL: Não, eu sempre tive partido desde a UDN, época antes de 64, anos 50. Depois fui para a Arena e sempre participei da linha do PDS. Mais tarde entrei em outro partido, o PSDB, e hoje estou bastante descrente em partido, porque partidos não têm mais a ideologia política, ideologia de uma base de pensamento. São 30 e poucos partidos, e é impossível ter 30 e poucas ideologias partidárias. Então, é muito difícil e eu me desliguei porque não gostei. Não achei hoje ainda outro que possa substituí-lo. Hoje estou sem partido.

 

OP: O senhor está ligado a algum grupo político atualmente, mesmo que não partidariamente?

RL: Não participo diretamente, mas estou junto com um grupo remanescente da última eleição. Fomos derrotados. Estamos na oposição. No momento, estou esperando o grupo em si, os partidos decidirem e lançarem os candidatos. Até agora aqueles que estão ali na palavra do povo são aqueles que a gente vai apoiar depois.

 

OP: O vereador César Seidel (Canela) deve ser confirmado pré-candidato pela oposição?

RL: Normalmente, o grupo que está no poder tem os candidatos próprios e, muitas vezes, busca a reeleição. Eu não concordo com reeleição. Acho que isso é contra o município, contra a administração e não é bom de uma forma geral. Cria muito vínculo. Parece que não tem graça. A administração pública é muito dinâmica nesse ponto e muita gente leva ela para um outro lado. Não sou muito a favor disso. A oposição tem um pré-candidato que é o Canela. Agora ele está no Podemos, do senador Alvaro Dias, um partido que surgiu com bastante força.

 

OP: Pretende se envolver na coordenação de campanha?

RL: Não. Esse papel a gente deixa para a juventude. Posso participar com ideias ou com a direção que podemos ajudar, mas diretamente não.

 

Rudi Leobet: “O Bolsonaro diz o que o povo precisa ouvir e não o que o povo quer ouvir. Muitas vezes ele exagera e, realmente, a gente fica com uma ânsia de dizer não faça isso, mas é o jeito dele. Precisamos entender. Por enquanto, isso não prejudica o país” (Foto: Joni Lang/OP)

 

OP: Por que o senhor decidiu se afastar da política?

RL: Em parte é por aquilo tudo que a gente já prestou nas gestões anteriores. Penso que já está na hora de uma outra geração, que está atrás da gente, assumir. Isso é fundamental para o próprio bom andamento do município e da política também. A política a gente faz em tudo que é lugar, ela é necessária em todos os sentidos, mas a boa política, não aquela que as vezes estamos vendo daqui para fora.

 

OP: A política atualmente, ou o jeito de fazer política atual, é diferente do tempo em que o senhor participou mais ativamente das eleições? Que mudanças observa? Está melhor hoje ou era melhor no passado?

RL: Sim, hoje está bastante diferente do passado, e justamente por causa da comunicação, que é muito rápida. Hoje quem tem a melhor comunicação através das redes sociais, da internet, provavelmente vai ganhar mais votos ou até ganhar a eleição. Exemplo disso é o próprio presidente que nós temos hoje. A população que aderiu e comunicou através da rede social a adesão a ele ajudou nisso. Ele subiu e hoje muita gente até estranha como é que pode, mas isso é reflexo da comunicação. Uma coisa é certa, hoje: depois da eleição do presidente Bolsonaro, daqui para frente teremos outro estilo de campanha. Vamos esquecer o tempo atrás. Não existe mais. Hoje quem tem essa direção vai bem. No passado, a política era um pouco mais consistente, mais segura e você podia acreditar nos candidatos ou avaliar pela conduta dele durante a campanha se ele era isso ou se era aquilo. Hoje você não pode mais acreditar nas pessoas, porque o interesse particular dos políticos é muito manchado, muito incerto. Hoje você tem um candidato que vai apoiar… Isso me aconteceu nos próprios partidos, você pensa que é bom e quando vê, uns dois ou cinco anos depois pensa que o cara te enganou também. Então, são coisas que hoje não são mais como antigamente, antes era mais sério.

 

OP: O senhor é favorável que a eleição aconteça em outubro ou que seja prorrogada?

RL: Eu sempre tenho a dúvida, principalmente por causa da pandemia do coronavírus. Não existe uma campanha sem contato pessoal e sem aglomeração. Então, eu acho que o certo seria não fazer a eleição agora em outubro e procurar uma data diferente. Para mim, se fosse para eu ser a pessoa que resolvesse isso, eu gostaria que fosse a eleição para prefeito, vereadores, deputados, senadores e presidentes tudo junto, sendo feita a cada cinco anos. Poderia prorrogar os mandatos agora em talvez um ano, até o ano que vem e diminuir um ano do mandato de deputados. Mais para frente, fazer de cinco anos.

 

OP: Uma eleição geral, de vereador a presidente, não confundiria os eleitores? Que benefícios o senhor vê?

RL: De cima até em baixo, a economia seria muito grande. O desgaste político que você tem a cada dois anos, o administrador público quando tem eleições sempre perde meio ano pelo menos e depois mais dois ou três meses. Isso é muito desgastante. Agora, os deputados não vão querer isso, porque normalmente os próprios cabos eleitorais deles são os vereadores e prefeitos.

 

OP: A eleição em meio a uma pandemia será prejudicial a candidatos e eleitores, na sua opinião?

RL: Acho que seria prejudicial para o eleitor, em primeiro lugar. Quem tiver mais capacidade econômica dentre os candidatos teria uma vantagem. Se elegeria mais fácil. O mais prejudicado seria o eleitor, porque ele vai ter menos conhecimento sobre os candidatos e menos capacidade de avaliá-los. Não sabemos hoje como vai ser em setembro, quando é a campanha. Não vai ter aglomeração, não podemos nos reunir e fazer reunião nem do grupo. É perigoso, ou ao menos dizem que é perigoso. Eu acho que realmente o mais prejudicado é o próprio eleitor e o próprio país.

 

OP: Qual sua análise sobre o governo federal até aqui?

RL: Nunca teve um governo com a nomeação dos ministros que temos hoje, a equipe que temos hoje. Nunca vi o que está acontecendo hoje para quererem derrubar um governo que está bem e precisa estar bem, porque o país tem muita necessidade de fazer a coisa certa. Eu acho que hoje eu não trocaria por ninguém se fossem me dizer “você não quer esse aqui?”. Defeitos há, agora um defeito maior o governo não tem. É bem estruturado, tem uma linha mais dura. Os militares da reserva são pessoas que têm uma instrução, uma disciplina e uma moral diferente. Conheço isso porque servi ao Exército e aprendi bastante. Fiquei pouco mais de um ano. Tenho certo amor e respeito. Muitas vezes as pessoas falam da vida dura de 64, que foi horrível e não sei o que, mas o cara não estava nem nascido ainda. Quem viveu à época sabe como foi. Hoje estamos bem perto disso com a estrutura que ele montou lá, muito bem. O que a oposição faz não tem sentido nenhum, não produz nada e estraga mais. Às vezes a gente se pergunta do porquê de tudo isso. Hoje já não dá mais para botar muita fé nos deputados, senadores e no Supremo. A última instância que a gente sempre acreditava não dá mais para acreditar, porque está tudo a mesma coisa. Tudo o que foi feito até agora pelos políticos é nada. Durante esse um ano e meio, dois anos quase, a gente pergunta o que o Senado e os deputados fizeram: só foram contra. Isso é muito prejudicial e uma pena que esteja acontecendo em um país que tem uma capacidade enorme de mostrar para o mundo o que é, o que temos. Temos a capacidade e não está sendo aproveitado. Tenho saudades daquilo que passou. Agora, depois da formatação da nova Constituição, a que dizem Constituição Cidadã, ficou pior. É uma pena o que está acontecendo e aprovam 100%. Mas acho que o país vai crescer. A partir do ano que vem vai ser diferente.

 

OP: Como avalia a postura do presidente Bolsonaro, que tem se envolvido em inúmeras polêmicas ultimamente?

RL: A postura dele vem muito da formação, de onde ele veio, principalmente da linha militar. Entendemos perfeitamente. Ele diz o que o povo precisa ouvir e não o que o povo quer ouvir. Muitas vezes ele exagera e, realmente, a gente fica com uma ânsia de dizer não faça isso, mas é o jeito dele. Cada um dos outros que antecederam tinham o seu jeito, o Lula, a Dilma, o próprio Fernando Henrique. Eles tinham aquele lado que não era aprovado por todos e o Bolsonaro fala demais, acha que, às vezes, precisa retrucar e na política isso não é visto como o correto. Temos que, muitas vezes, engolir um sapinho e fazer a coisa. Eu acho que esse é o jeito dele de fazer e precisamos entender. Por enquanto, isso não prejudica o país.

 

O Presente

 

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