Uma assessora do vereador Damasceno Júnior (PSDC) que foi chamada para prestar esclarecimentos como testemunha de defesa dele, na sexta-feira (22), na Câmara de Cascavel, disse que repassa parte do salário que recebe ao parlamentar.
“Uma parte do meu salário vai para ele, R$ 2,5 mil”, afirmou a funcionária, que também disse que os pagamentos são feitos desde o primeiro dia dela no cargo.
A jovem e outros assessores foram ouvidos pela Comissão de Ética da Casa, que apura a denúncia de uma ex-assessora contra Damasceno. A ex-funcionária afirma que teve que repassar parte do salário que recebia ao vereador.
Damasceno Júnior também foi ouvido e afirmou que é vítima de um complô. “Certeza de que foram manipuladas (as testemunhas). Vamos entrar com meus advogados com processo de investigação, e vamos até o fim”, disse o vereador.
A Comissão de Ética da Câmara de Cascavel tem até o mês de abril para concluir o caso.
Denúncia
O vereador Damasceno Júnior foi denunciado à Câmara de Cascavel pela ex-assessora Elidnéia Silva. Ela foi a primeira a prestar depoimento na sexta-feira e falou que possuía um acordo com o vereador, para que parte do salário dela fosse usada para pagar um carro do parlamentar.
Elidnéia trabalhava em uma garagem onde Damasceno comprou o carro e, segundo ela, foi assim que o conheceu. Depois, conforme o depoimento da funcionária, ao se tornar assessora, o vereador disse que ela teria que pagar um valor para o partido.
Também em depoimento, o funcionário da loja de carros onde ela trabalhava confirmou que quem fazia os pagamentos do carro era a ex-assessora.
Ela também respondeu a perguntas dos advogados do vereador e disse que, em conversas com colegas, ficou sabendo que outros assessores também repassavam parte dos salários para ele.
Outros assessores confirmaram repasses
Outra assessora, que atualmente também trabalha com o vereador, confirmou a afirmação da denunciante e disse que, ao receber o primeiro pagamento, ouviu de Damasceno Júnior que ela teria que devolver metade do dinheiro para que ele repassasse ao partido.
Ela disse que aceitou a condição porque estava desempregada e que, mesmo repassando uma parte, ainda ficaria com o restante.
Segundo a assessora, no início, o salário era dividido da seguinte forma: R$ 2,7 mil pra ele e R$ 2,7 mil para ela. Depois, de acordo com Sandra, o montante do salário que ficava com ela baixou para R$ 2,3 mil.
A assessora disse ainda que entregava em mãos o dinheiro ao vereador, mas ressaltou que nunca teve que pagar contas para ele. Segundo ela, acontecia, às vezes, de Damasceno pedir dinheiro emprestado para ela e para o marido.
Outro assessor do vereador, ao prestar depoimento na Câmara Municipal, disse que, no caso dele, não havia repasses, mas não explicou exatamente o motivo. Ao final, relatou que foi ameaçado.
Com G1/RPC Cascavel