A morte do então deputado federal José Carlos Schiavinato (PP) em abril, vítima de Covid-19, colocou em dúvida se o ex-prefeito de Maripá, Anderson Bento Maria (Cidadania), manteria a pré-candidatura a deputado estadual.
Isto porque ele vinha trabalhando desde o início do ano no gabinete de Schiavinato e os dois já tinham alinhado o projeto político-eleitoral para 2022 visando formar dobradinha em diversos municípios da região.
Após a perda precoce do deputado federal, Bento Maria precisou reavaliar o processo e, então, tomou há poucos dias a decisão: mantém o seu nome à disposição para o pleito do ano que vem.
Em visita ao Jornal O Presente, ele confirmou que sua pré-candidatura será pelo Cidadania, embora tenha recebido convites de outras siglas. Confira.
O Presente (OP): O senhor já tomou a decisão se pretende disputar a eleição de 2022 como deputado estadual?
Anderson Bento Maria (ABM): Tinha guardado um certo tempo após a morte do deputado Schiavinato. Um período depois, recebi alguns convites. Pessoas passaram a conversar comigo. Nos últimos dias estive em Curitiba para conversar com deputados e lideranças. Tive uma conversa muito importante com o presidente do nosso partido, o deputado federal Rubens Bueno, e fiz o alinhamento. A partir deste momento nos colocamos à disposição da região Oeste do Paraná como pré-candidato a deputado estadual.
OP: O seu nome chegou a ser sondado pelo Cidadania como possível pré-candidato a deputado federal. Há alguma chance disso ocorrer?
ABM: Por este motivo também fui a Curitiba para conversar com o presidente do nosso partido, pois houve este convite feito pelo Cidadania. O meu objetivo sempre foi na esfera estadual. Pensava no meu projeto visando essa esfera. Conversamos sobre vários assuntos e chegamos em um consenso de que vou, daqui para frente, começar a percorrer todos os municípios, novamente alguns, mas de forma mais expressiva para contar um pouco da minha história frente a gestão pública, todas as conquistas que obtivemos enquanto gestor do município de Maripá, enquanto presidente da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), a relação com entidades importantes da região, com nossos deputados estaduais e federais, tudo aquilo que a vida pública nos ensinou nos últimos oito anos. Está definido agora que realmente vamos trilhar um caminho para participar do processo eleitoral ano que vem como pré-candidato a deputado estadual.
OP: O senhor estava próximo do deputado Schiavinato e, inclusive, havia especulação de que poderia se filiar ao Progressistas. Há alguma possibilidade de mudança partidária?
ABM: No final de novembro de 2020, recebi convite do deputado Schiavinato para trabalhar no gabinete dele. Eu tinha uma afinidade grande com ele, me espelhei muito na pessoa do Schiavinato enquanto prefeito da cidade de Toledo, e construímos um vínculo de amizade, de aprendizado, uma parceria muito boa ao longo do período em que fui prefeito de Maripá. Naquele momento, o Schiavinato fez o convite para me filiar ao partido. Mais para frente poderia haver uma mudança de filiação, mas inicialmente estava muito claro que permaneceria no Cidadania. Agora, nos últimos dias, tenho conversado com alguns partidos. Conversei com o Cidadania, Democratas, PSDB e outros que entraram em contato. Conversei com o deputado Rubens Bueno, presidente do partido no qual estou há quase 16 anos filiado, tenho uma história, que confiou na minha pessoa para participar do processo eleitoral em 2008, quando ainda não tinha muita experiência na política. Perdi a primeira eleição, mas em 2012 fui eleito e em 2016 fui reeleito, sendo o prefeito mais bem votado no Estado pelo Cidadania. Tenho uma relação muito boa com o partido. Olhando a história do Cidadania, que nas últimas quatro eleições não coligou na proporcional (para deputado estadual), vejo que é a melhor opção que temos para participar do processo ano que vem. Analisando os números, temos possibilidade muito boa e forte de eleição com uma quantidade menor de votos, em comparação com outras siglas. Então participo no Cidadania.
OP: Houve uma lacuna na eleição passada em termos de representatividade na Assembleia Legislativa. O senhor acha que a microrregião de Marechal Cândido Rondon consegue preencher novamente este vazio político?
ABM: Acho que a eleição de 2018 serve de aprendizado para todos. Foi uma eleição diferenciada das outras e, naquela ocasião, perdemos entre deputados estaduais e federais, salvo engano, 11 parlamentares. Foi uma grande perda para a região Oeste. Candidatos de outras regiões do Paraná fizeram muitos votos aqui nas nossas cidades. Foi uma surpresa para todos. Isso deve servir como um aprendizado no sentido de valorizar os candidatos da região, que vão colocar seus nomes à disposição para representar o Oeste, porque estas pessoas estão presentes aqui todos os dias e conhecem a realidade dos municípios. Acho que as pessoas precisam compreender um pouco melhor para que a gente não cometa o mesmo erro das eleições de 2018.
OP: O senhor voltou a conversar com o ex-deputado federal Dilceu Sperafico (PP) a respeito da sua pré-candidatura a deputado estadual?
ABM: Conversei com o ex-deputado Sperafico na época em que o Schiavinato me convidou para trabalhar no gabinete. Naquela ocasião, expus a eles a minha vontade em participar do processo eleitoral de 2022. Isso ficou muito claro, porque estávamos construindo dentro do gabinete dele o alinhamento entre a minha pessoa e o Schiavinato. Posterior à morte do Schiavinato, cerca de duas semanas depois, voltei a procurar o Sperafico para conversar e dizer que minha vontade continuava a mesma.
OP: A pré-candidatura a deputado estadual do vice-prefeito de Toledo, Ademar Dorfschmidt, que é do Cidadania, pode prejudicar o seu projeto político?
ABM: Acredito que não. Já tenho uma relação boa com os municípios e quando fui presidente da Amop procurei ampliar isso. O Anderson já tem consolidada a relação com os 54 municípios do Oeste. O que vou fazer agora é ampliar essa relação, resgatar minha história, falar das conquistas e colocar a minha pessoa à disposição para ajudar a construir este novo projeto para o ano que vem. Acredito que não me prejudica pela relação que tenho hoje com todos estes municípios.
OP: O senhor sai de Maripá com apoio do grupo de situação?
ABM: Quero acreditar que sim, porque nosso grupo é consolidado, feito por aproximadamente dez partidos políticos, no qual ganhamos as eleições de 2012, fomos reeleitos em 2016 e elegemos o prefeito Rodrigo (Schanoski, PL) em 2020. Inclusive fizemos a maioria na Câmara de Vereadores. Terminei meu mandato com mais de 80% de aprovação. Quero acreditar que essa credibilidade que o Anderson tem junto à população de Maripá também será vista por todas as nossas lideranças políticas da cidade. Independente de partidos, gostaria de poder contar com o apoio de toda população no próximo ano.
OP: O fato do prefeito Rodrigo ser do PL não pode fazer com que ele apoie o deputado estadual Marcel Micheletto (PL)?
ABM: Essa é uma decisão específica da pessoa do Rodrigo Schanoski. É uma decisão que ele precisa tomar pela relação que possui com o deputado estadual Micheletto, que também é do Oeste, é um bom parlamentar e representa muito bem a nossa região. Essa é uma decisão pessoal dele. Quero acreditar que o nosso grupo político, a sociedade, as pessoas que conheceram o trabalho do ex-prefeito Anderson Bento Maria estejam, em sua maioria, com a gente no próximo ano.
Por Maria Cristina Kunzler/O Presente