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Política Prefeito bragadense

“Ainda não sou pré-candidato à reeleição, mas coloco meu nome à disposição”, revela Leomar Rohden

Prefeito de Pato Bragado, Leomar Rohden (Mano): “Precisamos continuar com os royalties e, se houver uma redistribuição, algo que quero crer que não vai acontecer, com certeza para muitos municípios será um problema grande para administrar” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

 

Daqui um ano, os partidos políticos voltam a se reunir para as convenções visando escolher os nomes dos candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores que disputarão as eleições, lembrando que já em 2020 não será mais permitida a coligação na proporcional.

Prefeito de primeiro mandato em Pato Bragado, mas com larga experiência política, Leomar Rohden (Mano) (MDB) diz que seu nome está à disposição do grupo, mas que uma pesquisa deve definir quem vai encabeçar a majoritária, se ele ou outra liderança – mesma estratégia já usada em outras eleições.

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De acordo com o gestor, mais uma vez surgem conversas no município a respeito de uma eventual candidatura única. Ele admite que tudo é possível, mas para essa ideia prosperar, afirma o prefeito, os dois grupos políticos precisarão conversar e chegar em um entendimento.

Paralelo ao trabalho no paço municipal, Mano preside o Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu. Um dos principais desafios da entidade é reunir força política para que os royalties, que terminam em 2023, tenham continuidade e não haja redistribuição dos recursos para outras cidades. Confira.

 

O Presente (OP): Já chegamos à metade do ano. Como o senhor avalia o primeiro semestre de 2019, considerando o novo governo estadual ou federal?

Leomar Rohden (LR): O município de Pato Bragado começou 2019 com um superávit do ano passado e estamos conseguindo manter as obras em andamento. Claro que a receita sempre tem altos e baixos, mas não tivemos ainda tantos prejuízos no primeiro semestre deste ano. Porém, sentimos falta das emendas, tanto do governo estadual como do governo federal, que são importantes para que possamos melhorar os municípios. E não é diferente em Pato Bragado. Ainda não estamos sentindo tanto, mas é uma preocupação, pois houve uma mudança de governo e tanto o Estado como a União têm o período de adaptação e para verificar a real situação em que se encontram. Outra preocupação é na queda do repasse de FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e no ICMS. As despesas sempre aumentam, seja na área da saúde, educação, na manutenção da máquina pública, e o repasse de recursos muitas vezes cai.

 

OP: Diversos prefeitos têm relatado que 2019 está sendo um ano difícil para governar em razão de que havia emendas ainda do governo passado contingenciadas. No caso de Pato Bragado, como está a situação?

LR: Grande parte das nossas emendas do ano passado foram liberadas, embora ainda haja algumas pendências. Certamente não é um ano fácil, até por conta da mudança no governo federal e estadual. Isso traz dificuldades para os municípios, mas quero acreditar que nos próximos dias os governos possam olhar para os municípios e a sensibilidade dos governantes seja transformada em ações para as pessoas que tanto precisam de investimentos.

 

OP: Para conseguir aprovar a reforma previdenciária na Câmara dos Deputados, o governo liberou nas últimas semanas emendas que chegam aos bilhões de reais. Alguma delas contempla Pato Bragado?

LR: Protocolamos vários pedidos com diversos deputados e, inclusive, com os três senadores (Alvaro Dias, Flávio Arns e Oriovisto Guimarães). Esperamos que eles possam olhar com carinho. Chegou informação para nós sobre a liberação de uma ambulância no valor de R$ 185 mil por meio do deputado Sérgio Souza. Esperamos que nos próximos dias essa liberação do governo federal possa contemplar não só o nosso município, mas a região como um todo. Da mesma forma, espero que o governador Ratinho Junior possa olhar para o Oeste do Paraná, ver as dificuldades que os municípios enfrentam e também liberar recursos para ampliação de atividades que precisam ser realizadas.

 

OP: O governo federal iniciou a gestão focado na aprovação da reforma da Previdência. Na sua avaliação, esse foco quase que exclusivo tem sido importante ou prejudica outras iniciativas que poderiam ser voltadas aos municípios e eventualmente foram deixadas de lado?

LR: Penso que a reforma da Previdência é uma necessidade muito grande. Do jeito que estava não era mais possível continuar. Já houve toda uma demora para aprovação e ainda não existe algo de forma concreta, porque é preciso fazer a votação em segundo turno e depois passar pelo Senado. Há possibilidade de que sejam apresentadas emendas, pois os senadores certamente vão aceitar e/ou rejeitar algumas sugestões. A tramitação desta reforma desgastou bastante o governo e a sociedade, porque demorou e ainda não será uma proposta que terá unanimidade. Há necessidade de realmente fazer uma reforma, é necessária, mas trouxe algumas preocupações aos municípios, que ficaram de certa forma de lado e não houve grandes investimentos, pois a concentração total estava na reforma Previdência.

 

OP: Ainda existe a possibilidade de haver a reinclusão dos Estados e municípios na reforma da Previdência, conforme a proposta original e que na Câmara sofreu alteração. Como o senhor avalia isso?

LR: Não sei dizer como está a situação dos municípios principalmente do Paraná. Sei que há municípios com dificuldades por terem plano próprio. No caso de Pato Bragado é por meio do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Porém, alguns municípios certamente têm muita dificuldade, assim como grande parte dos Estados. Penso que é uma questão dos gestores públicos, tanto os municipais como estaduais, ver a real necessidade, trocar informação com o Senado e avaliar quais benefícios terá se houver a reinclusão.

 

OP: Em 2023 encerra o tratado que prevê o pagamento de royalties. O diretor-geral da Itaipu, general Silva e Luna, já disse que enquanto houver exploração hidráulica do Rio Paraná para a produção de energia o repasse estará garantido. No entanto, até agora isso está somente na palavra. Já existe alguma movimentação do Conselho dos Lindeiros para que haja a continuidade destes recursos?

LR: Na única conversa que tivemos com o general Luna e Silva já pontuamos essa questão e houve a palavra dele que não haveria mudança em relação ao tratado. Em 2023 termina o pagamento da construção da usina de Itaipu e, pela teoria, logicamente sobra mais dinheiro para investir. Existe essa preocupação também do governo federal e teria sido formada uma comissão para avaliar essa questão dos royalties não só de Itaipu, mas dos 729 municípios que tiveram áreas alagadas, os quais representam 20% da população brasileira. Acreditamos que haverá bom-senso por parte do governo, porque os municípios alagados não podem ser penalizados. Uma área já foi perdida e não tem como reavê-la. Então é importante e necessário que continue o pagamento.

 

OP: Os royalties são visados por outros municípios, além dos lindeiros. Se houver uma redistribuição do recurso, tese que alguns prefeitos acreditam que pode se concretizar, qual será o impacto para Pato Bragado, por exemplo?

LR: Seria um prejuízo muito grande. Houve um investimento alto na agricultura e no agronegócio, procuramos melhorar a geração de emprego e renda, mas só isso não vai resolver nosso problema. Precisamos continuar com os royalties e, se houver uma redistribuição, algo que quero crer que não vai acontecer, com certeza para muitos municípios será um problema grande para administrar, porque hoje já cuidamos muito com os índices da folha de pagamento e com a manutenção de tudo o que as prefeituras possuem, pois são estruturas grandes. Se houvesse mesmo uma redistribuição seria muito ruim para todos. Penso que haverá o bom-senso por parte dos governantes em manter o repasse como está sendo hoje.

 

OP: Passados seis meses de governo, já está claro para o senhor quem são os representantes do município na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados que se colocaram à disposição para defender Pato Bragado?

LR: No Estado quem se colocou à disposição foi o ex-prefeito e deputado estadual Marcel Micheletto (PR) e o líder do governo, Hussein Bakri (PSD). No governo federal possuímos mais contato com os deputados Evandro Roman (PSD), Sérgio Souza (MDB), José Carlos Schiavinato (PP) e a Leandre (PV), além dos três senadores. São várias lideranças que podem nos ajudar e esperamos realmente que contribuam com o Oeste do Paraná e com a força política que precisamos, pois trata-se de uma região bem desenvolvida e que precisa do apoio dos deputados e senadores.

 

OP: Estamos a um ano das convenções partidárias para escolha dos candidatos a prefeito. O senhor já avalia a possibilidade de disputar a reeleição?

LR: Sempre disse ao nosso grupo que estou aberto para poder avaliar junto com os partidos o melhor nome. Claro que coloco o meu nome à disposição. Não vou dizer que não passa pela minha cabeça pensar na continuidade. Posso ser pré-candidato à reeleição, assim como temos outras pessoas no nosso grupo que podem ser candidatas. Não podemos fechar as portas para ninguém. A gestão Mano e Dirceu (vice-prefeito, PP), nossa equipe e nosso grupo político são bem abertos pensando no bem de Pato Bragado. Se houver a indicação do meu nome para ser pré-candidato à reeleição, estarei à disposição, assim como estarei à disposição para ajudar alguém que venha a ser indicado pelo nosso grupo para ser eventualmente candidato a prefeito ou a vice.

 

OP: Neste momento o prefeito Mano é pré-candidato à reeleição?

LR: Diria que ainda não sou pré-candidato à reeleição, mas coloco meu nome à disposição.

 

OP: Em algumas cidades da região já houve eleições com consenso e ainda hoje se fala em uma eventual possibilidade disso voltar a acontecer. O senhor visualiza que Pato Bragado pode ter candidatura única em 2020?

LR: Por várias vezes essa possibilidade foi cogitada. Em algumas cidades já houve eleições com candidatura única e outras avaliam isso para o ano que vem. Tudo é possível. Todo mundo ganha em um consenso, mas depende muito das pessoas, pois elas que vão decidir. Para isso alguém precisa ceder e é necessário um diálogo muito aberto e muito franco, pois às vezes pode haver dificuldades na gestão lá na frente. Acredito muito no bom-senso das pessoas. Acho que é possível, sim, sentar com as lideranças dos grupos, mas, friso, vai depender das pessoas. Não sou eu quem vai dizer que poderia haver consenso ou não. No meu entendimento nunca podemos fechar as portas. Nós temos o nosso grupo, assim como a oposição tem o dela, e não sabemos hoje como se comportaria essa situação de um eventual consenso. É preciso amadurecer melhor essa ideia.

 

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