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Política

Angola, na África, cede terras e importa produtores rurais brasileiros

calendar_month 4 de abril de 2026
3 min de leitura

Pode parecer brincadeira, mas avanços tecnológicos e produtivos do agronegócio brasileiro são tão elevados ao ponto de estarem exportando conhecimentos e produtores rurais, além de alimentos, matérias primas e máquinas, a outros países. Para isso, o Governo Federal vem mantendo negociações com autoridades de Angola, na África, para assinatura de acordo de cooperação voltado à expansão do setor agrícola no país africano, com transferências de tecnologias e experiências da agropecuária brasileira. Conforme especialistas, as terras de Angola apresentam semelhança com o solo e clima do Cerrado Brasileiro e as tratativas em andamento envolvem participação de empresários, técnicos e instituições financeiras brasileiras, com previsões de investimentos de cerca de 120 milhões de dólares em projetos da província angolana do Cuanza-Norte, com foco inicial na produção de grãos e/ou alimentos básicos. Ao todo, Angola deverá disponibilizar cerca de 60 mil hectares de terras para empresas e produtores do Brasil, segundo informou o governador provincial João Diogo Gaspar, durante encontro recente com comitiva de negociadores brasileiros.

Conforme a autoridade angolana, os objetivos do acordo com o Brasil são atrair experiências, tecnologias e equipamentos para aumentar a produção agrícola, promover exportações, gerar empregos e tornar Angola autossuficiente na oferta de alimentos à população. O modelo em debate prevê parcerias com produtores locais, transferência de tecnologias e eventuais financiamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil, de novas áreas cultivadas. Segundo especialistas, os recursos do BNDES serão emprestados ao país africano para aquisição de máquinas agrícolas e insumos produzidos por empresas brasileiras. O Banco do Brasil deverá oferecer recursos repassados pelo Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e o Fundo Soberano de Angola participará com 17% do montante de recursos investidos. O custeio das novas lavouras caberá aos bancos angolanos, com aporte de 5% do valor total, enquanto a cobertura de garantias de 10% será contrapartida financeira de agricultores participantes com recursos próprios.

Conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil deverá se beneficiar com a exportação de equipamentos e insumos e ampliação de oportunidades de venda de máquinas, equipamentos, sementes, insumos e transferência de tecnologias. Os agricultores e investidores brasileiros também podem se beneficiar do acesso a áreas agricultáveis ainda pouco exploradas e com custos operacionais potencialmente menores do que em regiões consolidadas no Brasil. Já foram identificadas oportunidades para produção de milho, soja, algodão, carne bovina e suína. Além disso, tratativas preveem aportes em infraestrutura, como armazéns e sistemas de irrigação. Dessa forma, avançar nessa parceria é beneficiar ambos os países e promover novas oportunidades aos produtores brasileiros, pois o País tem muito a contribuir com sua experiência em pesquisa agropecuária e tecnologias de baixo carbono, desenvolvidas por especialistas nacionais. A proposta de cooperação brasileira foi protocolada em janeiro último entre autoridades do Brasil e Angola, incluindo mais de 30 produtores brasileiros que já formalizaram disposição para investir em projetos agrícolas no país africano.

Dilceu Sperafico é deputado federal pelo Paraná

dilceu.joao@uol.com.br

@dilceusperafico

 
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