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Política

“Acho que hoje existe mais chance de consenso do que na eleição passada”, avalia Jones Heiden

calendar_month 5 de julho de 2019
10 min de leitura

 

A um ano e meio do fim da atual gestão, o grupo político liderado pelo prefeito Jones Heiden (PSD) já começa a conversar sobre possíveis nomes que podem compor a chapa majoritária na eleição de 2020 em Entre Rios do Oeste. Em torno de 12 lideranças estariam de olho no pleito do ano que vem.

Para o mandatário, a escolha dos candidatos precisa ocorrer de forma democrática para que não haja divergências que façam, eventualmente, alguns partidos a deixar a aliança situacionista.

Em entrevista ao Jornal O Presente, Heiden diz que vê maior possibilidade de um consenso em 2020 do que na eleição de 2016. De acordo com ele, na campanha passada já houve algumas lideranças do Democratas e MDB que lhe apoiaram.

O prefeito faz também uma avaliação da terceirização de parte da festa do município, do início dos governos de Ratinho Junior (PSD) e Jair Bolsonaro (PSL), bem como da gestão do general Joaquim Silva e Luna à frente da Itaipu Binacional. Confira.

 

O Presente (OP): Recentemente, o município comemorou o aniversário de emancipação com a tradicional festa, que em 2019 contou com a novidade de ter sido em parte terceirizada. Qual avaliação o senhor faz deste novo formato?

Jones Heiden (JH): Toda mudança gera dúvida quando apresentamos para as pessoas uma ideia diferente. No passado, em todas as pós festas surgia um descontentamento, pois se gastava muito e sobrava pouco resultado financeiro. Éramos cobrados de que a forma com a qual a festa era feita não era viável, pois as associações trabalhavam e não tinham retorno. Quando tomamos a decisão em fazer a mudança houve associações que colocaram dúvida nesta iniciativa, sendo que algumas nem participaram da organização da festa por não concordar com este formato. Persistimos e houve um entendimento com o presidente da Acier (Associação Comercial) e da Proer (Associação Promotora de Eventos de Entre Rios do Oeste), Alexandre Luiz Stein. O novo secretário Willian Bokorni (de Indústria, Comércio, Turismo e Desenvolvimento Econômico) também prontamente atendeu nosso chamado. As associações que desde o início criticaram e falaram que não iam participar, realmente não participaram. Das 20 associações, 12 aderiram à nossa proposta. Acho que conseguimos mostrar que neste formato da terceirização a festa se torna mais participativa e, principalmente, mais transparente. Gastamos bem menos e teremos mais resultados. Fizemos a terceirização do almoço, algo que já aconteceu ano passado e em 2019 novamente, o café colonial e o show baile de sábado. Para o ano que vem, além de continuar essas três terceirizações, fico com a ideia de deixar mais transparente ainda o caixa da venda de fichas. Aí sim todas as associações podem ter uma participação maior, pois elas que farão a contabilidade com o apoio da municipalidade. Penso que aos poucos quanto mais terceirizar há maior participação das entidades e, especialmente, mais transparência.

 

OP: O senhor fez recentes mudanças na equipe de governo. Como avalia hoje o trabalho do primeiro escalão?

JH: Fizemos a mudança de uma secretaria até em função da usina do biogás. Há 60 dias, em reunião com a Cibiogás e produtores que participam do projeto, achamos por bem a prefeitura gerir o programa. Devido a isso excluímos a Secretaria de Governo e transformamos em Secretaria de Saneamento Básico, Energias Renováveis e Iluminação Pública. Nomeamos uma pessoa com conhecimento técnico, e não um político, que é o Carlos Eduardo Levandowski, o qual trabalhava na Cibiogás. Foram mais de R$ 17 milhões investidos, então não podemos brincar. Tive essa preocupação de ao menos chegar ao final do meu mandato, quando estaremos gerando um ano e meio de energia, e entregar a chave da usina para o próximo prefeito com o biogás bem gerido, bem administrado e com resultados para que o próximo gestor dê sequência ao trabalho. Fiz uma alteração também na Secretaria de Indústria e Comércio. O William Bokorni está há 60 dias à frente da pasta. Ainda está entendendo como tudo funciona, mas está correspondendo, o que é importante.

 

OP: O primeiro semestre do ano chega ao fim. Como o senhor tem avaliado o início do mandato do governador Ratinho Junior e do presidente Jair Bolsonaro?

JH: Primeiro que tivemos que começar do zero porque não tínhamos um deputado que representasse o município. Conversamos com alguns e optamos por um deputado do meu partido e que é líder do governo na Assembleia, que é o Hussein Bakri. Ele nos procurou, explicou o projeto dele e fomos orientados pelo deputado federal Evandro Roman (PSD) a ouvir a proposta. Ouvimos e acertamos com ele. Temos bons projetos para anunciar nos próximos dias vindos dos Governo do Estado. O que podemos adiantar é que são números expressivos, que se aproximam de R$ 2 milhões para recape asfáltico, compra de equipamentos, melhoria no sistema de água. No governo federal acredito que todos os municípios estão igual a Entre Rios. Há emendas de dois anos atrás no aguardo de liberação. Não é culpa do Bolsonaro, pois é uma situação que já se arrasta desde o governo passado. Dessas emendas, há muitas coisas licitadas e que não estamos conseguindo dar sequência pela falta de recursos. Então estamos no aguardo da liberação do dinheiro. Paralelo a isso, continuamos cadastrando novos projetos e já fizemos diversos encaminhamentos em várias áreas. Agora aguardamos até o governo começar a fazer liberações. O momento é aguardar a liberação das emendas passadas e as novas.

 

OP: O senhor havia feito um planejamento com mais de 20 ações, entre obras e serviços, para colocar em prática até o final do seu mandato. O atual momento político e econômico nos governos federal e estadual tem prejudicado os planos da prefeitura?

JH: Tem, principalmente no quesito recape asfáltico. Há vários trechos que prometemos há mais de um ano, inclusive está há um ano licitado, e não conseguimos cumprir essa demanda por falta destes recursos, bem como a recuperação do asfalto no interior. Isso atrapalha porque fizemos um planejamento em cima de emendas. O município tem a contrapartida, mas para darmos sequência e podermos licitar o projeto dependemos do recurso federal, sendo que estamos há praticamente um ano aguardando a liberação. Não é culpa do Bolsonaro, pois é algo que se arrasta desde o governo passado. Este é um novo governo e uma nova equipe. Só espero que o novo presidente libere esses recursos para que possamos dar sequência aos projetos. Cada dia que passa se encurta o prazo.

 

OP: Os municípios lindeiros têm a Itaipu como uma grande parceira. Qual avaliação o senhor faz da gestão do novo diretor-geral, general Joaquim Silva e Luna?

JH: Os convênios que assinamos não só com o Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros, mas com a Itaipu, estão 100%. Não alterou em nada para nós. As coisas estão acontecendo e as medições estão sendo feitas. Daqui uns dias iniciaremos um trecho de recape asfáltico a partir de uma parceria dos Lindeiros e Itaipu. Estamos no aguardo da licitação da revitalização da praia, cujo investimento será superior a R$ 1 milhão. Também há previsão da construção do novo barracão para os materiais recicláveis, sendo que já está entrando na fase de licitação, em que a Itaipu vai entrar com 80% dos recursos e o município com 20%. No interior, estão sendo executados dez quilômetros de pedra irregular, onde não houve prejuízo algum. Ali sim podemos dizer que nada mudou em termos de parcerias e convênios.

 

OP: Em um ano e meio o senhor se despede do cargo. O seu grupo político já começou a discutir nome de um possível pré-candidato a prefeito?

JH: Já. Tínhamos até pouco tempo sete vereadores, sendo que agora contamos com cinco. Já começou a discussão e estes cinco parlamentares estão fechados com o grupo. Tenho certeza que dentre os vereadores, mais o vice-prefeito (Ari Maldaner, PP), mais alguns secretários e outras lideranças acharemos o candidato a prefeito, a vice-prefeito e bons candidatos a vereadores. Vamos ter um time forte, isso posso dizer. Hoje ainda é cedo em dizer um ou dois nomes, porque temos cerca de 12 e precisamos respeitar a todos. Devemos ter a inteligência em escolher democraticamente, de repente por meio de uma pesquisa para fazer uma avaliação bem detalhada dos pré-candidatos junto com a comunidade.

 

Prefeito Jones Heiden (PSD): “Existe essa conversa (terceira via no município), mas para isso acontecer o meu grupo tem que ser quebrado, o qual hoje considero forte. Quebrando o grupo, aí tudo é possível” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

 

OP: Pretende se envolver diretamente na escolha dos candidatos?

JH: Diretamente não. Vou estar junto e quero ser companheiro de todos. Uma vez escolhido serei o maior motivador e o maior cabo eleitoral desses candidatos. Meu desejo é dar continuidade a este projeto, pois não acaba em 2020. Há muitos projetos para frente e gostaria de deixá-los dentro do nosso grupo, pois assim teremos a certeza que haverá continuidade.

 

OP: O senhor enxerga a possibilidade de novos partidos integrarem o grupo de situação?

JH: Hoje estamos em quatro partidos (PSD, PP, PSC e PSDB). Percebemos por algumas lideranças que o PDT não está mais fechado com o grupo. Nós temos bons contatos dentro do Democratas, até porque um grupo do partido nos apoiou. Então existe essa possibilidade. O próprio MDB tem lideranças que estavam conosco. Não tive essa conversa com nenhum destes partidos, então o que posso dizer é que temos bons contatos e bom relacionamento tanto com o MDB como com o Democratas. Mas aí depende da escolha do candidato também, pois talvez esse bom relacionamento seja mais fechado com algumas pessoas do nosso grupo. Isso se define escolhendo o candidato. Primeiro precisamos decidir os nomes para depois ver as alianças. Ou quem sabe haver algo inédito em Entre Rios do Oeste, que é o consenso.

 

OP: Prefeito, o senhor acredita nesta possibilidade?

JH: Eu vejo. A não ser que um ou outro grupo não concorde com isso e resolva colocar um candidato. Isso já poderia ter acontecido na minha reeleição (em 2016), mas na hora houve pessoas que achavam que não poderia acontecer, que em uma democracia tem que ter disputa. Se tiver entendimento e as escolhas não forem muito direcionadas, uma ou outra liderança abrir mão pelo crescimento e desenvolvimento de Entre Rios, acho que hoje existe mais chance de consenso do que na eleição passada.

 

OP: O senhor vê mais possibilidade de haver um consenso ou ser criada uma terceira via política no município para a eleição?

JH: Uma terceira via em Entre Rios eu acho difícil. Sabemos que essa conversa existe no município, mas já em 2011 se falava nessa possibilidade. Em um grupo de partidos cada um quer o seu espaço. Quando não consegue nem em um (grupo) e nem em outro, procura fazer uma força própria. Existe essa conversa, mas para isso acontecer o meu grupo tem que ser quebrado, o qual hoje considero forte. Quebrando o grupo, aí tudo é possível. Mas cabe a ninguém ficar chateado, na escolha do candidato, e querer ir para outra via desejando medir força com outro time. Por isso que reforço que é preciso ter maturidade de todos para saberem que só podemos ter um candidato a prefeito. Se nosso grupo não quebrar, não vejo viável uma terceira via.

 

OP: A sua avaliação é de que o grupo tem maturidade para levar as discussões até o final e entrar em consenso?

JH: Sim. Vejo isso porque, como disse, na Câmara temos cinco vereadores que estão fechados. Só vamos quebrar se algum deles não abrir mão de eventualmente uma candidatura a prefeito ou vice-prefeito, assim como outras lideranças políticas. Tem que haver esse entendimento. Claro que existem divergências e opiniões contrárias, mas acho que o grupo é maduro para saber discutir e o voto vencido ter o reconhecimento de que a maioria assim o quis e concordar com a escolha. Não em uma forma de ditadura, mas em um processo bem democrático como estamos fazendo.

 

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