Os brasileiros vão conhecer após as 19 horas de domingo (28), depois que todas as seções eleitorais do território nacional são fechadas – respeitando a diferença de fuso de duas horas no Acre -, o novo presidente da República. Dois candidatos disputam a oportunidade de governar o Brasil no mandato 2019/2022: Jair Bolsonaro (PSL), que representa o grupo de extrema-direita, e Fernando Haddad (PT), da esquerda.
Em mais 13 Estados e no Distrito Federal serão escolhidos, ainda, os novos governadores. No Paraná o candidato Ratinho Junior (PSD) foi eleito no primeiro turno, realizado no último dia 07.
Milhões de eleitores voltam às urnas no domingo, cuja votação ocorre das 08 às 17 horas (horário local), em uma campanha que ficou marcada pela disseminação das chamadas fake news (notícias falsas) e questionamentos envolvendo a segurança das urnas eletrônicas.
Ao fazer uma avaliação da eleição 2018, o chefe do Fórum Eleitoral da Comarca de Marechal Cândido Rondon, que abrange além do município-sede as cidades de Mercedes, Pato Bragado e Quatro Pontes, Fábio Gealh, opina que não houve falhas por parte da Justiça Eleitoral em relação à proliferação de fake news. “A Justiça Eleitoral é um órgão do Poder Judiciário, a quem só cabe agir quando é provocado. É necessário que haja ação de algum interessado (partidos, candidatos ou Ministério Público) para que a Justiça Eleitoral se manifeste. Eu vejo que o problema da proliferação de notícias falsas é social e cultural, e não de regulamentação”, declara.
De acordo com ele, a liberdade de expressão é um direito constitucional, mas esta liberdade estaria sendo mal utilizada. “Muito mal, aliás. Em vez de ocorrer o compartilhamento de ideias e notícias com conteúdo, se tem utilizado redes sociais e aplicativos de mensagens para disseminar notícias falsas. Aquela pessoa que compartilha algum conteúdo sem saber sobre sua veracidade age igual aquele que criou a notícia. A disseminação de conteúdo falso sem verificar sua veracidade é tão grave quanto a de quem o cria”, afirma.
O servidor da Justiça Eleitoral critica ainda que não é coerente que algumas pessoas que se manifestam contra a impunidade nos casos de corrupção se utilizem da aparente impunidade para produzir e disseminar fake news. “Por não identificarem um risco a esta conduta, muitas pessoas agem de acordo com ela sem se preocupar com qualquer responsabilidade por seus atos. E então cobram da Justiça e do governo que seja feito algo a respeito sem reconhecer que tem culpa nesta situação. É um comportamento equivocado, parecido com o que acontece nas escolas atualmente, quando os pais acreditam que a escola é a única responsável em promover a educação dos seus filhos. É necessário ter e assumir responsabilidades”, destaca, acrescentando: “Quem compartilha notícia falsa, mesmo sem saber que seja mas também sem se interessar em buscar conhecer se é verdade, nada mais faz do que fofocar. E a única forma de reduzir a fofoca é assumindo responsabilidades. Enquanto as pessoas, e em especial os eleitores, não assumirem a responsabilidade que devem de não compartilhar fofoca (notícia falsa/fake news), isso não vai acabar”, salienta.
No entendimento do chefe do Fórum Eleitoral de Marechal Rondon, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a maioria das empresas de jornalismo fizeram sua parte ao disponibilizarem em suas páginas na internet espaço para esclarecer as fake news que têm circulado em redes sociais e aplicativos de mensagens. “Mas, mesmo assim, até hoje continuam circulando diversas notícias que foram amplamente demonstradas serem falsas”, observa.
SEGUNDO TURNO MAIS TRANQUILO
Após o primeiro turno e diante de muitos questionamentos que surgiram envolvendo as urnas eletrônicas, o TSE e o TRE-PR fizeram questão de esclarecer todas as dúvidas. Inclusive no Paraná houve auditoria em algumas urnas, sendo que o resultado comprovou que não houve e não há irregularidades nos equipamentos.
Além de reforçar que a urna eletrônica é totalmente segura e só registra o voto que é confirmado pelo eleitor, Gealh entende que os esclarecimentos prestados pela Justiça Eleitoral devem fazer com que o segundo turno, no domingo, seja mais tranquilo. “Todos os mesários foram instruídos a orientar os eleitores a esperar o carregamento da foto do candidato escolhido para apenas depois confirmar seu voto. Demorar para carregar a foto não é algo desejado, mas agora que é algo previsto, caso ocorra, já terá sido esclarecido previamente, o que evitará qualquer confusão ou dúvida sobre o registro do voto, como ocorreu no primeiro turno”, ressalta.
Por outro lado, ele lembra que foram apresentadas explicações e todos os vídeos que supostamente mostravam algum erro nas urnas foram comprovados depois ser uma fraude, utilizando-se de montagem e má-fé.
O Presente